Salvador pode ser expulso do PDT
Salvador pode ser expulso do PDT
Texto: Josefa Cunha
O vereador Salvador Afonso está sendo alvo de um processo que pode culminar com sua expulsão do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao qual está filiado há mais de sete anos. O fato ainda é comentado com reserva pela cúpula pedetista de Bauru, mas já se sabe que o pedido partiu de Nélson Redondo, membro da executiva municipal, e foi encaminhado para apreciação da direção estadual do partido.
Pelo que se apurou até o momento, o parlamentar é acusado de ter infringido o estatuto do PDT ao dirigir ofensas a colegas do partido, no caso, Marcelo Borges e Pedro Tobias. A conduta de Salvador foi interpretada como um desrespeito estatutário passível de expulsão, sem contar que o mesmo fato lhe rendeu problemas com a Justiça.
Em um dos vários momentos de desentendimento com a direção municipal, o vereador dirigiu ofensas pessoais a Marcelo Borges, presidente do partido, e a Pedro Tobias, que na época já trabalhava pela candidatura a deputado estadual. O fato levou os ofendidos a entrarem na Justiça com duas ações pleiteando indenização por danos morais, as quais resultaram na condenação do parlamentar. Afonso foi condenado a pagar 200 salários mínimos a Tobias e 30 a Marcelo Borges.
O episódio, dentre outros mal-estares protagonizados por Salvador, voltou à tona num momento estratégico. A cúpula pedetista nunca fez questão de agregar o parlamentar, que, por sua vez, não mostra qualquer preocupação em seguir as linhas do partido. Salvador, inclusive, já se posicionou na Câmara contra as deliberações do partido e provocou muita irritação no processo que antecedeu a cassação de Antonio Izzo Filho. Na época, o vereador se recusou a assinar o manifesto pedetista de apoio à cassação e manteve suspense sobre seu voto até o final do processo - como último votante, ele manifestou-se a favor da cassação, ainda que seu voto não tenha interferido no resultado.
O pedido de expulsão a menos de dois meses do prazo final para o registro dos interessados em disputar as eleições municipais deixa Salvador numa situação difícil. Até 3 de outubro, a direção estadual ainda não deverá ter julgado o pedido. Isso significa que o vereador poderá ficar sem legenda se for expulso depois dessa data. Se tiver intenção de disputar, sem riscos, mais um mandato na Câmara, Salvador terá que abandonar espontaneamente o PDT.
O JC tentou contato ontem com o vereador para ouvi-lo sobre o assunto. Familiares informaram que ele está em viagem no Estado de Tocantins.