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Prevenção do câncer

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 6 min

Unimed e SBU fazem campanha de prevenção do câncer de próstata

Unimed e SBU criam campanha para prevenir doenças de próstata

Texto: Adriana Rota

As enfermidades das próstata, uma glândula exclusiva do sexo masculino, matam cerca de 7 mil brasileiros por ano. Esse número, impreciso, pode ser ainda maior. Por isso, a seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) está realizando um trabalho de educação sobre o tema. Em Bauru, uma parceria com a Unimed-Cooperativa de Trabalho Médico local, apoiada pela empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim, desencadeou uma campanha que teve início ontem, com uma palestra do presidente da entidade.

A idéia dos organizadores é levar ao maior número possível de pessoas o esclarecimento sobre a necessidade de prevenir os problemas da próstata. O câncer na glândula, por exemplo, já é o terceira maior causa de mortes por tumores malignos no País (na região sudeste, a primeira). Junte-se a isso o fato de que a população está envelhecendo e as doenças prostáticas incidem mais nessa faixa da vida.

Dados do Instituto Nacional do Câncer dão conta de que no Brasil são 7 mil por ano as vítimas das doenças de próstata. Nos Estados Unidos, são registradas 40 mil mortes e o aparecimento de 300 mil novos casos anualmente. No Brasil não existem estatísticas precisas, fato preocupante na opinião do presidente da SBU, professor da Faculdade de Medicina do ABC e chefe da Unidade de Transplante Renal do Instituto Dante Pazanessi, Eric R. Wroclawski, 46 anos.

Ele salientou a importância de o Governo brasileiro buscar uma estruturação para barrar o avanço das doenças desse gênero, de modo a evitar gastos exorbitantes no futuro e proporcionar um envelhecimento de mais qualidade.

"O Brasil sempre foi um país de população muito jovem, por isso, nunca houve grande preocupação com as doenças que acompanham a idade avançada. Em países com população proporcionalmente mais velha que a nossa, como a França e a Bélgica, 1% de toda a verba da Saúde é destinada a esse assunto.

É preciso começarmos a pensar numa otimização dos gastos", apontou.

O tema da palestra que o especialista proferiu a partir das 20 horas de ontem na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), aberta ao público em geral, foi "Impacto Social das Doenças da Próstata no Final do Século". Segundo ele, o foco deve-se à implicação social das doenças da próstata, que podem não matar em todas as situações, mas alteram a qualidade de vida do paciente, embora hoje existam medicamentos com propriedades minimamente invasivas para o organismo.

Wroclawski falou, ainda, sobre as possíveis causas das doenças prostáticas, que incluiriam fatores genéticos, ambientais e raciais. "Sabe-se que a ocorrência de câncer de próstata em um parente do primeiro grau

(pai ou irmão) aumenta duas vezes a chance de também desenvolver a doença. Se a incidência for em dois parentes, esse número sobe para cinco vezes. Estudos revelam, ainda, que os asiáticos têm menos câncer de próstata. Aqueles que migraram para os Estados Unidos há algum tempo, no entanto, passaram a ser acometidos na mesma proporção dos nativos. Outra constatação é que os brancos americanos têm 15 a 20% menos chance de desenvolver a doença em comparação aos negros do País. A impressão

é de que esse fato não se repete no Brasil, talvez pela origem diferenciada ou pela quantidade de mulatos, que dificulta a divisão exata das raças".

Sobre possíveis alternativas de alimentação para o combate de problemas prostáticos, o especialista afirmou que existem controvérsias a respeito, como no caso do tomate, rico numa substância chamada licopeno que exerceria um papel de proteção da glândula. "Há quem aponte uma relação entre o consumo de gordura animal e a incidência da doença, ou o tempo de exposição ao sol. Mas essas são suposições".

Para a equipe de Medicina Preventiva da Unimed e o presidente da SBU, a imprensa tem sido um meio importante de divulgação, mas as companheiras dos homens na faixa dos 45 a 50 anos são as maiores responsáveis pelas visitas aos médicos. Isso porque elas têm o hábito das consultas periódicas, e acabam cobrando e incentivando os maridos, namorados ou companheiros a fazer o mesmo. Ainda assim, permanece o tabu sobre o exame para detecção de problemas na próstata, que consiste na introdução do dedo no ânus do paciente para que, através da apalpação, sejam diagnosticadas eventuais doenças. "Não existe conotação sexual nisso", frisaram.

Wroclawski disse acreditar que as parcerias são o melhor caminho para o trabalho de conscientização da população. No caso da Unimed, o "namoro" acabou gerando um relacionamento sólido, que não se limitou à palestra. De acordo com o presidente da cooperativa, Osvaldo R. Azenha Junior, 45 anos, os conveniados vão receber em casa avisos constantes sobre a importância dos exames de prevenção da doença, bem como já vem sendo feito através do projeto de Medicina Preventiva mantido pela Unimed. "Nós não queremos somente vender planos de saúde (que, na verdade, são planos de doença). É claro que acreditamos que esse trabalho gera uma redução de custos, mas temos uma grande preocupação social, com o bem-estar das pessoas", salientou.

Os problemas mais comuns

A próstata localiza-se atrás da púbis, circundando totalmente a uretra em sua primeira porção, junto

à bexiga. Não tem participação alguma no processo de ereção como muitos acreditam, mas atua na continência urinária e na reprodução. Produz uma secreção que protege os espermatozóides, além de servir como veículo facilitador para eles no momento da ejaculação.

As doenças mais comuns da próstata são a prostatite, a hiperplasia prostática benigna (HPB) e o câncer. A primeira constitui uma inflamação, que pode acometer o homem em qualquer idade. Pode ser de origem bacteriana (infecciosa) ou não bacteriana (sem infecção). Em geral, as manifestações clínicas são semelhantes, resultando em dor, desconforto na região localizada entre o ânus e a genitália (perineal) ou na base do pênis e, ocasionalmente, ardor ao ejacular e sangue no esperma.

A HPB é um crescimento benigno da próstata, sem qualquer característica cancerosa. Devido à posição que a glândula ocupa, há obstrução do fluxo urinário que pode causar, por exemplo, hesitação no início da micção, jato urinário fraco e interrompido, gotejamento exagerado ao final da micção e aumento na vontade de urinar. Podem ocorrer sintomas irritativos como urgência para urinar e incontinência. Raramente há dor. Ter HPB não significa, obrigatoriamente, necessidade de tratamento.

A doença mais preocupante por seu caráter silencioso

é o câncer de próstata. Ele é mais freqüente no homem acima de 50 anos e é uma das maiores causas de morte entre portadores de doenças malignas. Pode manifestar-se similarmente à HPB. Sua avaliação faz-se através do toque retal combinado com um exame de sangue que avalia a dosagem do chamado antígeno prostático específico. O exame de ultrassonografia pode complementar esse processo (mas nunca substitui-lo). Se tratado logo no início, as chances de sucesso no tratamento aumentam, podendo chegar à cura. Não cuidado, o câncer pode sofrer o processo de metástase, atingindo outros órgãos.

Fonte: "Doenças da Próstata" - folheto produzido pela SBU-SP

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