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Ludoterapia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Arte e brincadeira

Arte e brincadeira

Texto: Gustavo Cândido

Desenhar, pintar, fazer uma escultura, por mais simples que seja, não é apenas colocar para fora uma habilidade manual, é também uma maneira de expressar sentimentos e mostrar o que está se passando no seu interior. Da mesma forma brincar não é só uma maneira que as crianças têm para passar o tempo e se divertirem. A Arteterapia e a Ludoterapia explicam porque e mostram como podem ser úteis para o desenvolvimento saudável de uma criança.

Quando uma pessoa faz um desenho, ou coloca a sua criatividade na produção de alguma coisa, mostra também o seu estado de espírito, o que está se passando com ela no interior. Para olhos leigos muitas vezes isso não fica evidente e pode até passar despercebido. Para as psicólogas Mayra Rocha Vollet, Taísa Borges de Souza e Dirce Haneda, que trabalham com a Arteterapia, um instrumento de investigação e elaboração terapêutica através da arte, um simples desenho pode dizer muito mais. Especializadas no tratamento de crianças (com alguma deficiência ou não), elas usam a técnica como "elo de comunicação", para descobrir o que está se passando com a criança que ela não diz. Da mesma forma também é usada a Ludoterapia, uma técnica que faz uso de materiais lúdicos para levar a criança a vivência de conflitos presentes através do brincar. "Não importa se é em crianças tidas como normais ou crianças com alguma deficiência, é importante usar o brincar para entrar em contato com alguns conflitos emocionais e dificuldades da criança em reconhecer seus próprios sentimentos", diz Mayra Vollet, "a gente usa o brincar para estar encenando uma coisa que a criança não vivenciou tanto".

A utilização de brinquedos, jogos, arte ou música, cria um ambiente para a criança se manifestar sem perceber.

"A agressividade, por exemplo, no ambiente lúdico ela pode colocar isso para fora, ou fazendo um desenho violento, uma brincadeira ou socando um pedaço de argila que era para fazer uma escultura", explica Taísa de Souza. Nessa hora o papel do terapeuta é ver o que ela sentindo e mostrando a ela os sentimentos que está vivenciando para que ela possa entender seus próprios conflitos.

Quando a criança não tem um ambiente onde pode colocar para fora o que está sentindo, acaba levando seus medos e sua baixa auto-estima para lugares onde pode externar isso tudo. Esse lugar geralmente é a escola e a vítima desses sentimentos guardados, muito provavelmente vai ser o coleguinha do lado.

Como qualquer outra matéria

As psicólogas afirmam que as escolas hoje em dia, dão muito pouca importância para a arte e a criatividade da criança e dão ênfase especial para as matérias tradicionais como Português e Matemática. "É claro que essas matérias são importantes, mas brincar e desenvolver dotes artísticos também é. A criança adquire coordenação motora, tranqüilidade, capacidade de concentração, coisas que são fundamentais para que ela possa aprender Matemática com mais facilidade, por exemplo", diz Taísa de Souza.

"A Ludoterapia e a Arteterapia vão estar trabalhando estes dois lados, o interno e o externo, o estado emocional e a coordenação motora, porque a arte já tem essa função de relaxamento. Por exemplo a pintura, quando a pessoa está direcionando a atenção para uma atividade definida, como a pintura ou o desenho, ela libera a respiração e isso acalma. Ela deixa de perceber o mundo e só percebe o que está fazendo", completa Mayra Vollet. No Centrinho, onde desenvolviam um trabalho com deficientes auditivos, as psicólogas notaram uma melhora no comportamento, na coordenação motora e na ansiedade das crianças, que diminuiu.

Em casa

Da mesma maneira os pais devem liberar e estimular nos filhos as brincadeiras e o uso de expressões artísticas

(quaisquer) para que eles estejam sempre "colocando para fora" o que sentem. Isso deve se aplicar com mais intensidade se a criança viver em um ambiente fechado, sem muito contato com outras pessoas. "Hoje é muito comum que os pais encontrem 1500 cursos para os filhos fazerem e a criança acaba ficando sem tempo para brincar", lembra Taísa de Souza, "os pais devem ter noção de que o brincar é importante. Desenhar é tão importante quanto estudar Português, porque trabalha com áreas de raciocínio abstrato, com a criação, e isso é fundamental".

É importante também que os pais não reajam de uma maneira negativa aos trabalhos e formas de expressão dos filhos. Um pai que vê o desenho do filho e despreza está contribuindo para que ele fique mais inseguro e com uma baixa auto-estima, o que não vai ajudar em nada no seu desenvolvimento.

Embora trabalhem com crianças as psicólogas ressaltam que a Arteterapia pode ser aplicada para pessoas de qualquer idade e sexo. Com crianças é possível começar um trabalho a partir dos três anos.

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