Tucanos retomam o diálogo pró-composição
Tucanos retomam diálogo pró-composição
Texto: Josefa Cunha
A expectativa de racha no processo de renovação do comando municipal do PSDB começa a se dissipar. Embora três grupos distintos já tenham anunciado intenção de participar da disputa em 17 de outubro, os ânimos têm revelado disposição ao "diálogo", que pode ser interpretado como o primeiro sinal de uma composição.
A costura estaria começando entre a bancada dos vereadores tucanos, que representam a chapa "Novo PSDB", e o grupo aliado ao ex-deputado Tuga Angerami, que levanta a bandeira da
"Chapa Tucana". O vereador Edmundo Albuquerque já manteve longa conversa com Tuga e, há poucos dias, esteve almoçando com Paulo Canali e João Lourenço dos Santos Neto, "cabeças" da Chapa Tucana. Tanto Tuga quanto Lourenço Neto acham que a unificação para a escolha da futura direção é imprescindível para garantir, posteriormente, o melhor resultado na convenção que definirá o candidato tucano para concorrer à Prefeitura. "A direção tem que estar representada pelas várias tendências internas. A contemplação de todas as essas forças trará mais tranqüilidade ao partido para decidir os rumos eleitorais", defende Tuga.
O ex-deputado, aliás, condena a disputa antecipada que se instalou. Em sua opinião, "sair atrás" de assinatura para registrar chapa três meses antes da convenção
é uma atitude precipitada e prejudicial ao processo. "Não estou em nenhuma chapa e acho que é muito cedo para isso. Estamos numa fase em que todos deveriam estar conversando com todos ao invés de medir forças. O processo está sendo atropelado e confundido com a futura etapa de escolha do candidato a prefeito. A eleição do diretório está sendo vista como uma prévia da convenção que definirá o candidato. Essa é uma visão equivocada", avaliou o ex-deputado, em comentário endereçado ao vereador Rubens Spíndola, pré-candidato
à Prefeitura assim como Tuga.
Realmente, Spíndola parece não fazer questão de separar um processo do outro. Pelas suas declarações, o enfrentamento com a chapa "tuguista" será o medidor da convenção eleitoral, principalmente porque a chapa dos vereadores teve confirmado o apoio do grupo ligado a Natan Chaves, que, quando transferido para o diretório de Bauru, trouxe consigo 500 novos filiados.
A necessidade da costura entre os grupos, aliás, tornou-se mais latente a partir do anúncio feito por Natan. Foi depois desse fato que surgiu a terceira chapa, batizada de "Voz Ativa" e coordenada por Nélson Fio. Para alguns, a nova via representa o racha do núcleo tuguista, uma vez que Fio vinha caminhando com a Chapa Tucana; para outros, o surgimento da "Voz Ativa" veio apenas para amenizar o desgaste do ex-deputado junto a alguns setores de base.
Considerações à parte, o certo é que as alas tucanas previam inicialmente montar uma chapa única para a renovação do comando. A composição já havia sido pactuada entre os vereadores e o núcleo tuguista sob a condição "sine qua non" de ter Carlos Roberto Ladeira, atual presidente do partido, como o "cabeça". Tudo estaria em harmonia no ninho tucano não fosse a ocorrência de alguns "mal-entendidos" pelo caminho. "Acabou ficando a conotação de que estaríamos lançando uma chapa nossa, mas não era isso", disse João Lourenço dos Santos Neto, sem, contudo, revelar o motivo do rompimento.
Natan Chaves, entretanto, culpa Paulo Canali, Santos Neto e Élio Busch (coordenador regional do PSDB) pelo rompimento do pacto.
"Há cerca de um mês e meio, numa conversa com o João Lourenço e o Canali, ficou acertada uma chapa
única que teria o Ladeira no comando. De repente, ficamos sabendo que eles estavam correndo lista para colher assinatura. A lista não levava o nome dos três, mas soubemos que eles estavam por trás. Ora, quem quer compor, não fica passando lista dessa forma. Foi aí que eu resolvi apoiar os vereadores e levar as chapas para a disputa", justificou. Ladeira, que seria o elo, já disse que está fora da disputa.
A intenção inicial de união das forças tucanas, mesmo que agora divididas, deixa evidente a possibilidade de reconciliação às vésperas da convenção. Nos bastidores, a avaliação é que o PSDB, desde que intencionado a lançar candidato próprio a prefeito, deveria evitar o desgaste interno que certamente virá com a não-composição e direcionar suas preocupações ao processo de sucessão municipal.