Unimed cobra acordo com Seprem e suspende perícias
Unimed cobra acordo com Seprem e suspende perícias
Texto: Josefa Cunha
A Unimed de Bauru está cobrando o cumprimento de um acordo firmado com o Serviço de Previdência dos Municipiários
(Seprem) para o atendimento do funcionalismo público municipal. O presidente da cooperativa médica, Oswaldo Azenha Júnior, disse que o órgão vem desrespeitando deliberadamente o pacto e gerando grande desconforto à Unimed.
Há vários meses, o prefeito Nilson Costa (PPS) e a equipe da Secretaria Municipal de Saúde estiveram reunidos com a Unimed para tratar das dificuldades financeiras que abalam o serviço de assistência aos servidores. Na ocasião, ficou decidida a suspensão das cirurgias eletivas (não urgentes) como forma de reduzir a fatura mensal. O Seprem ficou incumbido de realizar a triagem dos pacientes, encaminhando à Unimed somente os casos emergenciais. Na oportunidade, a Unimed aquiesceu à solicitação da Prefeitura de oferecer, gratuitamente, um serviço de perícia para ratificar a urgência quando houvesse dúvidas.
Azenha Júnior, entretanto, afirma que o Seprem não cumpriu o combinado. "Começamos a receber pacientes portando autorização para cirurgias eletivas, como fimose, unha encravada, varizes, entre outras. Não que os casos não tivessem necessidade da intervenção, mas são problemas que podem esperar. O conceito emergência implica risco de vida", argumentou.
Diante da conduta pouco criteriosa do Seprem, a qual já foi denunciada pelo Sindicato dos Servidores Municipais, a Unimed passou por si própria a rejeitar as cirurgias, na esperança de que o problema fosse momentâneo. A expectativa, porém, não se confirmou e os casos eletivos continuaram sendo encaminhados. Há cerca de 15 dias, Azenha Júnior apresentou formalmente a queixa à Secretaria da Saúde, que garantiu tomar providências. Até ontem, a Unimed não havia sentido mudanças no comportamento. "É ainda muito cedo para avaliar", justificou o presidente.
O problema mais grave da história, entretanto, coloca Azenha Júnior, é o desconforto e o desgaste que a Unimed vem sofrendo ao barrar as cirurgias. "Nós é que estamos arcando com o ônus de recusar os tratamentos. A fama de ruim está caindo em cima da gente e não do Seprem, que ficou responsável pela triagem e exposição das restrições aos pacientes. Se o Seprem continuar deliberando as autorizações sem critérios, a Unimed vai começar a realizar as cirurgias e lançá-las depois na conta que a Prefeitura terá de pagar", avisou.
Vale salientar que a Prefeitura possui dívidas com a Unimed, mas Azenha Júnior preferiu não revelar valores. Segundo ele, os acordos de pagamento estão sendo cumpridos parcialmente e a situação é ainda tolerável.
"Não vamos radicalizar porque entendemos que é preciso colaborar com o município neste momento de reerguimento", assinalou.