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Recursos Humanos

Redação
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Cursos universitários criam novas possibilidades de emprego

Cursos universitários criam novas possibilidades de emprego

O mercado exigiu e as universidades criaram cursos inéditos para formar profissionais afinados com as necessidades dos dias de hoje.

Quantas pessoas você conhece que têm telefone celular, pager, assinam TV a cabo ou usam a Internet? Muitas, não

é mesmo? Pois esse número ainda vai subir mais ainda. A quantidade de celulares no Brasil pulará dos atuais 4,1 milhões para 16,2 milhões em 2001, anunciou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em função desse crescimento, também vai aumentar o total de profissionais envolvidos no setor. Nesse período, serão criados quase 100 mil empregos só na área da telefonia, de acordo com estatísticas da agência de recursos humanos DPS.

Esse desenvolvimento não está acontecendo apenas nas telecomunicações. Até o ano 2000, a produção de comida industrializada deve crescer ao ritmo de 4,2% anuais, segundo projeções feitas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). E as empresas precisam de engenheiros e de economistas para fazer a ligação entre a produção agrícola e a industrial. Nos últimos três anos, o aumento do turismo interno ampliou em 15% a rede hoteleira nacional, agravando a falta de trabalhadores especializados. Ao mesmo tempo, as novas leis e os decretos de defesa do meio ambiente reforçam a necessidade de pessoal preparado para atuar no setor. Até pouco tempo atrás, as universidades não estavam preocupadas em formar profissionais para essas áreas. Elas foram acordadas por empresários desesperados com a falta de gente habilitada que pudessem contratar. E também por alunos atentos ao mercado de pós-graduação em busca de especializações nos campos requeridos pelas empresas. Usando a autonomia concedida pela Lei de Diretrizes e Bases, as universidades criaram cursos dirigidos aos setores quase sem mão-de-obra. Você, que está escolhendo uma carreira para seguir, saiu ganhando com todas essas mudanças. Várias opções foram acrescentadas ao cardápio universitário, aumentando seu leque de escolha. Todos os cursos citados nesta reportagem estão autorizados pelo Ministério da Educação, e alguns já foram reconhecidos

Microbiologia e Imunologia

Dois dos maiores desafios da medicina neste final de século estão nas mãos de microbiologistas e de imunologistas. Um deles é a descoberta de uma vacina contra a Aids. O outro, a criação de antibióticos que ganhem a guerra contra bactérias cada dia mais resistentes. Apesar da necessidade crescente do mercado de trabalho, são poucos os profissionais nesses campos.

"Apenas 1% dos médicos que se formam escolhe essas

áreas. E a carência é ainda maior nas empresas que trabalham com produtos ligados

à Aids e às alergias", afirma Alfredo Toledo e Souza, gerente médico do laboratório farmacêutico Hoescht Marion Roussel, o terceiro do Brasil.

"Eu abria o jornal e via montes de anúncios pedindo especialistas", conta o professor Armando Borges Neto, da Universidade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atenta a essa lacuna, a UFRJ criou o curso de microbiologia e imunologia. Ele não se limita a preparar pesquisadores para a indústria farmacêutica. Os formandos também podem trabalhar na produção de alimentos e de fertilizantes. A falta de peritos é tão grande que existe trabalho mesmo para quem ainda não tem diploma. É o caso de Maria Luiza Borges de Azevedo, 41 anos, no quarto ano do curso. Ela desenvolve vacina na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, mas resulta que a opção não tem nada a ver com emprego. "Fiz a escolha porque adoro o trabalho em laboratório", diz.

Engenharia de telecomunicações e Engenharia de redes de comunicação

A grita começou há uns cinco anos. "Os empresários estavam exigindo um curso diretamente voltado para as telecomunicações:, conta Edimilson Campos, professor da Universidade de Uberaba em Minas Gerais. "Eles batiam em nossas portas atrás de mão-de-obra especializada", acrescenta Rafael de Souza, professor da Universidade de Brasília. Os apelos foram tantos, que acabaram sendo atendidos. Nos últimos quatro anos, foram criados nove cursos de engenharia de telecomunicações

- ou engenharia elétrica/eletrônica com ênfase em telecomunicações - e um de engenharia de redes de comunicações. Eles e juntaram aos dois únicos existentes - o do Instituto Militar de Engenharia, de 1939 e o da PUC do Rio de Janeiro, de 1968 - e vão alimentar um mercado em que o dinheiro rola solto. De acordo com a Organização das Nações Unidas, o setor movimenta cerca de 650 bilhões de dólares e cresce à taxa de 7% ao ano. Atendendo à demanda da Telerj a Faculdade Carioca, no Rio de Janeiro está oferecendo dois cursos seqüenciais nessa área: comunicações móveis e comunicações ópticas, para formar especialistas em equipamentos para redes de telefonia celular e Tv a cabo. O engenheiro de telecomunicações vai trabalhar em tudo o que está ligado à transmissão, recepção e codificação de sinais digitais de dados, som ou imagem. Isso inclui telefone, rádio, Internet, pagers, TV a cabo e satélites. Toda essa estrutura exige também gente qualificada para criar, manter e operar as redes de comunicação.

