Comissão estadual do PT impugna 104 filiados
Comissão estadual do PT impugna 104 filiados
Texto: Josefa Cunha
A comissão estadual petista formada para analisar as recentes filiações apresentadas pelo vereador José Carlos Batata decidiu impugnar 104 das 392 novas fichas. A invalidação seguiu critérios estabelecidos pelos próprios membros da comissão, respeitando preceitos do Regimento Interno do PT. O resultado, entretanto, pode mudar e atingir um número menor de filiados.
No trabalho de análise, os membros da comissão estadual detectaram diversas falhas técnicas, invalidando uma ficha que apresentava nome de duas pessoas, três de filiados menores de 14 anos, quatro sem a assinatura do filiado na frente e outras 20 sem assinatura no verso, 32 fichas faltando título de eleitor e 44 apresentando divergência entre a assinatura constante na frente e a no verso.
Na deliberação de sexta-feira, a comissão decidiu ainda checar a regularidade das 288 fichas restantes, já que a executiva municipal do partido acusou falhas na maioria dos endereços fornecidos. Foi atribuída
à Organização do Diretório Regional a missão de enviar correspondências a todos os não impugnados no intuito de confirmar os endereços. Aquelas que retornassem - por dados errados ou inexistentes - teriam seus respectivos titulares impugnados automaticamente. Roque Ferreira, membro da executiva municipal e opositor de Batata, disse que a maioria das 288 fichas que "sobraram" está incompleta, o que significaria o total desmantelamento do grupo recém-chegado para apoiar Batata na renovação da direção municipal.
O parlamentar, porém, garantiu que o risco de perder os filiados está fora de cogitação. Segundo ele, a Executiva Nacional do PT decidiu ontem afrouxar algumas regras do processo, aceitando, por exemplo, fichas com apenas uma assinatura ou com endereços incompletos. Pela deliberação da nacional petista, os núcleos responsáveis pelas filiações terão cinco dias, após devida notificação, para regularizar as pendências e confirmar a validade das fichas.
Das 104 impugnações, Batata tem a expectativa de reverter pelo menos 60. "Nós concordamos com a anulação das filiações dos menores de 14 anos, que somam três, e com a daquelas que não constam o número do título de eleitor, num total de 32. As demais, nós esperamos confirmar, já que a executiva nacional abriu o espaço. Temos esperança de conseguir até mesmo as 44 fichas que apresentam assinaturas divergentes. Esses 44 filiados serão ouvidos pela comissão estadual para confirmar a correção da assinatura e a intenção de militar no partido", disse. "Quanto às demais 288 fichas que estão com o endereço incompleto, a maioria faltando o CEP, vamos completar e torná-las válidas dentro do prazo concedido pela nacional. A previsão é ratificar 312 das 392 filiações feitas pelo nosso núcleo", completou.
As filiações apresentadas por Batata e seus apoiadores vêm rendendo polêmica desde o início de julho. Dias após terem sido registradas, o diretório municipal recebeu um pedido impugnação feito por Tristan Dierckx, membro da executiva municipal. No requerimento, ele questionou o método empregado para as filiações e a validade do núcleo de Batata, denominado "Nossa Tendência
é o PT".
Em nível municipal, as 392 fichas foram impugnadas, sem qualquer manifestação contrária do vereador. Batata, que não reconhece o poder do comando petista local, interpôs recurso diretamente à direção estadual, que acabou anulando a decisão do PT de Bauru e constituindo comissão para analisar as filiações. A direção municipal apresentou recurso à executiva nacional contra as deliberações da estadual, mas, segundo o próprio Roque Ferreira, não há perspectivas de mudanças. "A tendência da nacional
é manter a decisão da estadual. Lá, deveremos conseguir quatro votos a nosso favor e cinco contra", previu.
Se os recém-filiados forem confirmados no partido, Batata e seu grupo têm grandes chances de conseguir o comando municipal do partido nas eleições marcadas para setembro. Todos os que ingressaram, com exceção dos que foram ou vierem a ser impugnados, terão direito a voto nas convenções, o que, a priori, indica o predomínio do núcleo ligado ao vereador.