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Doação de órgãos

Andréia Alevato Ascari
| Tempo de leitura: 5 min

Cai o número de RGs de não doadores de órgãos

Cai o número de RGs de não doadores de órgãos

Texto: Andréia Alevato Ascari

Diminuiu o número de Registros de Identidade (RGs) expedidos pela Seção de Identificação da Delegacia Regional de Bauru. De janeiro a junho deste ano, foram expedidos 6.198 RGs, em Bauru, sendo que 1.948 tiveram a expressão

"Não Doador", o que significa que 31,43% do total. No mesmo período em 98, foram expedidos 6.549 RGs. Deste total, 2.137 (32,63%) com a expressão "Não Doador".

Em 97, entre os meses julho e dezembro, quando a lei n.º 9.434 (sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Para não ser doador, basta constar no RG, ou na CNH ou em outro documento que comprove identidade, a expressão

"não doador") já estava em vigor, a Delegacia Regional expediu, para Bauru e região, 17.169 carteiras de identidade, sendo que 4292 vieram com a expressão, ou seja, 25%. Agosto foi o mês com maior número de RGs expedidos para não doadores de órgãos. Dos 3129 documentos expedidos para Bauru e região, 796 tinham a expressão. No mês anterior, foram 3531 RGs expedidos e 606 com a expressão.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, desde que foi criada a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, em 97, o número de transplantes de alguns órgãos aumentou mais de 80% no Estado de São Paulo.

"A organização da central e a descentralização da captação de órgãos foram responsáveis por esse aumento", afirmou o secretário estadual de Saúde, José da Silva Guedes.

Mas, os pacientes que estão esperando o transplante não acreditam que a lei federal ajudou para que aumentasse o número de doações e transplantes de órgãos.

É o caso de Paulo Ricardo Pereira Lima. Há seis anos ele está esperando por um transplante de rim.

"Depois da lei não mudou nada. Pelo contrário, até assustou mais as pessoas, que ficaram com medo de doar os órgãos, por causa de tráfico e tudo mais", afirmou Paulo Ricardo.

As assistentes sociais da Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec), Giulien Martinez Martinele e Maria Terezinha Pinheiro da Silveira Costa Vieira, disseram que a maior parte dos pacientes se sentem prejudicados com a lei federal.

"Eles reclamam que faltam doadores", comentou Giulien.

Tereza Faifer, nefrologista da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e membro consultivo do São Paulo Interior Transplante (SPIT), informou que a AHB tem 35 pacientes na lista de rins de cadáver, sete pacientes para se inscrever, 10 pacientes que estão em estudo que têm doadores vivos e 63 transplantes foram feitos até agora.

"Nós temos mais pacientes que fazem hemodiálise, mas que ainda não têm idade ou condições clínicas para transplante", completou a médica.

Em Bauru são feitos transplantes de rins e de córneas.

Ela explicou que de acordo com a nova lei foram feitas Organização de Procura de Órgãos (OPO), que são coordenações regionais. Cada uma possui uma fila única, já que o objetivo é captar o órgão o mais perto possível do paciente que está esperando.

"Nossa coordenação central está em Ribeirão Preto e nós também pertencemos a sub-região de Botucatu", disse.

Para a médica, no início, a lei provocou reações negativas, "porque as pessoas se sentiram invadidas no direito de definir o destino do cadáver". Segundo ela, o maior obstáculo encontrado é conseguir captar, selecionar e distribuir os órgãos.

"A coisa é muito mais complica do que parece. Você tem que manter um indivíduo com morte cerebral com pressão, coração batendo, urinando e com todos os exames em dia para quando você conseguir tirar o órgão dele, saber que este órgão não vai transmitir nenhuma doença infecciosa", completou.

Quando há a casos de morte encefálica, a notificação feita à Central de Transplantes é compulsória.

É a Central que avalia as condições de capacitação de outros órgãos (exceto rins e córneas). Os órgãos só são retirados depois do resultado final da artereografia cerebral.

"Não se retira nem uma unha ou fio de cabelo sem esse diagnóstico de morte cerebral dado pelo médico especialista e já assinado no papel, com as avaliações, conforme manda o Conselho Federal de Medicina", concluiu a médica.

Uma corrida contra o tempo

Cada órgão tem um tempo médio de sobrevida entre sua retirada do doador e o transplante no receptor. Esse intervalo varia de acordo com as condições de quem doa e de quem recebe o órgão, mas quanto mais cedo for realizado o transplante, maior a chance de não haver rejeição. Também influem nas condições do órgão, os medicamentos que o doente ingeriu

durante o tratamento antes de vir a ter a morte encefálica.

Os órgãos devem ser retirados ainda com o coração do doador batendo (em caso de morte cerebral).

Aliados

Além de toda equipe médica que faz a captação de órgão ou que espera outras equipes de fora para a retirada de órgãos, há também aliados importantes, segundo Tereza Faifer. São a Polícia Rodoviária, que buscam e levam o órgão, e a TAM, que faz o transporte de sangue e até mesmo de órgãos.

"Dependemos da sociedade para estar agilizando e instrumentalizar a transplantação", contou.

Outra aliada é a Internet. Há vários sites que falam sobre doação de órgãos. Além de tirar dúvidas, alguns até cadastram quem se interessar em fazer a doação.

O endereço www.geocities.com/HotSprings/Villa/1298/porque.html traz depoimentos de pessoas, ou até dos familiares, que precisam ou precisavam de transplantes. E também de pessoas que não conseguiram doar seus órgãos.

Quanto os órgãos podem esperar

* Coração e pulmão: são os que menos tempo podem esperar. O intervalo máximo entre a retirada e a doação não deve exceder quatro horas, mas o ideal é que as duas cirurgias sejam realizadas quase que

ao mesmo tempo.

* Fígado: o órgão resiste até 24 horas fora do organismo.

* Rim: também é bastante resistente, se comparado a outros. A espera pode ser de 24 a 48 horas.

* Pâncreas: como no caso do coração e do pulmão, as cirurgias de retirada e doação, têm de ser feitas quase que simultaneamente.

* Córnea: um dos órgãos mais resistentes. Pode permanecer até sete dias fora do organismo, desde que mantida em líquidos apropriados para sua conservação.

Fonte: http://www.art.com.br/rotary/bemvin.html

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