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Luciano Augusto
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região é tida como nova fonte de investimentos no Estado

Região é tida como a nova fonte de investimentos no Estado

Texto: Luciano Augusto

"Os empresários de fora estão vendo Bauru como a nova fonte de investimento do Estado". Com essa afirmação, o presidente do Centro das Indústrias da Construção Civil do Centro-oeste Paulista (Cincoesp), Mário Cotrim Sartor, definiu as potencialidades da região para a captação de novos investimentos no setor da construção civil.

Durante entrevista coletiva, ontem pela manhã, para a abertura do "Encontro Regional da Indústria Imobiliária: produção e mercado", organizado pelo Cincoesp, regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo

(Secovi-SP) e Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Sartor explicou que, "como em todo o Estado, a região está iniciando um novo processo de desenvolvimento". Em contrapartida, fortes regiões captadoras de recurso no Estado, como o Vale do Paraíba, estão tendo uma tendência de "congestionamento do desenvolvimento".

Encontros como o realizado ontem, segundo ele, servem para a união de forças de toda a classe empresarial da construção civil, do setor imobiliário e, inclusive, do setor público da região para a captação de recursos vindos, até mesmo, do exterior.

Já José Regino Júnior, diretor regional do SindusCon-SP, argumentou que o nível de construções em andamento só não é maior porque "a região tem sofrido muito diante da falta de investimentos dos Governos, tanto em nível estadual quanto municipal e federal". Há também escassez de financiamento para o setor imobiliário.

De acordo com os levantamentos que formam os números do construbusiness, o setor de construção civil no Centro-oeste paulista é responsável por 5% de todo o emprego estadual, gerando mais de 18 mil vagas diretas. Em todo o Brasil, o construbusiness gera 13,5 milhões de emprego.

Com todos estes números favoráveis, num momento em que um dos problemas mais graves do País é o desemprego, Regino Junior aposta que o setor é capaz, por exemplo, de captar uma mão-de-obra não tão especializada e, imediatamente, recoloca-la no mercado de trabalho atuando na construção civil. "Está sendo muito discutida a qualificação da mão-de-obra para se atingir o Qualihab (certificado de qualidade na habitação) e outros programas existentes", complementou o representante do SindusCon-SP.

Justamente a importância da construção civil na economia do País foi o primeiro ponto a ser discutido no encontro do setor, como geração de emprego, déficit habitacional, entre outras questões. A segunda parte será discutido o setor imobiliário, com experiências de todas as regionais do Estado. Como adiantou, "os problemas atuais localizados na nossa região circularão numa carta de todo o Estado".

Um destes "problemas", segundo Regino Junior, é que o empresariado atualmente não estão mais tão motivados a procurar financiamentos através do sistema financeiro de habitação (SFH). O setor está procurando novas idéias, através de auto-financiamento por exemplo, e também qualificando sua mão-de-obra para uma produtividade maior.

Confirmando o forte potencial da grande região de Bauru, o vice-presidente para o interior do Estado do Secovi-SP, Frederico Marcondes, afirmou que pesquisas apontam que a cidade de São Paulo, por exemplo, teve um crescimento negativo de 0,4%. Já o Interior do Estado de 0,3%. "Percebemos que o crescimento ocorre em todo o Interior paulista, principalmente nestes grandes centros, como a região de Bauru, Campinas e Vale do Paraíba, que estão alavancando o progresso do Estado", comemorou Marcondes.

Por outro lado, o representante do Secovi-SP para o Interior criticou

"o distanciamento do Governo Federal" na liberação de recursos para habitação, tanto popular quanto de classe média. Como esclareceu, até 92 a Caixa Econômica Federal (CEF) foi o grande órgão financiador do sistema. Depois, passou por um período esquecida e está voltando de uma forma muito seletiva. "Os recursos estão vindo direto do comprador final", aponta Marcondes.

Como avisa, o empresariado tem uma série de reservas quanto

à esse sistema de financiamento, porque perde-se a economia de escala, com a falta de recursos que poderiam ser usados na produção. Frederico Marcondes cita um exemplo: "é como se o BNDES financiasse o comprador de uma geladeira para que este levasse o recurso até a empresa. Tem que ser o caminho inverso. Financia a empresa e ela financia o comprador comum".

Como um outro braço organizador do evento, a Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), na figura de sua presidente, Wania Porto, avaliou que o crescimento do setor tem sido grande, principalmente com a união entre Cincoesp e SindusCon.

Para o futuro próximo, os projetos vão de encontro

à incrementação das construções,

"com os corretores fazendo o jogo de compra e venda".

Palestrantes

Destacando ainda mais a programação do "Encontro Regional da Indústria da Indústria Imobiliária: produção e mercado", o Jornal da Cidade conversou com dois palestrantes do evento: Sérgio Vieira Araújo, com o tema marketing e pesquisa, e Luis Nelson, da Trevisan Associados, sobre Construbusiness.

Sérgio Vieira Araújo destacou que atualmente o empresário deve estar cada vez mais preocupados em encontrar as expectativas, necessidades e aspirações do consumidor. É preciso, segundo ele, "procurar identificar o produto que mais se ajusta à ele, em termos de tamanho, características, materiais e acabamentos". Para tanto, o instrumento mais viável é a pesquisa usada largamente por outros setores e, mais recentemente, pelo mercado imobiliário.

De acordo com ele, para trabalhar mais sob medida e adequar a construção às necessidades de mercado, o empresariado precisa dominar as ferramentas de marketing, "para que seja inovador e que saia da vala comum".

Araújo reconhece que o empresário do Interior já se atentou à essa nova característica do mercado.

"Nos últimos anos, temos visto bastantes modificações, as cidades se verticalizando, a questão da segurança agregada nos condomínios fechados; são inovações que certamente deveremos incorporar", concluiu.

Luis Nelson, da Trevisan Associados tratou do Construbusiness, cadeia de produção que concentra desde a construção até os serviços agregados.

Como já foi dito, o setor responde por 15% de toda a produção nacional, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. De acordo com Nelson, a indústria da construção civil é quase 10 vezes maior que, por exemplo, o complexo da indústria automobilística. Também é o setor que mais emprega diretamente, cerca de 4 milhões de brasileiros. "A indústria automobilística emprega 500 mil".

Também é um setor que usa quase que 98% de produtos domésticos, destinando-se ao mercado interno. Hoje, ressalta Nelson, "como sabemos que o grande problema do País

é o desemprego, quer dizer, qualquer ajuda é mais do que bem vinda".

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