Perto de 180 trabalhadores podem perder o emprego na Telefonica
Perto de 180 trabalhadores podem perder o emprego na Telefonica
Texto: Luciano Augusto
Os serviços prestados pela Telefonica (empresa de telefonia fixa que atua em Bauru) através dos números 102
(informações gratuitas) e 104 (solicitação de serviços por telefone) deverão ser transferidos para Campinas. Com isso, perto de 180 funcionários da Telefonica e da Atento (prestadora de serviço para a empresa espanhola), que fazem o atendimento em Bauru, perderão seus empregos.
Um grupo de trabalhadores das duas empresas foi recebido pelo prefeito Nilson Costa, na terça-feira. De acordo com os funcionários, o serviço 102 será desativado no próximo dia 14 de agosto e o 104 no dia 21 de agosto. Eles pedem que o poder público tente mediar a questão, garantindo, pelo menos por mais algum tempo, a permanência do serviço na cidade.
O secretário do Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, afirmou que a Prefeitura está tentando viabilizar o reaproveitamento dos demitidos em outras empresas, também da área de telefonia.
Uma delas é a própria Atento, que já trabalha com a Telefonica, e a outra é a Wolfang Saver Consultoria e Associados, que presta os mesmos serviços pelo 102 e 104 à Embratel.
Estas duas empresas, que atuam na área de telemarketing, estão interessadas em instalar filiais em Bauru e poderiam absorver esta mão-de-obra que está sendo dispensada pela empresa espanhola de telefonia.
Rufino garantiu que já enviou a proposta da cidade com todas as informações sobre os benefícios oferecidos, como redução de impostos, e que aguarda uma resposta para o mês de setembro.
Confirmando a informação divulgada pela assessoria de imprensa da Prefeitura, o secretário disse que está tentando manter contato com a presidência da Telefônica, na tentativa de impedir a demissão dos funcionários.
A assessoria de imprensa da Telefonica em São José do Rio Preto informou que o "call center" (centro de atendimento ao cliente) será centralizado em algumas regiões. No caso da região de Bauru, o serviço será centralizado em Campinas. A Telefonica disse que a data para a desativação ainda não foi definida.
Contrariando a versão dos funcionários, a empresa alegou que não tem nenhuma previsão de demissões. Mesmo assim, a assessoria adiantou que se houver demissões, a Telefonica arcará com todos os direitos dos empregados dispensados.
De acordo com a Telefonica, os funcionários que trabalham nos serviços de atendimento pelos números 102 e 104 deverão ser transferidos para outras cidades, ou, até mesmo, reaproveitados em outros setores da empresa na área de Bauru.
Sobre a possível terceirização dos serviços 102 e 104, a assessoria de imprensa adiantou que existe a possibilidade da Atento abrir "call centers" em outros locais, além de São Paulo. Um destes locais seria a cidade de Campinas,
"mas não existe nada de oficial".
Sintetel
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado de São Paulo (Sintetel) disse que os funcionários que trabalham para a Telefonica estão bastante apreensivos e preocupados com a situação criada na empresa, como os fechamentos e transferências de cidades.
De acordo o diretor do Sintetel, Jorge Luis Xavier, 40 anos, houve uma reunião entre o sindicato e representantes da empresa, em São Paulo, na última semana, onde foi confirmada a data do fechamento dos serviços e da demissão ou transferência dos 176 funcionários que atendem pelos números 102 e 104.
Xavier revelou também que, além da transferência dos serviços, os carros da empresa estão sendo licenciados em São Paulo ao invés de Bauru. Com isso, encolhe mais um pouco a arrecadação de impostos do município com a Telefonica.
A área de atendimento interno dos funcionários (CCR) também foi transferida há cerca de 15 dias para São José do Rio Preto. Os 15 funcionários que faziam o atendimento estão sem trabalhar, aguardando uma definição da empresa.
Outro ponto destacado pelo sindicalista foi o fechamento de postos e lojas, como o do posto de atendimento da Telefonica na quadra quatro da rua Primeiro de Agosto. "Não sabemos se vai ser uma loja, um posto ou se também será fechado", disse Xavier.