Vidágua denuncia assoreamento e erosões no Córrego Água do Sobrado
Vidágua denuncia assoreamento e erosões no Córrego Água do Sobrado
Texto: Adriana Rota
Um dossiê contendo uma série de estudos sobre o assoreamento e as erosões na região do Córrego Água do Sobrado, realizados pela Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) a pedido do Instituto Ambiental Vidágua, foi entregue ontem ao Ministério Público Federal. A idéia é apurar responsabilidades e iniciar um processo de reversão dos estragos.
Os estudos foram realizados por uma equipe de quatro pessoas, sob a coordenação do geógrafo e mestre em Geociências e Meio Ambiente ligado à AGB, José Aparecido dos Santos, por um período de três meses. Eles constataram que as inundações freqüentes na região da avenida Alfredo Maia, causadas por acúmulo de areia, têm origem na cabeceira do córrego, que fica nas proximidades do Residencial Andorinhas. O Vidágua também já vinha fazendo um monitoramento desde o início do ano no local, e achou por bem ter um parecer técnico do que havia constatado.
De acordo com Rodrigo Agostinho Mendonça, secretário executivo do Vidágua, essa região foi liberada para locação em 1997, criando-se o loteamento Joaquim Guilherme de Oliveira, hoje com cerca de 450 casas. O processo de erosão já existia, mas foi agravado principalmente pela retirada da mata ciliar e hoje chega a 800 metros de comprimento, oito de largura e 12 de profundidade em alguns pontos. Hoje, é um dos maiores e mais preocupantes da cidade.
Para Santos, as medidas paliativas que costumam ser utilizadas para resolver os problemas de erosão em Bauru são ineficazes e desperdiçam dinheiro público. "Jogar entulho, por exemplo, complica ainda mais a situação porque ele pode carregar consigo lixo orgânico que vai contaminar as águas subterrâneas e criar vácuos no solo. Uma alternativa é reciclar esse entulho, criando-se diques de contenção das águas até que haja possibilidade de repor a vegetação da área, criar galerias pluviais, dentre outras medidas. É uma solução barata que pode, inclusive, criar frentes de trabalho", sugeriu.
Outra preocupação dos entrevistados, dentre eles o ex-secretário do Meio Ambiente de Bauru (gestão de Tidei de Lima), biólogo, conselheiro do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e do Vidágua, Clodoaldo Gazeetta, e o presidente do conselho diretor da ONG, geógrafo e advogado, Kláudio Coffani, é a questão social que pode surgir num futuro próximo com a condenação de casas ameaçadas pelas erosões.
O dossiê foi entregue ao Ministério Público Federal, o que pode resultar na instauração de um inquérito para apuração das responsabilidades.