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Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

PMs de Garça vão para a construção

PMs de Garça vão para construção

Texto: Fábio Grellet

Projeto criado pelo Clube da Terceira Idade teve a adesão dos policiais - que, nas horas de folga, ajudam a construir casas

Garça - Além de cuidar da segurança da população, a Polícia Militar (PM) de Garça começou a colaborar também com projetos sociais do município. Desde o mês passado, em suas horas de folga, os 63 policiais que integram a 4.ª Companhia da PM e atendem a cidade estão colaborando na construção de uma casa, para onde vai se mudar uma família carente da cidade. E a parceria que vem sendo muito bem vista pela população deve continuar, para a construção de outras moradias, sempre atendendo famílias carentes da cidade.

Segundo o tenente Mário Sérgio Nonato, membros do Clube da Terceira Idade de Garça se propuseram a auxiliar famílias carentes, construindo casas para elas. Os valores arrecadados através de atividades beneficentes promovidas pelo clube eram revertidos para a compra de material de construção e contratação de pedreiros. Assim, já foram construídas diversas casas, doadas a famílias carentes escolhidas através do processo de triagem executado com o apoio da Prefeitura de Garça.

O Clube da Terceira Idade é presidido por Adamir de Barros, que também ocupa o cargo de presidente do Conselho de Segurança da Vila Araceli. Recentemente, surgiu o convite para que a Polícia Militar se integrasse ao projeto, colaborando de alguma forma.

Garça - A proposta que ganhou a adesão de todos os policiais foi oferecer mão-de-obra durante a construção da casa, nas horas de folga de cada um. A participação dos policiais é coordenada pelo capitão Wágner Jorge Longano Galeskas, que comanda a 4.ª Companhia da PM

- responsável pelo policiamento de Garça e outras oito cidades.

A nova empreitada do Clube da Terceira Idade é construir uma casa para a família de Eva Ribeiro dos Santos, 39 anos, cujo marido, Cícero Lucas dos Santos, 38, sofreu um derrame cerebral que o impede de trabalhar no corte de cana, atividade que com que se ocupava. O casal tem cinco filhos, entre 11 anos e 1 ano e 6 meses, e se mantém com uma renda mensal de R$ 136, equivalente ao salário mínimo pago através do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A família de Eva se abriga em alguns cômodos situados ao fundo da casa onde mora a família de seu cunhado, no bairro chamado Labianópolis - um dos mais carentes de Garça e atendido pelo Conselho de Segurança da Vila Araceli.

A casa projetada tem cerca de 50 metros quadrados, onde se distribuem quatro cômodos - sala e cozinha conjugados (reunidos numa mesma área), dois quartos e banheiro. A casa está sendo construída nos fundos da casa do cunhado de Eva, onde há um terreno que pertence à família dela. Aliás, conforme o tenente Nonato, ao menos por enquanto essa é uma exigência do projeto: que a família beneficiada seja proprietária do terreno onde a casa será construída.

A cada dia, ao menos um policial (e no máximo dois, porque não há material disponível para ser utilizado por muitas pessoas) comparece ao local onde a casa começa a ser erguida. Recentemente, por exemplo, quando uma equipe do JC esteve no local, estava trabalhando na obra o cabo Flaudemir Guimarães.

Há um pedreiro contratado que, além de "pôr a mão na massa", também orienta os policiais na execução dos serviços. Por isso, os voluntários trabalham no mesmo horário do pedreiro, entre 8 e 17 horas. Integrantes da família beneficiada, quando não impedidos por qualquer problema físico ou falta de tempo, também auxiliam na construção.

Com todo esse esforço, até o final do mês, a casa, que começou a ser construída no final de julho, já deve estar preparada para se tornar o novo lar da família de Eva e Cícero.

E o tenente Nonato já avisa: a parceria deve continuar, para a construção de outras moradias, sempre atendendo famílias carentes da cidade.

Para o tenente, a boa vontade dos policiais demonstra que sempre

é possível ao ser humano colaborar com o próximo. Esse exemplo de solidariedade também serve para criar um clima de familiaridade entre os policiais e os habitantes do bairro que, até então, em geral, só viam os policiais presentes ao lugar quando atendiam alguma ocorrência - à caça de algum criminoso, por exemplo. Outro aspecto que o projeto influencia é a criminalidade: vivendo em condições mais dignas, provavelmente a população carente estará menos propensa a aderir ao crime - às vezes, única forma que observam para conseguir satisfazer mesmo suas necessidades mais básicas.

Neste País em que a miséria já é observada com naturalidade, o exemplo dado pela Polícia Militar deveria ser seguido por outras categorias profissionais - os menos afortunados, certamente, agradeceriam, e os benefícios acabariam por se refletir mesmo sobre a população de maior renda.

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