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Josefa Cunha
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Transferência de funcionários da Novoeste pede intervenção política

Transferência de funcionários da Novoeste pede intervenção política

Texto: Josefa Cunha

Funcionários do setor administrativo da Novoeste deverão ser transferidos para Campinas no próximo mês e clamam, anonimamente, a interferência política para barrar o processo. Além da mudança física, os trabalhadores temem o desmantelamento total da rede férrea em Bauru, que, com a perda da área administrativa, ficaria restrita aos serviços de mecânica e via permanente.

Esta semana, o Jornal da Cidade recebeu ligações de alguns funcionários - nenhum deles quis se identificar

- que estão sob a ameaça da transferência e até de possível demissão. Segundo contaram, o deslocamento para Campinas faz parte do processo de união de incorporação da Novoeste à Ferropasa. Ao todo, são cerca de 70 empregados que podem se ver obrigados a deixar a cidade - ou seja, a residência e provavelmente a família - para cumprir a determinação da empresa.

As especulações internas sobre a mudança cresceram na semana passada com a visita do presidente da Ferropasa, Manoel Lopes, a Bauru. Na ocasião, ele não quis receber a imprensa e se negou a responder algumas perguntas encaminhadas, por escrito, pelo JC. A visita de Lopes teria sido para acertar detalhes da desativação do setor administrativo, mas a empresa não se manifestou sobre o assunto, apesar de procurada pela reportagem.

Até o momento, a única ação política local contra a mudança partiu do vereador Edmundo Albuquerque

(PSDB), que, há mais de um mês, apresentou uma moção de apelo no sentido de impedir as transferências. Os trabalhadores da ferrovia, entretanto, acham que outras lideranças políticas deveriam se mobilizar. "Temos dois deputados por Bauru, ex-deputado ligado ao governo e ninguém se preocupando com a situação. A transferência do setor administrativo, além de prejudicar os funcionários, representa o passo derradeiro para o fim da ferrovia no município. Isso pode ser considerado um retrocesso para uma cidade que sempre foi referência no transporte ferroviário", avaliou um empregado.

Informações extra-oficiais dão conta de que o processo de transferência - com possibilidade de enxugamento de pessoal - é irreversível. Para a Ferropasa, o deslocamento do setor administrativo seria mais viável em termos financeiros e operacionais. Já para Bauru, a perda não traduz quaisquer vantagens, seja no âmbito social, patrimonial e até mesmo financeiro, uma vez que a mudança também inclui a transferência do setor de compras. Em termos de movimento financeiro, seriam cerca de R$ 35 milhões anuais que estariam deixando Bauru e migrando para Campinas.

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