Genérico chega, mas depende do médico
Genérico chega, mas depende do médico
Texto: Adriana Amorim
A lei dos remédios genéricos, que deve ser regulamentada hoje, dá ao consumidor a chance de escolher o remédio mais barato. São os médicos, no entanto, os primeiros elos de um cadeia que vai permitir que de fato as regras sejam colocadas em prática.
Para que o consumidor possa escolher o medicamento mais barato,
é preciso que o médico emita uma receita contendo o nome genérico do remédio, ou seja, indique a substância ativa do produto e não a sua marca. Um exemplo: em vez de receitar Aspirina o médico pode prescrever o ácido acetilsalicílico, que é o princípio ativo da Aspirina, mas que também está presente em outros medicamentos com nomes diferentes. Dependendo do laboratório responsável pela fabricação, o produto apresenta uma diferença de mais de 50% nos preços.
Caso o médico receite o remédio pela marca, o farmacêutico não pode sugerir a troca ao consumidor. Para que o paciente consiga ter acesso aos genéricos, é preciso também que eles estejam disponíveis nas farmácias. O gerente da rede Droganova, Afonso Pagani, garante que os estabelecimentos estão preparados para atender o consumidor com um estoque de medicamentos variados.
"Compramos de todos os medicamentos e de vários laboratórios", afirma. Os estabelecimentos da rede manterão um farmacêutico
à disposição em período integral para prestar esclarecimentos. Está à disposição ainda um dicionário de genéricos para consulta dos consumidores.
O farmacêutico de uma das lojas da rede Farmais, José Luiz Caracho, afirma que os estabelecimentos também estão prontos para atender a clientela, mas ressalta que há remédios que não poderão ser trocados por serem exclusividade de apenas um laboratório. "É preciso também que haja fiscalização dos laboratórios para que o preço seja acompanhado pela qualidade dos produtos".
Ressalvas
O presidente da regional da Associação Paulista de Medicina (APM), Carlos Alberto Monte Gobbo, afirma que a idéia da legislação é "irrepreensível", defende a realização de uma campanha para conscientizar os médicos, mas concorda com o farmacêutico: é preciso fiscalização nos laboratórios para que seja garantida a qualidade dos medicamentos, tanto dos mais caros como dos mais baratos. "Como todo o setor de fiscalização no Brasil é furado, faço essa ressalva", acrescenta.
Gobbo argumenta que, em caso de falha de um medicamento comprado pelo nome genérico, o paciente não vai responsabilizar o laboratório que ofereceu o produto com preço mais acessível, mas o médico que passou a receita. Ele acredita que essa ressalva pode fazer com que os médicos se sintam incomodados em prescrever o remédio genérico.
Gobbo critica também a ausência de um órgão ao qual médicos e pacientes possam recorrer caso tenham dúvidas sobre a composição do produto comprado.
"Eu diria que esse é um grande avanço, desde que ofereça acesso para que as dúvidas podem ser tiradas, haja um suporte laboratorial e fiscalização".