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Insônia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Insônia atinge um terço da população

Insônia atinge um terço da população

Texto: Sabrina Magalhães

Sono perturbado pode ser indicador de problemas emocionais, psicológicos ou orgânicos

De acordo com o neurologista Alberto Luiz Moura dos Santos, cerca de 36% das pessoas apresentam dificuldade em pegar no sono ou em dormir de forma adequada e por tempo suficiente. Isso significa que aproximadamente um terço da população mundial sofre de insônia, um problema que merece atenção, pois afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo.

"Destes 36%, 27% têm insônia ocasional ou transitória.

É o caso da criança que vai fazer uma prova ou vai participar de seu primeiro campeonato; ou do adulto que tem que apresentar um projeto decisivo no trabalho ou que teve uma briga séria em família. O estresse destas situações pode levar tanto a criança quanto o adulto a perder o sono. Mas passado o problema, eles voltam a dormir normalmente. Existe também uma insônia um pouco mais longa, de curta duração - duas a três semanas. Geralmente

é algo também relacionado ao estresse - uma morte em família, uma dificuldade financeira importante, um emprego novo. Passada essa fase, a pessoa se adapta à nova situação e o sono é restabelecido."

Já nos outros 10% dos insones, a dificuldade para dormir se apresenta de forma crônica, ou seja, todas as noites. Nestes casos, a insônia é resultado de disfunções persistentes - em metade das vezes, por problemas orgânicos.

É o caso da síndrome da apnéia do sono, paradas respiratórias que se manifestam sucessivamente enquanto a pessoa dorme, fazendo-a acordar a todo instante.

A apnéia é resultado da falta de tonicidade dos músculos da língua e garganta em algumas pessoas. Em indivíduos normais, o ar passa livremente pela garganta, mas nos portadores da síndrome, há um relaxamento muscular excessivo durante o sono, de forma que a língua

é sugada para trás junto com o ar, dificultando a passagem deste e fazendo a pessoa roncar. Conforme a inspiração, esta passagem é totalmente bloqueada pela língua e, para voltar a respirar, o cérebro ordena que o corpo desperte para contrair o músculo. Estes despertares podem ocorrer centenas de vezes por noite e nem sempre a pessoa os recorda na manhã seguinte. As apnéias do sono atingem cerca de cinco milhões de brasileiros.

Tremores

"Outra doença que pode perturbar o sono é a síndrome dos movimentos periódicos dos membros. A pessoa apresenta contraturas das pernas e dos braços repetidas vezes durante a noite e acaba acordando. É semelhante

àquele tremor que quase todo mundo tem quando está pegando no sono, chamado 'sleep start'. Só que este é normal. No caso da síndrome, as contraturas são periódicas, ocorrem a cada 30 ou 40 segundos durante a noite inteira. Isso faz com que a pessoa acorde e não consiga pegar no sono de novo."

Fatores psicológicos

A outra metade dos casos de insônia crônica é determinada por distúrbios psicológicos ou psiquiátricos. Entre eles, o estresse, a depressão são os mais comuns. Indivíduos preocupados, com um ritmo de vida acelerado, muitas atividades e responsabilidades tendem a levar todos esses problemas para a cama. Eles sabem que precisam dormir, mas não conseguem se desligar.

Já as psicoses, esquizofrenias e síndromes do pânico, impedem a pessoa de dormir pelo medo. Elas acreditam que vão morrer, que serão atacadas por algo ou alguém, que vão ter pesadelos intermináveis. Em todos estes casos, depois de identificado o problema, deve-se primeiro controlar a doença - com medicamentos e psicoterapia -, para depois tratar a insônia.

Dor

Portadores de reumatismo, fibromialgia, gota, problemas de coluna, enxaqueca, entre outras doenças, também podem apresentar insônia crônica em função da dor, que

é forte e contínua. O mal-estar, somado ao estresse da doença, impedem o relaxamento necessário para o sono.

Necessidade de sono é individual

Não existe uma regra que determine a quantidade de horas adequada para um sono reparador. A necessidade de descanso varia de pessoa para pessoa, conforme seu metabolismo, atividade diária e idade. Os recém-nascidos, por exemplo, precisam dormir 20 horas por dia. As crianças em fase de crescimento necessitam de dez horas de sono. Os adultos dormem entre seis e oito horas. Já os idosos se contentam com apenas cinco, em média.

"Uma das principais dicas para se combater a insônia

é a pessoa aprender a se conhecer, percebendo quais são as suas necessidades e como ela recebe as influências do meio em que vive e trabalha", comenta a psicóloga Hermínia Lopes de Souza. Ela salienta que a pessoa que está habituada a se observar, nota logo uma alteração física, como a insônia. E tem maior facilidade em identificar a causa e trabalhar para eliminá-la.

Para descobrir qual é o tempo ideal para seu sono, basta dormir num quarto silencioso e escuro, onde nada nem ninguém possa lhe interromper. Você vai acordar naturalmente. Aí

é só calcular quantas horas dormiu para saber qual

é a sua necessidade diária de sono. Mas há um detalhe: se acordar com o barulho na rua, o bater de uma porta, a conversa lá fora, o toque do telefone, a contagem desta noite já não vale mais.

E para quem quer uma análise específica e exata, já existe em alguns centros de diagnóstico um aparelhos de polissonografia (radiografia do sono). A pessoa passa uma noite no laboratório e enquanto dorme, aparelhos registram suas ondas elétricas cerebrais, movimentos dos olhos, tensão muscular, ondas elétricas do coração, movimentos respiratórios e oxigenação do sangue. O exame dura cerca de oito horas. A partir dele, monta-se o hipnograma

- um gráfico que mostra a "arquitetura do sono". Este exame permite identificar qualquer problema durante o sono, facilitando a indicação do tratamento para insônia ou outros distúrbios noturnos.

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