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Nota Policial

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

DIG/Garra esclarece crime do Jardim Godoy em tempo recorde

DIG/Garra esclarece crime do Jardim Godoy em tempo record

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Menos de 10 horas depois do homicídio ocorrido na tarde de quarta-feira no Jardim Godoy, a Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) prendeu o autor e esclareceu o crime. Odirlei Aparecido de Araújo foi preso na noite de quarta-feira no Jardim Manchester e alegou que matou para não morrer. O revólver usado por ele para matar Laércio Andrade Filho, 27 anos, foi apreendido ontem, na casa de um amiga do homicida.

Ordilei Araújo explicou que o crime cometido por ele faz parte de uma história que envolve a família dele e a da vítima. "Nós somos parentes, primos. O Gerson Araújo de Andrade tem um filho com a minha irmã, Simone. Ele batia muito nela e eu tinha medo que ele a matasse. Ele vivia me ameaçando porque eu a defendia. Resolvi me armar e comprei um revólver na Praça Rui Barbosa. O Gerson já havia matado uma ex-amásia dele", disse.

No sábado passado, em uma briga, o Gilson dos Santos bateu no Gerson. Ele ia matar o Gerson e eu separei a briga. O Gerson caiu e bateu a cabeça no chão. Foi para a UTI, onde está internado", contou o reú confesso. No domingo, a tia de Ordilei Araújo, que é a mãe do Gerson, teria pedido para ele ir até a casa dela para esclarecer a briga. "Eu expliquei que tinha defendido-o, mas ela disse que a briga ia dar panos para manga", afirmou.

Na quarta-feira, dia do crime, na versão de Ordilei Araújo, ele acordou e ficou assistindo televisão na sala. A sua irmã, Simone, ex-amásia do Gerson, saiu para ir ao mercado. "Bateram na porta e eu mandei entrar. Era o Laério, irmão do Gerson", disse.

O primo teria entrado e, em atitudes agressivas, teria tirado o cobertor que estava sobre o Ordilei. "Ele pegou no meu pescoço e me puxou para fora da casa. Tentei me defender, mas do lado de fora estavam mais dois irmãos dele: o Alex e o Marcos. Eles me seguraram e queriam o endereço do Gilson dos Santos, que havia agredido o irmão deles. Eu não queria fornecer a informação e fui agredido", contou.

Durante o desentendimento, segundo o homicida, Laércio teria puxado uma faca. "Minha irmã, que estava na sala, tentou tirar a arma dele e acabou sendo riscada. Quando eu vi que o Marcos também estava armado com uma faca, fugi para a casa de um amigo", explicou à polícia.

Os dois irmãos, na versão de Ordilei, teriam entrado na casa e revirado tudo, a fim de localizar o revólver dele. "Eles não acharam o meu revólver, mas agrediram as minhas duas irmãs", acusou. Da casa do amigo, Ordilei retornou para sua casa, onde encontrou a sua irmã, Simone, com a boca sangrando. "Ela estava machucada. Dois amigos meus estavam em casa. Percebemos que o padrasto do Gerson passou a cavalo. A cunhada da minha irmã, a Andréia, estava em casa e nós pedimos para ela ir até a esquina para ver o que estava acontecendo. Os dois irmãos estavam lá e começaram a descer a rua, iam passar em frente de casa."

O crime

Odirlei Araújo se encheu de coragem e saiu da casa. "Eu chamei o "Tico", que era o Laércio. Eu queria conversar com ele. Eu estava armado. Ele veio rápido. Meu colega segurou o Marcos. O Laércio veio para cima de mim. Eu pensei que ele estivesse armado e puxei o revólver. Estava com medo e atirei", confessou.

Depois do crime, relatou, Odirlei pediu uma carona para Andréia.

"Ela nem sabia o que estava acontecendo. Ela me levou para o Parque Santa Terezinha. Lá, passei na casa da minha ex-mulher e encontrei uma amiga, a Marinalva. Ela pegou a arma com medo que eu retornasse para matar mais alguém", disse.

Ordilei lembra que ficou escondido no mato, no Jardim Manchester, bairro vizinho ao Parque Santa Terezinha. "Fiquei vagando. Decidi me entregar e voltei na casa da Marinalva para pegar a arma, mas ela não estava mais. Os policiais da DIG/Garra estavam lá e me prenderam", contou

De acordo com o delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia, a prisão temporária de Odirlei, por cinco dias, renováveis, foi decretada. O juiz corregedor assinou o pedido e Odirlei foi reconhecido à Cadeia Pública de Bauru.

Ontem, o delegado e a equipe de investigação estiveram no Jardim Manchester e apreenderam o revólver calibre 38 na casa de Marinalva. Haviam cinco cápsulas, três deflagradas e duas intactas.

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