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Medicina antroposófica

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 8 min

Antroposofia leva emoção à medicina

Antroposofia leva emoção à medicina

Texto: Adriana Amorim

Adeptos dessa prática consideram que a doença

é uma sequência de fenômenos que aconteceram na vida do paciente

O homem constituído por três partes básicas

- física, emocional e espiritual - compõe a base da Medicina Antroposófica. Prática que chegou ao Brasil na década de 50, ela utiliza os princípios da Antroposofia (ver matéria) como método de tratamento dos pacientes ao tentar aplicar a Medicina do ponto de vista da individualidade.

A Medicina Antroposófica é considerada uma ampliação da Medicina convencional. O médico bauruense José Eduardo Ferraz, explica que os conhecimentos da ciência tradicional são aliados aos preceitos da filosofia antroposófica.

"Fazemos a percepção daquilo que o fenômeno tem por traz", explica o médico.

Na prática, o médico que trabalha com a Medicina Antroposófica analisa não apenas os problemas físicos de uma pessoa doente, mas também todo o seu passado. Ele considera que a doença é uma sequência de fenômenos que aconteceram na vida do paciente. Para a Medicina Antroposófica, a doença aparece como uma forma de reparar os danos do passado que teriam causado desiquíbrio na pessoa. "Ela tenta entender os fenômenos e porquê o paciente está com a doença, levando em consideração uma sequência de fatos que têm relação

íntima com o presente", acrescenta Ferraz.

Desajuste

Esse tipo de prática médica divide a vida em períodos de 7 anos, sendo que cada um possui determinadas características. Qualquer trauma ou desajuste vivido em alguma dessas etapas se reflete futuramente em forma de uma doença. Segundo Ferraz, os medicamentos são utilizados para ajudar o organismo a recuperar o equilíbrio.

Na Medicina Antroposófica, os medicamentos são naturais e obtidos dos três reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. Eles são manipulados por empresas especializadas e dinamizados de acordo com as influências planetárias e do zodíaco. A prática médica pode ser empregada em qualquer tipo de patologia e muitas vezes alia outros tipos de terapia (como a psicológica e a música) aos remédios. Segundo José Eduardo Ferraz, geralmente são necessárias mais de um consulta a fim de que seja possível conhecer o paciente e compreender nas causas da doença.

Médico a 19 anos, Ferraz atua na área há 4 anos. Formado em Medicina em São Paulo e especializado em cirurgias, ele aderiu à Medicina Antroposófica por não concordar com a Medicina tradicional que, segundo ele, não leva em consideração o ser humano como um todo. "Uma prova disso são as especialidades médicas. Cada uma cuida de determinado assunto", explica.

"Foi um escolha surpreendente porque me senti totalmente recompensado", garante.

Terapias e remédios fazem a diferença

Mulheres de uma comunidade que não aceitava a separação de casais apresentavam problemas de hipertensão arterial. O fato de ser infelizes no matrimônio fez com que elas desenvolvessem a doença. Para resolver o problema, o médico não receitou remédios, mas indicou o canto no coral de uma igreja. Esse é o exemplo utilizado pelo pediatra Ricardo Ghelman, mestre em anatomia e professor assistente de embriologia na Universidade do Estado de São Paulo (USP) e membro do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos para exemplificar a atuação da Medicina Antroposófica. A seguir, a entrevista que ele concedeu ao JC pelo telefone.

Jornal da Cidade - A Medina Antroposófica é uma ampliação da Medicina tradicional?

Ricardo Ghelman - É uma ampliação. Para ser um médico antroposófico, é preciso primeiro ser um médico tradicional e depois receber a formação.

Jornal da Cidade - Mas ainda não está regulamentada.

Ghelman - Esse processo de regulamentação se tornou uma preocupação nossa há poucos anos. A primeira geração de médicos antroposóficos se preocupou mais em criar uma experiência brasileira e não em divulgá-la. Mas a Medicina Antroposófica tem 70 anos de vida e na Europa existem várias clínicas que usam essa medicina basicamente, na Alemanha, Suiça e Holanda.

Jornal da Cidade - Qual é a diferença entre a Medicina Antroposófica e a Homeopatia?

Ghelman - A diferença básica é que a Medicina Antroposófica estuda a fisiologia e anatomia do corpo humano ligando o macrocosmos (todo o estudo de astronomia) e o microcosmos (a natureza humana). A Homeopatia tem como base a energia vital, é centrada na medicação. Em termos de terapêutica, o médico antroposófico, usa três tipo de remédios: os homeopáticos, alopáticos e fitoterápicos. Existem também orientações práticas que vão desde uma alimentação ideal até a aplicação de compressas, atividades físicas e terapeutas.

Jornal da Cidade - Quando se fala da espiritualidade na Medicina Antroposófica, o que isso significa?

Ghelman - A gente usa como sinônimo do aspecto espiritual a individualidade. Se você não concebe que o ser humano possui isso, a Medicina deixa de ser espiritualista. Aí ela se torna materialista e considera que a essência do ser humano é o material genético. Para nós, a essência é uma entidade espiritual que dá a nossa identidade e rege o sistema imunológico. A Medicina Antropófica oferece a possibilidade do aumento da imunidade dos pacientes. Na tradicional, apesar de todo o conhecimento tecnológico e o diagnóstico ser muito bom, os medicamentos são imunosupressores (suprimem a imunidade). Isso leva a uma cronificação da doença, e não à cura. Com a Antroposófica nós conseguimos aumentar as defesas da pessoa e torná-las mais saudáveis.

