DAE estuda reajuste em tarifas
DAE estuda reajuste em tarifas
Texto: Paulo Toledo
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) está finalizando estudos para realização de um reajuste de tarifas que possibilite à autarquia recompor sua capacidade de investimento na rede de água e esgoto de Bauru. Flávio Uchoa, 43 anos, presidente do DAE, afirma que a tarifa é a mesma desde agosto de 97 e, com isso, o superavit do caixa está em apenas entre 2% e 2,5%, considerados insuficientes para os investimento, já que, historicamente, o índice considerado ideal é 15%.
Uchoa disse que os estudos para atualização tarifária já estão sendo realizados há dois meses. Ele afirma que a intenção é fazer uma análise séria e aprofundada, baseada em critérios técnicos. Para isso, está sendo realizada uma pesquisa sobre a formação de tarifas, de acordo com as mais modernas técnicas existentes no mercado.
O presidente da autarquia destacou que a intenção
é adotar uma tarifa que não cause um grande impacto para a população, uma vez que há um quadro de desemprego no País a ser considerado e "uma compressão de renda terrível". Para ele, esse é o desafio.
"Até outubro pretendemos apresentar uma proposta ao prefeito Nilson Costa (PPS). Porém, essa proposta será com muita sensibilidade social. Não vamos estabelecer uma tarifa que, ao invés do aumento de receita, possa nos trazer um aumento de inadimplência", afirmou.
Uchoa disse que várias propostas estão sendo analisadas, entre as quais uma que aumenta as classes de consumidores e outra que amplia a faixa da tarifa social, que hoje beneficia quem tem consumo de até cinco metros cúbicos de água por mês.
Outra novidade interessante pode ser a criação de uma tarifa específica para a indústria, pois a atual formatação, considera o presidente do DAE, onera muito a produção. "Talvez, poderemos criar uma classe de consumo para poder público. Pois, o que acontece? Temos uma inadimplência muito grande por parte do Governo do Estado, eles não pagam. Não adianta. Se tiver uma tarifa diferenciada para o poder público, talvez volte a pagar", destacou.
Os estudos do DAE podem privilegiar, ainda, as entidades filantrópicas, estabelecendo uma tarifa "que seja um incentivo para que paguem sua contas".
Flávio Uchoa diz que o superavit entre 2% e 2,5% não sustenta as necessidades de investimentos do DAE para atendimento de todas as necessidades da população. Ele destaca que, para agravar, quando assumiu encontrou uma dívida de R$ 2 milhões com a CPFL, que foi negociada e parcelada em 48 meses, provocando um desembolso adicional mensal na ordem de R$ 100 mil. "Fora o aumento de quase 25% que a energia teve. A tarifa de energia elétrica chega a 35% na composição de nossos custos. E não repassamos isso", afirmou.
Uchoa disse estar animado, "pois será estabelecida uma nova relação tarifária que não onere as classe mais carentes, mas que valorize mais o produto
(água), que será estratégico para o próximo século".