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Policiamento Preventivo

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Reestruturação melhora policiamento preventivo

Reestruturação melhora policiamento preventivo

Texto: Adriana Rota

O levantamento de ocorrências realizado mais recentemente pela Polícia Militar (PM) mostra que um trabalho de reestruturação junto aos cinco pelotões, localizados em regiões distintas da cidade, promoveu um aumento substancial do número de registros de policiamento preventivo. Dos 87 computados de janeiro a junho de 98, ocorreu um salto para 697 no mesmo período deste ano.

O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM, explicou que somente o Grupo Especial de Policiamento com Motocicleta (Gepom) atua, hoje, essencialmente de forma preventiva. Os demais, maioria, ficam encarregados do atendimento às ocorrências, só podendo atuar de forma a coibir os crimes no período entre um e outro atendimento, embora o ideal, segundo ele, seria que todos pudessem trabalhar evitando o crime, coisa que à quantidade de homens e viaturas impede.

Numa tentativa de otimizar os trabalhos, tendo em mente essas limitações, os tenentes do Pelotão Leste, Oeste, Sudeste, Sul e Noroeste, que atendem às regiões do núcleo Mary Dota, Vila Falcão, núcleo Geisel, Centro e Altos da Cidade e Parque Jaraguá, respectivamente, reuniram-se e decidiram que, ao invés das rondas habituais, os policiais estacionariam as viaturas em pontos estratégicos dentro da área de atuação do grupamento, geralmente locais onde circula maior número de pessoas.

Cada vez que o veículo é estacionado, uma ficha de policiamento preventivo é preenchida. Através do controle desse talonário tem-se a garantia de que o trabalho foi desenvolvido em determinado local e pode-se fazer o levantamento final. A linha de atuação é

"personalizada", ou seja, voltada para as características específicas de cada bairro. Em apenas três meses de atuação, o salto foi de 87 para 697.

Embora a intenção primeira não seja fazer economia, a quantidade de combustível e o desgaste das viaturas têm diminuído. Além disso, de acordo com o capitão, a simples presença da viatura - que muda seu local de estacionamento de tempos em tempos - coíbe eventuais delitos.

Outras ocorrências

O número de homicídios registrados de janeiro a junho de 98, comparado aos deste ano, demonstra que se manteve no mesmo patamar: 22. Os roubos passaram de 363 para 458 e, os furtos, de 2.030 para 2257. As residências das regiões Noroeste e Leste são as que mais sofrem com este último delito, principalmente de objetos facilmente convertidos em dinheiro geralmente para compra de drogas, como os eletrodomésticos. Essa quantidade de registros não têm, necessariamente, relação direta com o policiamento preventivo, já que as condições econômicas da população são um fator determinante no aumento desses índices. Coincidência ou não, o mesmo ocorre após o Carnaval.

Os danos e as depredações sofreram uma queda próxima a 100, provavelmente relacionada ao trabalho intensivo de conscientização dentro das escolas. A mesma tendência seguiram as fugas, tentativas e rebeliões, mas porque muitas delas são resolvidas sem a necessidade do apoio da PM. Aliás, o mesmo ocorre com relação a entorpecentes e crimes contra a criança e a mulher, geralmente levados diretamente à Polícia Civil.

O estelionato sofreu um acréscimo de 19 pontos, sendo que o campeão dessa "modalidade" continua sendo o conhecido "conto do bilhete", no qual o criminoso aborda uma pessoa, geralmente idosa e vende um suposto bilhete premiado de alto valor por um preço bem mais baixo, alegando que não pode receber o dinheiro por problemas no banco.

Um ponto positivo observado no levantamento foi que em muitas situações o policial tem atuado como uma espécie de "juiz de paz", tentando evitar o registro policial apaziguando os ânimos. É o caso dos itens perturbação do sossego público, desinteligência e vias de fato

(discussão entre uma ou mais pessoas). O desacato à autoridade segue a mesma tendência, provavelmente em virtude do caráter comunitário da polícia local.

Com relação à corrupção de menores, chama a atenção seu baixo número. O capitão explicou que, na maior parte das vezes, esse crime está relacionado a outros, como tráfico ou prostituição infantil. "É comum o crime ser enquadrado de uma maneira no momento da ocorrência e durante a investigação, ou mesmo quando o delegado analisa os fatos, o infrator ter de responder por outro ou mais de um".

Os trotes telefônicos, geralmente feitos por crianças, têm diminuído. Esse fato pode estar relacionado à atitude do policial que recebe a chamada, suficientemente aparelhado e orientado a ligar imediatamente para o número do telefone utilizado para a denúncia, levando o caso ao pai ou responsável. O trabalho de orientação à comunidade decresceu, não porque as pessoas estejam procurando menos, mas por uma modificação na conduta: diferentemente do que se fazia há algum tempo, agora tenta-se prestar informações relacionadas a problemas de luz, água, telefone, mau atendimento, dentre outros, sem deslocamento de viaturas, o que comprometia o trabalho da PM.

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