Jornal da Cidade - Você acredita que, a partir do momento em que essa Medicina for reconhecida, vai se tornar mais conhecida?

Ghelman - Com a regulamentação, ela vai entrar na rede pública, inclusive. O atendimento em serviços públicos já vem sendo adotado em Belo Horizonte e Brasília. São projetos pilotos que contêm ambulatórios com acupuntura, Homeopatia e Medicina Antroposófica.

Rudolf Steiner aliou as idéias à Medicina

A utilização da antroposofia na Medicina deve-se ao austríaco Rudolf Steiner. No início do século, alguns médicos passaram a perguntar a ele sobre a possibilidade de que a Medicina fosse compreendida do ponto de vista espiritual, ou seja, que levasse em consideração a individualidade do ser humano. Inicialmente, as conversas tiveram um caráter particular, mas a partir de 1920, Steiner começou a ministrar cursos especificamente para médicos.

Em 1921, a médica Ita Wergman, fundou uma clínica na cidade suíça de Arlesheim. No Brasil, a Medicina Antroposófica chegou na década de 50, só em 82 passou a ser tratada de forma mais sistematizada e ainda não é reconhecida como uma especialidade médica.

Atualmente, a Medicina Antroposófica é praticada em cerca de 30 países. No Brasil, a Associação Brasileira de Medicina Antroposófica reúne os médicos que seguem a prática. A entidade é responsável pelos cursos de formação e aperfeiçoamento.

Os médicos que seguem esse tipo de Medicina têm sua formação convencional, são registrados nos Conselhos Regionais de Medicina e passam por uma formação específica para poder atuar. (AA)

Antroposofia despontou no início do século

A Antroposofia, definida pela Sociedade Antroposófica Brasileira como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, teve início no começo deste século através do austríaco Rudolf Steiner. Ele pregava a busca de harmonia entre aspectos espirituais, criativos, intelectuais e econômicos da vida.

De acordo com Sociedade, a Antroposofia amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional e a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana. Tanto que foi estendida para áreas como a arquitetura, onde as edificações são tratadas como obras de arte funcionais, procurando integra-se com as características do meio ambiente. Está também na agricultura biodinâmica, na pedagogia social e curativa, nos movimentos de renovação econômicos chamados de economia associativa.

A Antroposofia parte da necessidade de compreensão do ser humano para que ele entenda a si próprio e também o universo. Afirma que o universo não é constituído apenas de matéria e energia físicas. Descobre um mundo espiritual estruturado em vários níveis e que pode ser observado com tanta clareza como mundo físico. Para isso, segundo o método, é preciso que sejam desenvolvidos órgãos de percepção que estariam latentes em todos os homens.

A Antroposofia preconiza que a consciência, a auto-consciência, a individualidade e a liberdade devem ser radicalmente preservadas e desenvolvidas. Diz ainda que há uma grandiosa perspectiva para a evolução da Terra e do ser humano, abrangendo todo o passado histórico e pré-histórico.

(AA)

Auxiliar de enfermagem encontra

êxito no método

A auxiliar de enfermagem Sandra Helena Costa, 31 anos, aderiu

à Medicina Antroposófica há dois meses e já percebeu os resultados. Sofrendo de depressão, ela buscou a alternativa para evitar os efeitos colateriais dos medicamentos receitados pela Medicina Alopata.

Sandra iniciou o tratamento com um psiquiatra e passou a tomar remédios. Os medicamentos começaram a prejudicar o estômago. "A psicóloga que eu frequentava me indicou a Medicina Antroposófica", explica. Mesmo sem ter conhecimento sobre o método, a auxiliar de enfermagem procurou um médico seguidor da Antroposofia.

"Ele fez muitas perguntas e explicou como funciona", diz. Ela passou por duas consultas nos dois meses de tratamento e garante que está notando melhoria no seu quadro. Sandra afirma que não pretende voltar à Medicina Alopata por considerar que os seus medicamentos trazem mais problemas que benefícios ao organismo. "Até já indiquei a Antroposofia para outras pessoas". (AA)

Sociedade de Médicos vai promover curso

A Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos vai promover em Bauru, nos dias 13 e 14 de agosto, o curso de

"Introdução à Medicina Orientada pela Antroposofia". As palestras serão ministradas na sede regional da Associação Paulista de Medicina.

No dia 13, às 20 horas, será feita a palestra enfocando doenças atuais, dando uma visão médica sobre aids, diabetes e drogas. No dia 14, a partir das 8h30, será ministrada uma palestra sobre a "Organização Tríplice do Ser Humano", biografia humana e conceito de saúde e doença terapêutica.

O curso é destinado a médicos, farmacêuticos e profissionais de saúde. Contará com a presença do médico Ricardo Ghelman, docente da Universidade do Estado de São Paulo (USP).

Informações pelos telefones 223-0459, 234-3745, 223-9937 ou 224-2873. Outras informações sobre a Medicina Antroposófica podem ser obtidas na Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos, pelo telefone (011) 247-3030.(AA)

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