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Saúde pública

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras implanta planejamento familiar

Pederneiras implanta planejamento familiar

Texto: Fábio Grellet

Programa municipal oferece orientações ao público que procura informação sobre as formas de evitar filhos

Pederneiras - Em meio à polêmica causada pela crítica do ministro José Serra ao fato da Xuxa ter engravidado sem se casar (e os reflexos que esse exemplo supostamente causa entre os adolescentes que ainda têm a apresentadora como ídolo), o que não se pode negar é a falta de orientação sexual a que está submetida a população carente do País. Para tentar amenizar esse problema, a Prefeitura de Pederneiras implantou um programa de planejamento familiar, através do qual oferece informações ao público que procura orientação sobre as formas de evitar filhos. Ao final do processo de conscientização, se o casal considerar conveniente e autorizar formalmente, o marido ou a esposa é submetida, gratuitamente, a uma intervenção cirúrgica que impeça ter novos filhos (vasectomia, para os homens, ou laqueadura, para as mulheres).

O programa atende a exigência de uma lei federal que equipara o planejamento familiar a um direito de todo cidadão. A elaboração do projeto coube aos Departamentos de Saúde, dirigido por Affonso Viviani Júnior, e de Ação Social, dirigido por Paulo Zanotto. Há oito profissionais diretamente envolvidos nele: um auxiliar de enfermagem, um médico urologista e três ginecologistas, além da psicóloga Giovana Placidelli Severino e das assistentes sociais Wanderléia Pagã e Maria Cristina Belmonte Gabriel.

O projeto começou a ser elaborado há cerca de dois meses, e está sendo efetivamente aplicado há aproximadamente um mês. Seu objetivo é atender casais (não apenas a esposa), informando a eles sobre os métodos para evitar filhos. Em algumas etapas, o atendimento é individual, mas também há discussões em grupo, durante as quais são discutidos em conjunto os problemas e as dúvidas do público participante. Apesar do programa ser destinado especialmente aos casais, todos que quiserem receber alguma orientação sexual serão atendidos e eventualmente integrados ao programa.

O casal (ou qualquer de seus componentes) interessado em participar do projeto deve ir até o Centro de Atendimento à Mulher, que funciona no Centro Municipal de Atendimento (Cema) da cidade, onde será marcada uma data para que um médica avalie as condições de saúde do casal. Após essa avaliação, que é individual, os casais são reunidos para uma reunião com a psicóloga e as assistentes sociais responsáveis pelo projeto. Na ocasião, são expostos sinteticamente os métodos anticoncepcionais e cada casal é informado sobre o transcorrer do projeto. Em seguida, ocorrem palestras dos médicos, que vão oferecer detalhes sobre cada método anticoncepcional

(suas indicações e eventuais riscos, por exemplo). Cada grupo de participantes deve ser reunido cerca de quatro vezes, para discutir as conveniências de cada método e esclarecer outras dúvidas referentes à vida sexual. Caso seja constatada essa necessidade, será oferecido, ainda, atendimento individual.

Se o casal optar por um método anticoncepcional que exija intervenção cirúrgica (vasectomia ou laqueadura), esta só será autorizada depois de transcorridos dois meses do início da participação daquele casal no projeto. O casal também precisa ter no mínimo dois filhos e ser maior de 25 anos de idade. Essas são exigências estipuladas através de lei federal. Se todos os requisitos forem atendidos, basta ao casal assinar um termo de consentimento e a cirurgia é realizada, gratuitamente, custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Caso sejam escolhidos outros métodos anticoncepcionais, o casal também vai receber gratuitamente os medicamentos necessários (inclusive pílulas anticoncepcionais ou camisinhas, por exemplo).

Os responsáveis pelo projeto alertam: seu objetivo não

é promover uma esterilização em massa, mas apenas esclarecer a população sobre as formas de evitar filhos e informá-la que o custo de cada método pode ser pago pelo governo.

A primeira turma a ser atendida é composta por 15 casais, todos com idade superior a 25 anos. Como o contato dos profissionais com os participantes é bastante recente, ainda não foi possível fazer uma avaliação sobre os benefícios que o projeto proporciona. Mas alguns deles são evidentes: a orientação sobre métodos anticoncepcionais evita que as famílias cresçam a ponto de fazer com que os pais não consigam mais sustentá-las, evita o crescimento populacional desenfreado, que traz custos também à administração pública, e legaliza a aplicação dos métodos anticoncepcionais, evitando que uma gravidez indesejada termine em aborto feito às escondidas, sem as condições necessárias para evitar danos à saúde da mulher.

Segundo a expectativa das assistentes sociais, a principal dificuldade no contato com os pacientes talvez seja o tabu que ainda envolve a discussão da sexualidade e pode deixar parte dos casais menos à vontade do que seria conveniente, ao debater o tema. Outras dificuldades devem ser tornar a linguagem médica acessível à população, durante a exposição sobre os métodos anticoncepcionais, e evitar a laqueadura, que é a técnica mais comum entre a população carente e aquela que, por ser mais difundida, tende a se tornar a opção habitual entre os casais.

Entre os casais que participam da primeira edição do projeto, todos têm em comum o desejo de não ter outros filhos, decisão com a qual os respectivos maridos concordam. Mas nem todas já conhecem e usam algum método anticoncepcional. Agora, recebendo a orientação necessária sobre o tema, poderão desfrutar de sua sexualidade com maior tranquilidade e planejar melhor sua própria vida.

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