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Transporte coletivo

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 6 min

Emdurb ganha com mudança nos circulares

Emdurb ganha com mudança nos circulares

Texto: Adriana Amorim

A reestruturação do sistema viário que teve início no começo do mês passado com a retirada de dezenas de ônibus de circulação já surtiu efeitos positivos. Pelo menos é que o afirma a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que registrou uma queda do déficit da Câmara de Compensação Tarifária.

A receita obtida na primeira quinzena deste mês foi de R$ 1.250.992,00, o que significa que 1.563.740 pessoas usaram o transporte coletivo. O custo chegou a R$ 1.289.080,00, resultando em um déficit de R$ 38.088,00. Segundo o presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, essa diferença chegou atingir cerca de R$ 100 mil.

Mesmo assim, os números ainda não são muito animadores. "Eles mostram que a passagem hoje custa para nós R$ 0,82 centavos, custa mais do que nós estamos cobrando", afirma. Ele quer dizer que esse seria o valor necessário para que houvesse equilíbrio entre receita e despesas. "Se não conseguirmos no mínimo empatar, teremos que aumentar a passagem", afirma.

Para que não seja necessário aumentar o valor da tarifa, a Emdurb diz que a reestruturação do transporte coletivo vai continuar. Isso significa que mais ônibus podem ser retirados de circulação ou haver remanejamento de carros e linhas. Madureira argumenta que Bauru possui uma quantidade muito grande ônibus em relação a municípios do mesmo porte enquanto o número de passageiros vem caindo.

O presidente da Emdurb garante, no entanto, que as mudanças que serão feitas seguirão critérios rigorosos para que não haja prejuízo na qualidade do serviço prestado. "Não vamos tirar uma quantidade de carros grande sob o pretexto de não aumentar o valor da passagem", afirma. "Mas é claro que as pessoas estranham porque estão acostumadas a ter uma frota inchada".

Ele diz que é possível que alguns carros sejam colocados novamente em circulação aos finais de semana e feriados caso haja bom desempenho da frota durante os outros dias da semana. Segundo ele, estão sendo realizadas análises constantes para verificar a necessidade de adequação ou não em algumas linhas, mas que o pequeno volume de reclamações que chegam à Emdurb comprovam que a população não está sendo prejudicada.

Madureira garante que a intenção do prefeito Nilson Costa e da Emdurb é de manter o preço da tarifa, mas as empresas de ônibus já apresentaram pedidos informais de aumento do valor devido aos reajustes do preço dos combustíveis.

Usuários afirmam que perdem com mudanças

Enquanto a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) comemora os resultados da reestruturação do sistema viário, muitos usuários estão descontentes com a nova situação. Para eles, as mudanças são sinônimo de mais tempo nos pontos de ônibus e veículos lotados.

A maior reclamação é em relação

à alteração do final de semana. Cento e doze

ônibus foram tirados de circulação, o que resultou em um intervalo maior entre os carros da mesma linha e dificuldades de locomoção no período noturno, uma vez que muitos veículos passaram a ser recolhidos mais cedo.

O pedreiro Alcides dos Santos, morador do Parque Real, passou a andar a pé vários quilômetros no domingo

à noite por falta de ônibus com destino ao seu bairro. Ele diz que vai à igreja com a família no centro da cidade e precisa pegar um ônibus com que vai a um bairro próximo ao seu. "Antes havia carros que iam até o Parque Real, mas agora temos que parar bem antes e andar a pé", garante.

As filhas da comerciante Inês Sebastião, que mora no Núcleo Edson Francisco da Silva, estão tendo que ficar em casa nos finais de semana. "Elas não têm como sair porque os ônibus param de circular muito cedo", explica.

O aposentado Antonio Horne está revoltado. "São eles que aceitam as coisas de forma errada para depois corrigir e a gente pagar por tudo isso", afirma. Ele diz que a reestruturação

é viável desde que não prejudique a população e que as mudanças levem em consideração a opinião dos usuários.

"Ficou uma porcaria", resume a camareira Maria Cristina de Oliveira. Ela explica que precisa ficar mais tempo esperando pelo ônibus que vai para a Vila Guaggio e que já chegou a levar advertência do patrão por chegar atrasada no emprego.(AA)

O QUE MUDOU NO TRANSPORTE

10/07: Foram tirados de circulação 30% da frota que trafegava aos sábados, domingos e feriados. Ao todo, 112 ônibus saíram das ruas.

07/08 : Foram canceladas as linhas Geisel-Rodoviária, Cemitério Redentor-Avenida Pedro de Toledo e Jardim Europa-Parque Jaraguá/Rua Quatro. As linhas Jardim Nicéia-Centro e Unip/Makro-Centro tornaram-se uma só. Houve modificação nos horários das linhas Leão 13-Higienópolis, Gerson França/Vânia-Duque/Cerejeiras, Granja Ito-Samambaia, Jardim Estoril-Popular Ipiranga/Via Independência, Jardim Estoril-Jardim Ouro Verde, Distrito 1-Centro e Vila Garcia-Centro.

16/08 : Foram cancelados os carros extras com destino a

Águas Virtuosas e extinta a linha Vila Santista-Higienópolis. As tabelas de horários das linhas Alto Alegre-Duque/Cerejeiras e Gerson França/Vila Maria-Duque/Cerejeiras. A linha Jardim Mendonça/Jardim Chapadão-Jardim Estoril passou a operar com acréscimo de horário no período de aulas.

21/08 : A linha Jardim Europa-Granja Ito terá seu itinerário alterado, passando a trafegar pelas ruas Alto Acre, Santos Dumont, Alto Juruá, Aniceto Abelha, Marieta França, Rui Barbosa e Francisco Alves.

28/08 : Foram alterados o itinerário e a tabela de horários da linha Tangarás/Duque de Caxias-Centro. A linha será prolongada até a rua José Rodrigues Cordeiro, passando pela Flávio Aredes Lopes, Milton Dias de Carvalho, Pedro Paulo Chaves, Elvira Quedas de Oliveira e Luciano Marcelino.

Fonte: Emdurb

Relvas pretende acionar a Justiça contra Emdurb

O vereador Luiz Roberto Relvas (PDT) pretende acionar a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) judicialmente caso não sejam tomadas providências em relação ao transporte coletivo. Ele diz que pedirá, na semana que vem, que a Justiça interfira na reestruturação do sistema viário, que na sua opinião não foi realizada da forma correta.

"Eu não sei como deveria ser feita essa reestruturação. O povo é que precisa falar sobre isso e não técnicos", afirma o vereador. Ele diz que tem recebido constantemente reclamações dos usuários do transporte coletivo e no último final de semana fez pessoalmente a constatação.

O problema, segundo ele, é que o número menor de linhas provoca a lotação e faz as pessoas esperarem por muito tempo no ponto de ônibus. "Ao contrário do que se pensa, tem muita gente que trabalha aos sábados e está encontrando dificuldades porque não tem outras alternativa de locomoção", argumenta. O vereador diz que vai acrescentar como argumento perante a Justiça a frase inscrita nos ônibus do transporte coletivo: "transporte: dever do governo e direito do povo". (AA)

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