"Eu fazia computação e, quando soube do curso de engenharia de redes de comunicação, não tive dúvidas: mudei correndo", conta o estudante Daniel Rugieri Ribeiro, 19 anos, da Universidade de Brasília.

"Agora tenho certeza de que vou achar emprego assim que deixar a universidade".

Engenharia de produção agroindustrial e Economia agroinsdustrial

Basta andar pela rua para ver a quantidade de lojas envolvidas com a alimentação. São supermercados, mercearias, vendinhas, padarias, restaurantes, rotisserias, todos oferecendo mil produtos industrializados ou semi-industrializados. Graças a isso, está havendo uma explosão no chamado agribussiness, ou seja, a rede de negócios que têm base no campo. Esta área inclui produção, industrialização e comercialização de alimentos, fertilizantes, equipamentos, sementes, e até análise de investimentos e elaboração de políticas para o setor. Um prato cheio para quem gosta da vida na fazenda mas não quer tirar os pés da cidade. Se este é o seu caso, fique de olho no curso de engenharia de produção agroindustrial. Ele vai formar pessoal com uma visão global da cadeia da agroindústria, como objetivo de torná-la mais rentável. "Esse engenheiro vai transmitir nos diversos setores com conhecimento de todas as etapas da produção", diz o professor Miguel Bueno, da Universidade Federal de São Carlos. Assim, ele tanto procurará a melhor alternativa para aproveitar as safras quanto pensará na distribuição dos produtos. Outra alternativa é estudar economia agroindustrial, curso feito para quem pretende trabalhar na administração de indústrias, no setor de investimentos em bancos e formular políticas agrícolas públicas. Preparar agrônomos especializados em agribusiness e em meio ambiente é a proposta das Faculdades Integradas Cantareira, a primeira a oferecer curso de agronomia na cidade de São Paulo.

Engenharia hídrica e Ciências da Terra

Se você anda estudando para o vestibular, deve saber que do total de 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água da Terra só 0,7% está nos rios, lagos e no subsolo, e que esse precioso patrimônio não vem sendo tratado como deveria. Foi a preocupação com os recursos hídricos que levou o Congresso a aprovar, em 1997, a Lei nº 9.433, que regulamenta o uso da água no Brasil. De olho no mercado que desponta, a Escola Federal de Engenharia de Itajubá criou o primeiro curso de engenharia hídrica do país. "Vamos habilitar profissionais para dar assessoria, fazer projetos e levantamentos para empresas e órgãos públicos, que serão muito mais cobrados quanto ao uso que fazem da água", explica Geraldo Thiago, coordenador do curso. Eles também vão analisar o potencial de um rio, levantar as múltiplas necessidades de uso dessa água - residencial, geração de energia, irrigação, navegação e atividade industrial - e estabelecer medidas para garantir a utilização mais adequada, evitando o desperdício. A Universidade Estadual de Campinas é outra escola que oferece opção nova na área ambiental. O curso de ciências da Terra foi criado para formar geógrafos e geólogos com uma visão mais abrangente do planeta.

O currículo é formado por um ciclo básico, de três semestres, e por um ciclo profissionalizante. Ao final do primeiro, os estudantes escolhem entre geografia e geologia. Quem optar por geografia, da área de humanas, vai enfrentar matérias como física e química e aprender a lidar com imagens de sensoriamento remoto. Já quem preferir geologia, de exatas, terá de estudar filosofia da ciência, economia, direito e história, por exemplo. "Esses profissionais terão uma noção ampliada dos outros campos e ambos poderão se sair muito bem em grupos multidisciplinares, uma tendência atual em todo o mundo", afirma Bernardino de Figueiredo, coordenador do curso.

Hotelaria e Administração hoteleira

Uma das conseqüências da estabilização da moeda no Brasil foi o incremento dos setores de turismo e de lazer. Por isso mesmo, os investimentos nessas indústrias se multiplicaram. Nos próximos dois anos, serão abertos 25 hotéis de médio e grande porte no país, e a Embratur estima que, até 2002, haverá 24 mil novos cargos de chefia e de gerência na área. Por conta desse desenvolvimento, nos últimos anos começaram a pipocar nas universidades cursos de hotelaria - que ensinam a montar e a conduzir as diversas operações envolvidas nesse negócio - e de administração hoteleira

- mais específicos, dirigidos apenas à parte de gerenciamento. Essas escolas vão capacitar gente para trabalhar em hotéis, resorts, pousadas, navios, hospitais, spas, restaurantes e na área de eventos.

Eles vão aprender a cuidar da governança - desde a recepção dos hóspedes até a limpeza dos quartos e a higiene das roupas de cama e banho -, de alimentos e bebidas, de administração e contabilidade, de comercialização e marketing. "É isso que justifica a graduação durar quatro anos. A formação hoteleira, apenas, se resolveria em dois", explica Luiz Otávio de Camargo, professor da Universidade de Sorocaba, em São Paulo. Centenas de estudantes estão procurando esses cursos, atraídos por uma profissão que mistura o dever com o prazer e oferece várias possibilidades de atuação.

