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Josefa Cunha
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Município pode arcar com dívida da Cohab, alerta Parreira

Município pode arcar com dívida da Cohab, alerta Parreira

Texto: Josefa Cunha

O vereador João Parreira de Miranda (PMDB) levantou ontem a possibilidade de o município de Bauru ser obrigado a pagar a dívida de R$ 23 milhões que a Companhia de Habitação Popular (Cohab) tem para com a seguradora Sasse, subsidiária da CEF e responsável pelos seguros das moradias financiadas pela empresa. Ele teme que a Prefeitura, na condição de acionista majoritária da Cohab, seja futuramente executada por conta do débito, o qual considera "impagável".

Na opinião do parlamentar, a Cohab nunca terá condições de quitar o rombo com a seguradora, ainda que o valor em aberto seja renegociado. "A empresa mal consegue cobrir as despesas normais, o que dirá pagar o parcelamento de uma dívida tão grande como essa", calculou. O débito, entretanto, acentua o vereador, será cobrado mais dia menos dia e "acabará nas costas da Prefeitura". "Hora ou outra, alguém vai ter que pagar essa dívida e a Prefeitura, como maior detentora das ações da companhia, certamente acabará responsável. O problema

é que esses R$ 23 milhões representam hoje cerca de 30% do orçamento anual de Bauru, ou seja, seu pagamento inviabilizaria totalmente a administração", conclui.

O acúmulo do débito com a seguradora - além da dívida da Cohab com a CEF - é, na opinião de Parreira, mostra comprovada de que a companhia precisa fechar.

"Podem até achar, mas não estou sendo radical com essa proposta. Estou apenas me adiantando no tempo e sugerindo um meio de proteger o município de um prejuízo impagável. Além do mais, a Cohab deixou há tempos de cumprir sua finalidade", disparou.

Mesmo com a política de enxugamento adotada pelo atual presidente Daltayr Vallim, a Cohab ainda estaria custando muito.

"As despesas administrativas vão além das receitas e o staff, que inclui um presidente, quatro diretores e oito gerências, fica caríssimo. Para saldar esses gastos, a empresa acaba desviando dinheiro e acumulando dívidas em outros setores.

É claro que o dinheiro proveniente dos seguros foi usado para cobrir gastos administrativos, assim como o dinheiro que deveria ter sido repassado à CEF", acusou o peemedebista, que também questiona a parcela das administrações anteriores no rombo. "A dívida com o seguro teria começado na gestão do Celso Martha (no governo Tidei de Lima), mas quanto ele deixou de recolher? Para mim, a grande parcela veio no governo Izzo Filho", assinalou.

Parreira também questionou as conseqüências da dívida do seguro para os mutuários e suspeita da vigência da cobertura com os valores em aberto. Na tarde de ontem, a matriz da Sasse, em Brasília, confirmou o direito dos mutuários ao seguro mesmo com a dívida, mas advertiu que a cobertura é restrita aos casos de danos físicos à moradia. A seguradora informou que o seguro fica represado em caso de morte ou invalidez do titular do financiamento.

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