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Violência nas escolas

Ieda Rodrigues
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Edinéia quer dar mais abertura para alunos

Edinéa quer dar mais abertura para alunos

Texto: Ieda Rodrigues

A dirigente regional de ensino Edinéa Sita Cucci acha que uma das possibilidades de reduzir a violência nas escolas de Bauru é dar mais poder de decisão aos alunos, para que eles decidam e ajudem a desenvolver, por exemplo, projetos extracurriculares. Ontem, ela visitou a escola estadual Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão, onde, na terça-feira, o aluno da 8.ª série D.R.P.F., 14 anos, esfaqueou a sua professora porque ela teria o repreendido, um dia antes, por não fazer as atividades em sala de aula.

Por sorte, os golpes atingiram a professora de raspão. Edinéa disse que, dando mais abertura aos alunos, espera que eles se envolvam mais nos projetos e, assim, a violência diminua. A dirigente de ensino lamentou o fato ocorrido na escola Luiz Castanho e ressaltou que o aluno agressor estudava no estabelecimento há pouco tempo e, portanto, não teve a oportunidade de participar dos projetos antiviolência e antidrogas desenvolvidos na unidade.

Edinéa disse que, na terça-feira, esteve reunida na Secretaria de Educação discutindo justamente o que é possível ser feito para reduzir e evitar a violência e drogas nas escolas. É consenso, de acordo com a dirigente de ensino, que os projetos devem ser na linha dos desenvolvidos nas escolas de Bauru, como o "Juventude Contra o Crime", Programa de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), distribuição de cartilhas e palestras, como prevê o projeto "OAB vai às escolas", ensino religioso, entre outros, que visam envolver os alunos e atrair a comunidade para a escola.

No entanto, conforme analisa a dirigente de ensino, os alunos precisam se interessar, ajuda a fazer esses projetos, para que haja resultado. Para exemplificar, ela citou casos de pichações em muros de escolas que, apesar de campanhas internas, continuam ocorrendo. No entanto, quando os próprios alunos pintam um desenho no muro, as pichações cessam.

Ainda sobre violência, Edinéa entende que, com a crise financeira, a sociedade está mais violenta, o que se estende às escolas. Para ela, o investimento em educação precisa ser aumentado. "Temos cerca de 81 mil presos no País, com cada um custando R$ 700,00 por mês, enquanto são investidos apenas R$ 700,00 por ano por aluno", disse. Além de aumentar investimento, a dirigente de ensino, é preciso acreditar na educação como formadora de pessoas competentes e solidárias.

A dirigente de ensino lamentou a agressão ocorrida na escola Luiz Castanho e contou que o fato abalou os professores. Em 1997, um aluno foi assassinado por um menor na porta dessa escola. "É claro que a gente não queria que isso ocorresse em escola nenhuma, mas lamentamos ter acontecido na Luiz Castanho porque a escola vem desenvolvendo vários e bons projetos para mudar a imagem negativa que ficou com a morte do aluno", disse.

A professora agredida, segundo Edinéa, está de licença saúde e, como já pediu a aposentadoria, pode não voltar a dar aulas. A dirigente de ensino disse que a atitude do aluno agressor será analisada pelo Conselho de Escola, que poderá decidir pela transferência compulsória do aluno. No entanto, conforme explicou, a transferência compulsória não é solução porque o aluno-problema irá para outra escola.

Hoje, estará reunido o Conselho da Diretoria de Ensino e a proposta de Edinéa é definir normas para os alunos-problema. Uma das propostas pode ser noticiar o Conselho Tutelar e o Ministério Público sobre casos de alunos que não se adaptam nas escolas e apresentem problemas de comportamento.

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