Estado exigirá atendimento mínimo da AHB
Estado exigirá atendimento mínimo da AHB
Texto: Josefa Cunha
A Secretaria Estadual da Saúde estará exigindo nos próximos dias que a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) cumpra o convênio firmado com o SUS, no qual a entidade se compromete a oferecer um número mínimo de atendimentos. A medida foi anunciada na noite de ontem pelo coordenador de Saúde do Interior, Luiz Roberto Musolino, que passou a tarde reunido com representantes do setor de Bauru. Estiveram presentes na audiência o diretor da DIR-X, Flávio Baddim Marques, a secretária municipal da Saúde, Eliane Telles Nunes, o presidente da regional da Associação Paulista de Medicina, Carlos Alberto Monte Gobbo, e o ex-deputado Tuga Angerami, interlocutor político do município junto ao governo sobre assuntos relativos à Saúde.
A reunião foi requisitada pela DIR-X em virtude da suspensão nos atendimentos a pacientes do SUS promovida no início da semana pela AHB. As internações, tratamentos fisioterápicos e raios-x estão limitados exclusivamente a casos emergenciais. Segundo a mantenedora, o corte foi motivado pela retenção judicial de 10% do repasse das verbas do SUS. Vale lembrar que a AHB deve para o INSS e está sendo executada na Justiça por isso.
A interferência do Estado na Associação Hospitalar de Bauru ainda será discutida com o secretário da pasta, José da Silva Guedes. Mesmo assim, Musolino já adianta a necessidade de providências para colocar a AHB
"nos eixos". "A questão não é fácil de ser resolvida, até porque as negociações com a entidade não vêm dando certo. O Estado já enviou um volume muito grande de recursos para Bauru, mas os problemas continuam. Vira e mexe, somos surpreendidos com cortes. Nós estamos indignados e cansados com a situação e acho que
chegou a hora de tomarmos uma solução definitiva", desabafou.
Musolino questiona a administração da AHB, mas não sabe definir "o que está acontecendo na realidade".
"Alguma coisa não vai bem por lá. Tenho exemplo de outros hospitais do Interior que sofrem com a baixa tabela do SUS, mas, mesmo com as dificuldades, eles conseguem se manter", comparou, indicando que o problema em Bauru vai além da falta de dinheiro. Segundo ele, aliás, os pagamentos estão sendo feitos rigorosamente em dia, sem falar que a AHB estaria registrando aumento de receita nos últimos quatro meses.
Flávio Baddim Marques informou ao coordenador que o faturamento da associação saltou de R$ 1,5 mi para R$ 1,8 mi, num crescente de 20%. "Isso, sem que houvesse aumento nos atendimentos", estranhou.
Apesar dos questionamentos, Musolino não cogita romper com a mantenedora. Não descarta, entretanto, designar uma equipe de auditoria e supervisão para acompanhar temporariamente as atividades administrativas da entidade. "Em Taubaté, que vive problema semelhante, estamos com uma equipe da Secretaria.
É nesse sentido que o Estado também deverá agir com relação a Bauru, ou seja, enviando uma equipe multidisciplinar para avaliar o trabalho administrativo. Se, por ventura, essa supervisão indicar que há incompetência, tomaremos providências. O certo é que não podemos mais deixar a população refém deste vai-e-vem", disse.
BOXE
Deputado condena críticas
O deputado estadual Pedro Tobias (PDT) condenou ontem as críticas feitas pelos órgãos de Saúde de Bauru - leia-se Secretaria Municipal, DIR-X e Associação Paulista de Medicina - à AHB. "Chega de criticar. Se acham a AHB incompetente, que intervenham. Ninguém quer tocar os hospitais, ninguém quer interferir, mas ninguém também quer ajudar. Ou Estado e Município trabalham junto com a AHB ou determinem outra equipe para administrar. Ficar criticando é fácil, difícil é manter os hospitais com essa verba miserável", disparou.
Tobias defende a municipalização plena da Saúde em Bauru. A solução, opinou, estaria no aumento do repasse de verbas pela União e Estado, que continuam destinando muito aquém do necessário. "As verbas da União não chegam a 10% e o Estado não envia mais do que 4% do orçamento. Nós - bancadas de oposição na Assembléia - apresentamos emenda para obrigar o Estado a elevar as verbas para 10%, mas a situação rejeitou. O governo federal poderia contribuir se repassasse os recursos da CPMF ao invés de destinar o dinheiro para o estrangeiro. Por favor, é hora de se tomar uma atitude firme", clamou.
Como deputado, Tobias alega não poder ir além das cobranças e pressões. "Quem tem a caneta é que pode decidir", indicou, referindo-se ao Poder Executivo. Como legislador, porém, acha que tem condições de criar um movimento em prol das unidades hospitalares de Bauru. Ontem, Tobias anunciou que vai sugerir a realização de uma audiência em Bauru com vários segmentos para tratar a questão definitivamente.