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Redação
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Crise política soma nove atentados

Crise política soma nove atentados

As denúncias de corrupção geraram, no período, nove atentados contra vereadores e um jornalista em Bauru

O atentado da última segunda-feira contra o jornalista Nélson Gonçalves, a terceira ocorrência registrada em inquéritos policiais em nove meses, soma oito fatos consumados com conotação de crime político na cidade de Bauru, além de um não realizado, caracterizando o período mais grave e conturbado da história política da cidade que acaba de completar 103 anos. Todos os episódios anteriores aconteceram em meio à crise política

que envolveu a gestão do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, que cumpre prisão preventiva na Cadeia Pública por decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJ), exatamente por ser acusado de mandante nos episódios que antecederam sua saída e retorno à Prefeitura, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano.

Os atentados foram realizados a partir das semanas que sucederam a cassação do mandato do prefeito Antonio Izzo Filho

(PPB), ocorrida em 27 de agosto de 1998. Os fatos tiveram continuidade após o retorno provisório de Izzo ao cargo, em 4 de dezembro de 1998. Izzo Filho está afastado do cargo por duas cassações realizadas pela Câmara Municipal e uma decisão liminar da Justiça. O ex-prefeito responde por ações de improbidade administrativa, peculato, corrupção, propina, extorsão e denunciação caluniosa.

O primeiro atentado foi na residência do vereador Erlon Junqueira. Conforme o inquérito policial, a autoria deste crime é assumida por Nivaldo Aparecido Silva, ex- cargo de confiança de Izzo na Regional Administrativa do Mary Dota. Ele confessou a autoria mas alegou "bronca" contra Erlon Junqueira. Nivaldo diz que jogou a bomba incendiária e realizou o serviço com a ajuda de um mototaxista. Nivaldo também está preso temporariamente.

O segundo atentado foi na casa do vereador Roberto Relvas, que foi relator da primeira Comissão Processante contra Izzo Filho. Da mesma forma como foi feito na residência de Erlon Junqueira foi realizado, alguns dias depois, nas casas do então presidente da Câmara, Luiz Carlos Valle e do então relator da Comissão Processante (CP) que cassou Izzo, vereador Roberto Relvas. Mudam as autorias desses atentados. No depoimento, Alexandre Humberto confessa que foi contratado para jogar as bombas e que o elaborador do plano, o segurança Roberto Carlos Thomaz, não quis levá-lo até as residências de Valle e Relvas no dia dos crimes. Assim, foi pago pelo serviço de um mototaxista. A moto vermelha, Honda NX foi identificada pela DIG-Garra. Foram jogadas duas bombas incendiárias na casa de Valle e outras duas na casa de Relvas. As descrições bateram com as informações e perícias obtidas pela Polícia Civil. Alexandre diz que jogou as bombas. Djalma confirma a descrição dada aos atentados, que somaram três, até então.

Na sequência, a vítima de bomba incendiária foi contra a residência do vereador Rubens Spíndola

(PSDB), presidente da segunda Comissão Processante contra Izzo Filho, que estava em fase final de apuração na Câmara Municipal, na época. A polícia passava a investigar o quarto atentado. Seguindo a estratégia dos serviços contratados anteriormente, foi utilizada bomba caseira. A Polícia Civil teve a confirmação dada por Djalma e Alexandre do processo de preparação de algumas bombas caseiras. A bomba na casa de Spíndola produziu estragos em um veículo de sua propriedade que estava na garagem.

A partir de então, os atentados começaram a ganhar proporções ainda mais graves. A próxima vítima foi Lucrécio Jacques (PPB), desta vez através de tiros contra o veículo de sua assessora, Josete Dias Pereira. Pela primeira vez foi dispensado o serviço de um mototaxi. O segurança Djalma Duarte Gonzaga dirigiu um Gol branco até a frente da residência da assessora do vereador Jacques, acompanhado do contratado Alexandre Humberto. Foram realizados cinco disparos com um revólver Taurus, calibre 38, com cabo reforçado. Os disparos atingiram a lateral do Fiesta, perfurando a lataria e quebrando vidros. A arma foi apreendida pela DIG-Garra.

Os depoimentos apontaram que a mesma arma foi utilizada para o atentado criminoso contra o veículo do técnico de som, Luiz Carlos Castro. A contratação foi feita nos mesmos moldes dos casos anteriores, sendo que Alexandre Humberto também esteve presente.

A versão para o atentado contra o Mitsubishi Eclipse, vermelho, de propriedade de Luiz Carlos Castro, é o de que Izzo Filho teria ficado insatisfeito ao obter informações que o técnico de som, em certa reunião realizada no gabinete da Prefeitura, teria gravado conversa com o então prefeito, na presença do ex-chefe de gabinete de Izzo, Antonio Aparecido Belarmino. O carro de Castro levou quatro tiros quando estava estacionado em frente à residência de sua namorada, no centro da cidade. Nos depoimentos é identificada a mesma arma utilizada para os disparos no carro da assessora de Jacques.

Na mesma noite, dois dos que estão presos ainda confirmaram ao delegado J.J. Cardia que foram até a esquina do Jornal da Cidade. A ordem era para atingir as pernas do jornalista Nélson Gonçalves. O pedreiro Alexandre Humberto diz que não realizou o serviço porque pressentiu seguranças na portaria do jornal. O atentado não foi realizado na

época, mas os contratados disseram que receberam pelo serviço, conforme o combinado. Ainda teve a tentativa de incêndio contra o escritório do advogado Sérgio Mangialardo, que coordenou a denúncia de extorsão por parte da ECCB, contra Izzo Filho. A denúncia levou ao bloqueio dos bens e ao afastamento do ex-prefeito do cargo.

Seis presos, nove atentados

Com o atentado da última segunda-feira, então, somaram-se nove, sendo o último ainda em investigação pela Polícia Civil, que trabalha com a hipótese de vingança política contra o repórter. Entre os presos nos casos anteriores estão os seguranças Djalma Duarte Gonzaga e Roberto Carlos Thomaz, o contratado Alexandre Humberto Ramos, o ex-funcionário Nivaldo Aparecido Silva, o mototaxista Fábio Souza Fernandes e Lourival Dadamus.

Dois dos profissionais do Jornal da Cidade vinham sofrendo, na época, ameaças anônimas, há várias semanas: o gerente de produtos editorias João Elias Jabbour e o repórter de política Nélson Gonçalves. Os profissionais passaram a identificar, a partir do início das ameaças, de onde partiam as intimidações. Depois da primeira quinzena de dezembro de 98, tanto Jabbour quanto Nélson tinham informações de que sofreriam algum tipo de ação. A confirmação veio depois que o diagramador Carlos Gustavo Dyonísio de Souza teve os vidros quebrados de sua Parati, quatro portas, prata. Novamente, a redação recebeu telefonemas indicando que o alvo foi errado: as vítimas seriam os carros de Nélson Gonçalves e João Jabbour.

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