"É um trabalho dinâmico e prático, de resultados imediatos", diz Fábio Rolim, 25 anos, aluno da Universidade de Sorocaba. Já Karine Von Gilsa, 22 anos, da Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, quer trabalhar na área de eventos em hotéis. "Esse segmento é movimentado e dificilmente eu vou me entediar".

Naturologia aplicada

Ao reconhecer como especializações médicas e homeopatia e acumpuntura, em 1980, a Organização Mundial de Saúde quebrou o tabu que afastava das universidades essas terapias, consideradas por muita gente como alternativas

à medicina tradicional. Várias outras técnicas continuam sendo discriminadas nas escolas, embora sejam adotadas por um número cada vez maior de pessoas. Com certa ousadia, a Universidade do Sul de Santa Catarina reuniu algumas delas no curso de naturologia aplicada, que quer preparar quadros para trabalhar em clínicas, hospitais e casas de repouso e de reabilitação, "Nossa idéia não

é substituir os médicos, mas trabalhar junto com eles", diz Rosa Maria Rupp, coordenadora do curso. "Essa

é uma maneira de promover a pesquisa e aprofundar o estudo científico de técnicas terapêuticas antiquíssimas que ainda são vistas como marginais pela medicina convencional.

"Além de disciplinas como anatomia, farmacologia e biologia, o currículo prevê aulas de hidro, cromo, geo e fitoterapia, que ensinam formas de tratamento com o uso da água, das cores, da terra e das plantas.

Produção cultural

Carregar holofotes pesados, assistir várias vezes à mesma cena teatral, dar quarenta telefonemas num dia e passar meses viajando. Esse é o cenário para quem seguir produção cultural, curso que vai formar profissionais familiarizados com as artes, as leis de incentivo ao setor, e que saibam como participar de todas as etapas de uma produção.

"É preciso ser uma pessoa dinâmica porque sempre haverá muitas coisas para resolver em pouco tempo", avisa o professor Jader Janotti Júnior, da Universidade Federal da Bahia. Desde 1991, quando foi aprovada a Lei Rouanet, que concede isenção fiscal para empresas que investem em cultura, a procura por esses especialistas não parou de crescer. Embora trabalhe na área há mais de dez anos. Mariana Kutassi, 45 anos, sentia falta de formação acadêmica. Assim que soube do curso da Universidade Federal Fluminense, matriculou-se. " O embasamento técnico faz uma falta danada", confessa.

Onde encontrar os novos cursos

As escolas, a duração do curso, o número de vagas e o salário inicial para as profissões que estão surgindo são estes:

Economia Agroindustrial

Escola: Esalq/USP (SP)

Duração: 4 anos

Total de vagas para 1999: 20

Salário inicial: R$ 1.000,00

Engenharia de Produção Agroindustrial

Escolas: FECL de Campo Mourão (PR), UFScar (SP)

Duração: 5 anos

Total de vagas para 1999: 70

Salário inicial: R$ 1.200,00

Microbiologia e Imunologia

Escola: UFRJ (RJ)

Duração: 4 anos

Total de vagas para 1999: 35

Salário inicial: R$ 1.500,00

Naturologia Aplicada

Escola: Unisul (SC)

Duração: 4,5 anos

Total de vagas para 1999: 40

Salário inicial: R$ 30,00 a R$ 50,00 por consulta

Hotelaria

Escolas: Anhembi Morumbi (SP), Unesa (RJ), Uniso (SP), Unival

(SC), USF (SP), USM (SP).

Duração: 4 anos

Total de vagas para 1999: 500

Salário inicial: R$ 1.500,00

Engenharia Hídrica

Escola: Efei (MG)

Duração: 5 anos

Total de vagas para 1999: 20

Salário inicial: R$ 1.500,00

Ciências da Terra

Escola: Unicamp (SP)

Duração: 4,5 anos

Total de vagas para 1999: 60

Salário inicial: R$ 1.200,00.

Administração em Hoteleira

Escolas: Centro Universitário Moura Lacerda (SP), Fac. Ibero-Americana (SP).

Duração: 4 anos

Total de vagas para 1999: 130

Salário inicial: R$ 1.500,00

Engenharia de Telecomunicações ou Engenharia Elétrica/Eletrônica com ênfase em Telecomunicações

\Escolas: Cefet (RJ), Fac. da Cidade (RJ), FEI (SP), IME (RJ), Inatel (MG), PUC (RJ), UFF (RJ), Unesa (RJ), Uniube (MG), USM

(SP), UTP (PR).

Duração: 5 a 6 anos

(meio período ou integral)

Total de vagas para 1999: 505

Salário inicial: R$ 2.000,00

Engenharia de Redes de Comunicação

Escola: UnB (DF)

Duração: 5 anos

Total de vagas para 1999: 40

Salário inicial: R$ 2.000,00

Produção Cultural

Escolas: Anhembi Morumbi (SP), UFBA (BA), UFF (RJ)

Duração: 4 anos

Total de vagas para 1999: 140

Salário inicial: R$ 1.000,00

* Fonte: Guia do Estudante/1999

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