Geral

Produtores rurais

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Produtores participam de protesto

Produtores participam de protesto

Texto: Paulo Toledo

Cerca de 150 caminhões e outros veículos de produtores rurais da região de Bauru devem participar da protesto dos produtores rurais, que começou, ontem, no Rio Grande do Sul e deve terminar no dia 16 de agosto em Brasília, onde mais de 10 mil agricultores deverão participar de um ato para aprovação da lei que renegocia as dívidas agrícolas em 20 anos e concede desconto. Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB), destaca a proposta aprovada no Congresso dá um desconto de 40% nas dívidas agrícolas, que são estimadas entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.

Porém, destaca o vice-presidente da Faesp, o desconto não

é puro e simples. Será concedido ao longo do período de 20 anos (após quatro de carência depois das negociações). Os juros são de 3% ao ano e englobam todos os tipos de produtores. O projeto foi aprovado, quarta-feira, pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e será votado no dia 17 de agosto.

Do protesto em Brasília, nos dias 16 e 17, devem participar produtores de todo o Brasil. Entre 2 mil e 3 mil caminhões

(conduções) devem participar do protesto que está previsto para chegar à Capital federal no dia 15 de agosto.

Lima Verde acredita que o projeto poderá ser aprovado, já que, além da Bancada Ruralista, a oposição deve votar favoravelmente. O líder ruralista diz, no entanto, que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá, até, vetar a lei, dependendo do que ocorrer.

No entanto, defende Lima Verde, essa negociação

é fundamental para o futuro da produção agrícola brasileira. De acordo com ele, se a lei não passar, o governo vai ter que acabar fazendo renegociações e prorrogações de contratos de tempos em tempos, o que gera muito desgaste. Os produtores, segundo o líder ruralista, não têm condições de pagar as dívidas agora. "A realidade, colocando bem objetivamente, é que, sendo ou não normatizada essa negociação, não vai se pagar, pois não há dinheiro para isso. No passado, foi só prorrogado. Não adianta falar que vai dar mais recursos", destacou.

Lima Verde diz que o desconto na dívida vai depender de uma série de contrapartidas, que impedem que esses produtores de levar vantagem, como o impedimento de sair da atividade enquanto a dívida não estiver quitada integralmente. Além disso, será estabelecido um índice de produtividade a ser cumprido e, até, um compromisso de se aumentar a produção de grãos do Brasil para um número acima de 100 milhões de toneladas. Esse número pode até ser questionado, pois não há como armazenar uma safra deste tamanho com a atual estrutura do País.

O vice-presidente da Faesp disse que estão endividados os produtores rurais mais ativos. Segundo ele, os que não devem têm recursos vindos de outras atividades. Além disso, analisa, a margem de lucro dos produtos agrícolas, nos últimos 10 anos, não permite o pagamento de dívidas passadas.

Lima Verde afirma que a grande virtude dessa lei, se passar, é que vai permitir aos produtores rurais adquirirem novos financiamentos para a produção, o que hoje não é possível a muitos em razão das dívidas acumuladas nos últimos anos. "Tivemos uma grande luta para conseguir dinheiro para a colheita do café. Foram liberados R$ 150 milhões. Desse total, R$ 60 milhões foram devolvidos, pois não foi possível emprestar a um grande número de cafeicultores em razão das restrições de crédito. A atual situação é uma fonte de vícios", afirmou.

Para o vice-presidente da Faesp, o que se está fazendo não é um calote das dívidas, mas uma forma de se organizar o setor agrícola. Se isso não ocorrer, definitivamente, a situação tende a piorar.

Comentários

Comentários