Geral

Golpe telefônico

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Clone pode atrapalhar vida dos usuários

Clone pode atrapalhar vida dos usuários

Texto: Rita de Cássia Cornélio

A DIG/Garra está investigando um golpe telefônico que vem sendo aplicado em diversas regiões do País e lesando muitos usuários. Em Bauru, foram registrados dois casos. Um deles, o clone do celular estava sendo usado por um seqüestrador de Minas Gerais. Uma mensagem divulgada na Internet e por fac-símile está alertando os usuários da telefonia celular e fixa sobre o mesmo perigo.

O golpista liga para a casa da vítima, diz que é da Telefonica e pergunta se o telefone dela dispõe de Serviço de Discagem por "Tom". Com a desculpa de que necessitam testar, pedem para discar (nove, zero e a tecla de sustenido). Uma vez executada essa operação, a pessoa informa que não há nenhum problema com o telefone, agradece e desliga.

O procedimento habilita a linha telefônica acionada pelo golpista, como receptora. Trocado em miúdos, significa que o telefone da vítima foi clonado e que as despesas do clone vão cair nessa conta. O clone é uma cópia fiel de uma linha telefônica e todas as chamadas feitas por ele serão debitadas na conta da vítima.

No caso do celular é preciso que o golpista consiga pegar o aparelho, explica o delegado titular da DIG/Garra, J.J.Cardia.

"Um dos casos mais graves ocorridos em Bauru aconteceu quando o dono do celular esteve no Paraguai e entregou seu aparelho a um balconista para que ele trocasse a bateria. O funcionário conseguiu pegar um número e fazer a clonagem."

Com o clone, um seqüestrador de Minas Gerais fazia o contato com a família do seqüestrado. "Foi um trabalho investigativo da Polícia Civil de Minas Gerais e de Bauru que descobriu que o verdadeiro aparelho celular estava clonado."

Há 15 dias, segundo o delegado, uma vítima registrou outro caso. "Sabemos que em Bauru há pessoas fazendo clonagem. As investigações estão adiantadas, porém ainda não chegamos a um resultado."

Alerta

Cardia acredita que se os usuários da telefonia celular forem cuidadosos o golpista encontrará pouco campo de atuação. Ele recomenda que os donos dos telefones fiquem atentos. "Não deixando o aparelho em qualquer lugar. No caso de consertos, procurar lojas especializadas e estabelecidas. Não emprestar o aparelho para desconhecidos. Não perder o aparelho."

Segundo o delegado, se o usuário perceber que o celular está com muita linha cruzada ou que constantemente há alguém ligando e falando que é engano, pode ser que o aparelho esteja clonado. "Tem que procurar a empresa de telefonia e pedir um rastreamento da linha. Além disso, a pessoa lesada pode fazer um Boletim de Ocorrência de preservação de direitos ou de estelionato."

O delegado lembra que outra maneira de detectar a clonagem é verificar a conta telefônica. "O telefone clonado traz as ligações feitas pelo clone. Nos casos registrados, especialmente no primeiro que envolveu um seqüestro, a conta trouxe ligações para o Japão e França."

É impossível

A assessoria de imprensa da Telefonica garantiu ontem que, tecnicamente,

é impossível clonar uma linha fixa. De acordo com o assessor, os usuários podem ficar sossegados porque a clonagem não é possível em linhas fixas."

A assessoria de imprensa da Telesp Celular informou que os casos de clones são claramente identificados pela empresa, através de um sistema de detecção e controle de fraudes. Para identificar um aparelho clonado, segundo a Telesp Celular, são utilizados alguns parâmetros. Um deles é a equidistância: duas chamadas realizadas em horários próximos e separadas por grande distância geodésica. Outro seria a colisão: duas chamadas no mesmo horário realizadas em locais diferentes.

A assessoria explica que ao preencher o formulário no momento da habilitação do celular, o cliente poderá optar pelo bloqueio de ligações internacionais, evitando assim, possíveis incômodos. De acordo com a empresa, cerca de 95% dos casos de fraudes são identificados antes da emissão da conta.

A opção para o cliente que suspeitar de clone em seu telefone é ligar para 1404 ou ir a uma das lojas da Telesp Celular e solicitar a verificação. Os valores suspeitos serão impugnados, segundo a empresa e emitida a segunda via da conta. Caso não proceda a reclamação do usuário, o valor será cobrado em conta futura.

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