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Greve de caminhoneiros

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

"Greve" de caminhoneiros prejudica todos os setores

"Greve" de caminhoneiros prejudica todos os setores

Texto: Luciano Augusto

O impacto do protesto dos caminhoneiros no cotidiano da cidade já pôde ser sentido, ontem, em praticamente todos os segmentos. Nos supermercados, por exemplo, não era possível encontrar frutas e alguns legumes. Caso a paralisação não seja encerrada hoje, a situação deverá se complicar ainda mais nos próximos dias, com a falta de combustíveis, gás de cozinha, alimentos, entre outros produtos.

Ontem, os postos de combustíveis de Bauru ainda tinham combustíveis suficientes para o abastecimento de parte do dia de hoje. Mesmo com 60% do abastecimento de combustíveis da cidade sendo feito por via férrea, os donos de postos afirmam que poderá faltar gasolina já na tarde de hoje. Armindo Reghini, proprietário de um Posto Texaco na avenida Rodrigues Alves, afirmou que a demanda diária nos postos Texaco da cidade é de 220 mil litros, transportados, basicamente, por via rodoviária. Como 40 carretas da empresa estão presas nos bloqueios, a companhia alugou um vagão de trem, com capacidade para transportar somente 40 mil litros.

Em outras empresas que também não fazem o transporte de combustíveis por via férrea, o problema é similar. No Auto Posto 13 de Maio, da bandeira BR, a afirmação

é de que hoje já poderá faltar gasolina, caso as carretas da transportadora permaneçam presas no bloqueio.

Nos postos que utilizam a via férrea para o transporte de gasolina e diesel, a situação é menos caótica e o abastecimento está sendo realizado normalmente. Podem surgir problemas se a demanda aumentar além da capacidade de atendimento. Ontem, alguns postos já acusaram um aumento na procura por gasolina. Em relação ao álcool combustível, por enquanto o abastecimento está sob controle, porque a captação é feita nas usinas próximas a Bauru. Os estoques suportam a demanda até sábado.

O estoque de gás de cozinha (GLP), segundo o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Interior de São Paulo, é suficiente até segunda-feira. Por outro lado, o aumento da procura por GLP ontem já era 15% maior que em outros dias. Caso a procura aumente em demasia, poderá haver falta de GLP no final de semana.

Quem foi aos supermercados de Bauru, ontem, teve dificuldades para encontrar alguns produtos, principalmente, frutas e legumes, como batata, cebola e beterraba. Aves e perecíveis como queijos e iogurtes também podem faltar nas prateleiras. Os supermercadistas, que compram estes produtos do entreposto do Ceasa em São Paulo, estão com os caminhões carregados parados no bloqueio próximo a São Manuel. A solução foi recorrer a fornecedores regionais, porque o Ceasa de Bauru também sente a falta de produtos. Com isso, o setor alega que está tendo prejuízos, porque tem que pagar mais caro pelos mesmos produtos.

Nos hospitais, o dia foi tenso ontem. A empresa White Martins, que fornece oxigênio e outros gases medicinais a estas instituições, informou que está com 33% da frota paralisada nas estradas e que isso afetou o abastecimento de gases para os estabelecimentos de saúde.

O gerente de negócios da unidade de Bauru, Márcio Grespan, 40 anos, disse que o abastecimento de oxigênio dos hospitais era suficiente para o consumo de hoje. Isso porque a White Martins trabalha com uma margem de segurança 30% acima do consumo médio.

Nas empresas rodoviárias de transporte de passageiros que fazem a ligação de São Paulo a Bauru, as viagens que, normalmente, são feitas em quatro horas ou, no máximo, quatro horas e meia, ontem estavam demorando até sete horas. No sentido interior capital, as viagens transcorriam normalmente.

Já as empresas aéreas que atuam em Bauru e que fazem o transporte de passageiros e de cargas, até ontem, o movimento era o costumeiro. A exceção, segundo a TAM, foi um aumento no movimento de cargas. Mesmo com a continuidade da paralisação, tanto a TAM quanto a InterBrasil/TransBrasil, não acreditavam em atrasos dos vôos para a região.

O coordenador de tratamento e distribuição da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Luis Antoniazi, 42 anos, lembrou que também os Correios estavam tendo sérios problemas. A saída foi priorizar o transporte aéreo para cargas e correspondências mais urgentes. "A situação

é análoga a do resto do País", completou Antoniazi.

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