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Qualidade do andar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Sapatos devem ter salto de até 2 cm

Sapatos devem ter salto de até 2 cm

Texto: Sabrina Magalhães

Tênis mais modernos se adaptam com perfeição

às mais diferentes atividades esportivas

A escolha do sapato é fundamental para a saúde dos pés e a qualidade do andar. De acordo com o ortopedista Leonardo Barbi, o calçado ideal para o dia-a-dia deve ter salto de aproximadamente dois centímetros e solado rígido. E principalmente, precisa ser confortável. "O calçado ideal é aquele que acompanha a forma da planta do pé; que permite que a distribuição do peso na sola do pé seja uniforme, para não sobrecarregar nenhuma das partes específicas dele; é aquele que permite uma troca de passo espontânea, natural e sem dor."

O médico destaca que, ao contrário do que se pensa, os sapatos devem ter solado bem rígido. Isso porque os calçados muito flexíveis, que se adaptam às alterações e irregularidades do solo, submetem a planta do pé a constantes alterações, o que causa dor no fim do dia.

Quanto ao salto, ele explica que pessoas que usam saltos com mais de três centímetros jogam muito o peso do corpo para a parte da frente do pé e acabam tendo dor embaixo dos artelhos (ossos dos dedos), o que recebe o nome de metatarsalgia. Ao contrário, quem usa sapatos planos, principalmente quando associados a solados flexíveis, têm dor no calcanhar e geralmente desenvolvem bursites ou fascites, que são inflamações por sobrecarga.

"Então, mulheres principalmente, que usam saltos altos constantemente por estética ou necessidade profissional, devem usá-los só nesta situação e não o dia inteiro. Logicamente, estas observações são ainda mais importantes para pessoas que estão acima do peso, porque é maior a sobrecarga e maior a dor."

Esportes

O ortopedista destaca também que a escolha do sapato é extremamente importante para pessoas que praticam esportes. Ele comenta que é muito comum pacientes relatarem dor após uma caminhada ou cooper em terrenos irregulares. "A pessoa pode não sentir nada durante a atividade, mas depois de algumas horas. É tanto o desnível, que ela desenvolve sinovites (processos inflamatórios). As incessantes mudanças da planta do pé vão sobrecarregando os tendões, as articulações e no dia seguinte ela está com o pé dolorido, tem que usar uma tala e até antiinflamatórios." E reitera: a orientação vale mesmo para quem faz atividades em academias, usando aparelhos, como a esteira.

Se o calçado é muito importante para a qualidade do esforço físico, o tênis é uma excelente opção, na opinião do ortopedista: "Já há tênis produzidos mais recentemente para quem faz atividades esportivas do tipo caminhada, cooper, que respeitam a orientação ortopédica, têm a parte de trás já com uma elevação de dois centímetros, alguns até com amortecedores. Não precisa ser expert. Basta lembrar que tem que ter salto de dois centímetros e que a parte da frente do calçado não pode ser muito apertada. Você tem que sentir que toda a sola do pé está apoiada, não só a parte da frente e de trás, mas o meio do pé também tem que estar em contato com o solo".

Calos são alarmes

Os especialistas advertem que as calosidades não devem ser desprezadas, pois tal qual a dor, indicam que os pés estão sendo sacrificados naquele ponto. Os calos são espessamentos da pele por um atrito ou compressão. Podem ser causados pelo uso de sapatos apertados ou de bico fino. A pele recebe pressão do osso e do couro do sapato, "engrossando", para aliviar a dor. Essas "capas" podem aparecer na parte da frente da sola do pé de pessoas que usam saltos muito altos. Ou sob o calcanhar daqueles que abusam dos sapatos baixos. A pessoa pode até procurar o dermatologista e tirar o calo, mas se não eliminar a situação que o está provocando, evidentemente, ele volta.

"Quando aparecem calos na sola do pé, no calcanhar ou nas laterais, é porque existe uma distribuição anormal de carga e pode indicar alteração na forma do pé ou na maneira de andar. A pessoa pode conviver com a calosidade enquanto não sente dor. Mas com o tempo, ela passa a ser sintomática, porque a sobrecarga acaba afetando a musculatura. Quando dói, tem que se procurar orientação", comenta Leonardo Barbi.

E o também ortopedista Ary Souza acrescenta: "As calosidades são o que realmente importa. As deformidades, o joanete. E nisso o calçado tem muita importância. Sapatos de bico fino favorecem a formação de joanetes, saltos altos favorecem o aparecimento do esporão, porque encurtam o tendão calcâneo (Achilles). No caso do joanete, a cirurgia é necessária. Não pela estética, mas para aliviar a dor. Algumas pessoas têm que fazer um buraco no sapato por causa do joanete. A calosidade mostra que alguma coisa não está funcionando bem, você está forçando o pé. É preciso investigar o porquê".

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