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Protesto de Caminhoneiros

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Caminhoneiros mantêm protesto

Caminhoneiros mantêm protesto

Texto: Marcos Zibordi

Maiores concentrações ocorreram na Rondon perto de São Manuel e Agudos e na SP-225 próximo a Santa Cruz

São Manuel - A rodovia Marechal Rondon, próximo

às cidades de Agudos e São Manuel foi interditada quase que totalmente pelos motoristas que pararam todos os caminhões com carga, perecível ou não, no segundo dia de protesto por melhores condições de trabalho. Na Bauru-Ipaussu, a SP-225, perto de Santa Cruz do Rio Pardo o movimento também ganhou forças e centenas de veículos passaram o dia estacionados. Já na Bauru-Jaú, não foram registrados pontos de concentração.

A maioria concorda com a reivindicação, mas alguns reclamam da forma como ela está sendo feita, principalmente por não poderem terminar a viagem começada. O abastecimento de vários produtos como combustível e gás de cozinha, pode ficar comprometido caso a paralisação se estenda por mais dois dias.

No trevo de São Manuel, Ramão Oliveira, 40 anos, vinha com uma carga de açúcar de Olímpia para Santos. Após viajar mais de 350 quilômetros, ele foi parado ao meio-dia de ontem e não sabia quando poderia seguir viagem. Oliveira reclama que a paralisação deveria ser feita num local que tivesse condições de alimentação e higiene. Ele, no entanto, concorda com o teor da protesto. "Os fretes não compensam, vai todo o dinheiro no combustível e no pedágio".

Nilson Fernandes, 30 anos, também parado em São Manuel por volta de 8 horas da manhã de ontem, vinha com uma carga perecível, de Ribeirão Bonito para Itajaí-SC.

"A carga está correndo perigo porque se estraga, não tem seguro". Fernandes ainda viaja com a esposa e filha de colo e reclama por ter sido parado apesar de estar com a família. Ele também critica o preço dos pedágios e do combustível: "está abusando, aumentando o preço e a quantidade. O cara está pagando para trabalhar com caminhão hoje em dia, ele vai trabalhando porque não tem outra opção".

Samuel da Silva, 45 anos, vinha de Araraquara para Pratânia num caminhão da empresa, sem carga, para prestar socorro mecânico a bomba d'água. "Eu acho que nós vamos ficar aqui até amanhã, sei lá".

Os caminhões interditaram as pistas, só permitindo que carros de passeio atravessassem. Antonio Roberto da Silva, 40 anos, caminhoneiro há 22, vinha do Paraná e aderiu ao movimento em São Manuel. "Pedágio, balança entre eixos, ponto em carteira, manutenção das rodovias", são as reivindicações dos caminhoneiros segundo Silva. "Está todo mundo aderindo, a greve está sendo tranqüila, sem perturbação e sem maiores danos". Segundo ele, "até o presente momento nós não temos dado de que foi perdida alguma carga. Está sendo liberada a carga perecível, ambulância e carro com famílias".

Com a aglomeração na estrada, os postos ao longo da Rondon estão experimentando um movimento acima do normal, faturando muito mais. Os pátios estão lotados de caminhões que preferem parar no posto antes de serem parados no bloqueio.

Segundo os caminhoneiros, o protesto deve continuar até o dia 31. "Se for feito um acordo, senão, continua a greve. Da próxima vez que a gente falar em greve, eles vão fazer acordo antes que aconteça e vão saber do que se trata".

A Polícia Militar Rodoviária, que acompanha a paralisação desde anteontem, diz que está "gerenciando a crise". Segundo os policiais, o movimento está mais concentrado na região de São Manuel, com cinco quilômetros de fila, nos dois sentidos. Nenhum incidente havia sido registrado.

"Nós temos conversado bastante com eles, e vice-versa".

Muitos caminhoneiros reclamam que estão tendo que pagar para trabalhar. Jair Bispo, 46, viaja de Barretos a São Paulo. "De São Paulo a Barretos tem dez pedágios". Ele gasta R$ 220 na viagem, mais R$ 180 de combustível.

"O frete dá R$ 480. Chego em casa com R$ 80".

Ontem, já foi possível encontrar proprietários de estabelecimentos comerciais da região preocupados com o abastecimento de alguns itens. Um de Lençóis Paulista, que preferiu não se identificar, estava procurando alguma estrada secundária por onde pudesse trazer gás de cozinha para vender, já que seu estoque estava no fim. Ele informou também que o gás de cozinha que abastece as cidades ao longo da Rondon (sentido capital-interior), depende de São Manuel, que recebe o produto de Paulínea.

Todos os caminhões de combustível foram parados nos bloqueios. A estratégia do movimento, além de parar os caminhões, se estende para a questão do abastecimento. Se o movimento continuar por mais tempo, a velha frase "Sem caminhão o Brasil pára", deixará de ser uma mera inscrição de placa para se tornar realidade.

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