Headhunter auxilia recolocação no mercado de trabalho
Headhunter auxilia recolocação no mercado de trabalho
Texto: Gustavo Cândido
Há três anos a secretária bilíngue Liliane Scarelli mudou de profissão. Munida da experiência e dos contatos de anos de trabalho em grandes empresas, se tornou uma headhunter - uma caçadora de talentos, que apoia o trabalhador, qualquer que seja a sua atividade, na hora de conseguir um emprego. Isso tudo fazendo uso não só do contato direto com empresários, mas também com outros headhunters, do Brasil e do exterior. Ela conversou com o Jornal da Cidade sobre a profissão e o mercado de trabalho na atualidade.
Jornal da Cidade - O que faz um headhunter?
Liliane Scarelli - É um profissional que canaliza e trata da empregabilidade dos profissionais de uma maneira diferente de uma empresa de recrutamento e seleção.
JC - Como?
Liliane - Ele vai até o empregador, direto ao executivo-mor, sem passar pelo departamento de recursos humanos e tenta vender o talento (profissional interessado em trabalhar). Na verdade eu cuido mais da carreira do profissional do que atendo empregadores. Os headhunters em grandes metrópoles atendem mais executivos, o meu trabalho é em um nível corporativo, ou seja, em todos os níveis de área de atuação, desde uma simples faxineira até um ex-empresário que perdeu tudo e quer voltar ao mercado de trabalho. A gente tem que trabalhar com vários níveis de profissionais, os que estão desempregados, os que estão desestimulados no seu atual emprego e querem mudar de ramo ou empresa, as donas de casa que querem ajudar na receita da família, os recém-formados que querem um lugar no mercado, os aposentados e os teenagers que têm que ajudar os pais. São esses os tipos de pessoa com as quais a gente lida.
JC - Com é esse trabalho na prática?
Liliane - A primeira etapa do processo é a reelaboração do perfil da pessoa de acordo com a área de atuação dela. A abordagem que eu faço visa mostrar para o empregador o que ele deseja ver no profissional, ou seja, sua qualificação, se ele está apto, de uma maneira prática e objetiva. Também oriento como pleitear com espontâneidade, como ver os anúncios de jornal, mostro também tendências de carreira.
JC - Como você reelabora o perfil de uma pessoa?
Liliane - Conversando, vou absorvendo as informações da pessoa, fazendo perguntas, tudo para encorporar seu perfil.
É um trabalho muito diferente.
JC - Você faz perguntas aparentemente comuns mas que dão pistas sobre a personalidade da pessoa?
Liliane - Exatamente, posso captar problemas com ela até pelo olhar. Isso faz parte do trabalho do profissional que tem que conhecer o cliente, o que ele quer, o que está sentindo, o que ele pode fazer enquanto não consegue se recolocar no mercado, tudo. Dá trabalho.
JC - O que vem depois?
Liliane - Daí em diante eu ofereço vários outros produtos: o kit de empregabilidade, que é uma pasta com orientações, back-ups, fotos, tudo para a pessoa poder fazer tudo sozinha se tiver um PC. Quem está procurando emprego deve tratar sua carreira como um verdadeiro negócio e sua qualificação é o seu produto-mor. As pessoas ainda não se situaram nesse aspecto. O que elas precisam é saber negociar e a primeira parte do processo
é a abordagem do perfil.
JC - Como a pessoa deve apresentar o seu perfil?
Liliane - Com os novos padrões, com o perfil bem elaborado, de preferência em uma folha apenas, sem aquela coisa de capa dos currículos antigos. Hoje o selecionador precisa fazer a escolha certa bem rápido.
JC - E os seu outros "produtos"?
Liliane - Dentro desses produtos também está inserida a hospedagem no meu site na Internet e o pacote de canalização no nível nacional e internacional, que é a minha abordagem aos empregadores para que eles conheçam o perfil da pessoa de maneira diferente. No dia-a-dia eu vendo talento a empregadores usando o book digital, eles se interessam e a pessoa participa de processo de seleção da empresa. Analisando custo-benefício, o empregador não tem gasto algum comigo.
JC - Depois que você formula o perfil da pessoa o que acontece?
Liliane - Eu a encorporo no meu banco de talentos e de acordo com os contatos que eu vou fazendo vou prestando atenção para ver se não surge uma oportunidade para ela. Se aparece a oportunidade eu entro em contato com a pessoa na hora. A única coisa que eu oriento é para que ela não fique restrita
à cidade onde vive no momento. A demanda está muito grande e ela deve estar pronta para arriscar.
JC - Há quanto tempo existem os headhunters?
Liliane - Há muito tempo, existem profissionais que estão nessa área há vinte anos. Eu chamo essa profissão de apoio ao trabalhador por que é isso que ele faz. Literalmente o termo significa "caçadores de talentos" mas existem dois tipos de profissionais, os que trabalham para altos executivos e outros que preferem trabalhar com recolocação.
JC - Como as pessoas te encontram?
Liliane - Geralmente por recomendação. A rede de contatos é muito importante nessa área e hoje significa 50% na hora de conseguir um novo emprego.
JC - Com rede de contatos você quer dizer conhecer pessoas nos lugares certos?
Liliane - Conhecer pessoas em geral. Na hora de conseguir um emprego isso conta muito.
JC - A recolocação no mercado de trabalho é demorada, mesmo com a ajuda de um headhunter?
Liliane - Depende, às vezes 2 meses, às vezes um ano. Eu não prometo nada para ninguém, faço o meu trabalho mas não dou falsas esperanças não.
JC - Você é procurada só por pessoas que estão desempregadas ou também por pessoas que têm um emprego mas querem melhorar (ou mudar) de vida?
Liliane - Sou procurada por pessoas que estão empregadas e querem mudar de emprego ou atividade, muitas vezes por não suportar mais a pressão.
JC - Você tem muitos clientes atualmente?
Liliane - Muitos, pessoas de Bauru e de fora. Trabalho em casa mesmo, mas com horário marcado.
JC - Qual o principal problema hoje para voltar ao mercado de trabalho?
Liliane - Faixa etária, o que eu acho um descabimento, porque existem muitos aposentados em potencial que tem disponibilidade para trabalhar, também o estado civil da mulher, uma discriminação com salários, benefícios incorporados.
JC - Você atende pessoas de qualquer profissão?
Liliane - Todas, até técnico de futebol eu já atendi, ator também.
JC - Não existe então profissão que não tenha jeito?
Liliane - Não existe. Muitas vezes a pessoa procura por uma atividade quando tem um talento inexplorado para outra relacionada. Existem alternativas de sobrevivência, às vezes a pessoa pratica um hobby que pode acabar se tornando uma profissão e rendendo bastante.
Serviço
Para entrar em contato com a headhunter Liliane Scarelli o telefone
é (14) 230-6120. Sua homepage na Internet é: http://www.blv.com.br/apoio/.