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Redação
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Aulas são suspensas e faltam medicamentos em Anhembi

Aulas são suspensas e faltam medicamentos em Anhembi

Anhembi - A cidade de Anhembi, na região de Botucatu, ocupada há uma semana por 1,2 mil famílias de sem-terra, começa a ter problemas sérios. As aulas, iniciadas segunda-feira, foram suspensas ontem por falta de alunos, a assistência médica não é suficiente e não há mais remédios e material hospitar no único centro de Saúde da cidade. Temendo pela segurança, os pais estão retendo os estudantes em casa, até que seja resolvido o destino dos acampados. "Fui procurado por pais aflitos", disse o prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB).

Cunha suspendeu o transporte de alunos da zona rural porque precisou das vans para levar sem-terra doentes ao Hospital Regional de Botucatu. "Nossas duas ambulâncias não estavam dando conta." O prefeito pretende decretar estado de emergência e pedir a reintegração de posse das áreas ocupadas, mas teme represálias dos sem-terra.

Na principal escola da cidade, a E.E."Valentim do Amaral", com 750 alunos, as aulas foram encerradas às 10 horas.

"Estávamos com três ou quatro estudantes por classe", disse a secretária Cleusa Maria Domingues. A vice-diretora Maria do Carmo da Silva Andrade comunicou o problema

à Delegacia de Ensino.

A cidade está ficando também sem atendimento médico. Os estoques de remédios e material hospitalar do único Centro de Saúde esgotaram-se. Os doentes, em sua maioria sem-terra, estão sendo mandados para Botucatu. "Com o acampamento, a demanda triplicou", disse a diretora Maria Cecília Paschoal de Andrade. Mas a estrutura, que mal dava para o atendimento dos moradores locais, permanece a mesma, segundo ela. "O médico plantonista e funcionários não estão agüentando a pressão."

Os acampados já respondem por 70% dos atendimentos de urgência. Entre os pacientes de hoje a diretora teve que mandar para o Regional a sem-terra Marlene Marques, grávida, que tinha hemorragia e chorava de dor. Os moradores da cidade reclamam de discriminação.

"Os sem-terra estão tendo uma atenção que nunca tivemos", disse Luciana Camargo, mãe de dois filhos.

O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais SEm-Terra

(MST), João Paulo Rodrigues, um dos líderes do acampamento, mandou avisar que só sairá da cidade se for destinada outra área para abrigar as famílias. "Se vier ordem de despejo vamos resistir e radicalizar", ameaçou. Uma das hipóteses, segundo ele, será marchar para São Paulo e acampar no Palácio dos Bandeirantes.

"Querem que a gente vá para a Lua ou para Marte?", ironizou.

O prazo que o governador Mário Covas deu para a solução do problema termina amanhã (30). Até hoje não tinha sido encontrada área para acampamento provisório. Cunha está preocupado com a falta de solução.

O ouvidor agrário nacional do Ministério da Política Fundiária, desembargador Gercino José da Silva Filho, esteve hoje em Anhembi e reconheceu o risco de conflitos. Ele terá audiência com o governador Mário Covas e o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo para buscar uma solução. Silva Filho, que estava acompanhado do superintendente estadual adjunto do Incra, Moyzes Schenker, não foi até o acampamento do MST. "Ainda não tenho uma solução para oferecer", justificou.

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