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Pesca no Batalha

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Clavinote: às margens do Batalha

Clavinote: às margens do Batalha

Texto: Roberta Mathias

Depois de uns bons dias de frio, o sol aparece e começa a animar os pescadores no final de semana. Mesmo longe dos grandes rios e mares, eles buscam lazer e harmonia no próprio rio Batalha, que infelizmente "não é mais como antigamente", mas ainda transmite seu encanto àqueles que se aventuram em suas margens.

Em Clavinote, a cerca de 40 quilômetros de Bauru, o rio Batalha atrai pescadores que nem sempre buscam seus peixes, mas também a paz e a tranqüilidade do local, que é rodeado pelo verde da mata nativa e pelo colorido das orquídeas que valorizam o lugar. No final de semana passado, uma família inteira esteve acampada na região à procura de alguns lambaris e distância da cidade. Eles saíram de Pirajuí no sábado, com a previsão de retornar apenas no final da noite de domingo. Freqüentadores assíduos de Clavinote e outros pontos do rio Batalha, eles aproveitaram o final de semana para caminhar, descansar, comer e pescar. Ou melhor, descontrair, pois o rio não estava para peixe.

Antônio Adelson Maia, 38 anos, o Toninho, estava acompanhado da esposa Leonor, 40 anos, das filhas Mariana, 9 anos, Juliana, 11 anos, e Naira, 13 anos, do casal Tadeu e Bete, com o filho Paulo, 13 anos. Todos foram preparados para a pescaria, mas o rio não estava convidativo. "O rio está baixo e a água ainda está muito gelada", explicou Toninho. Ainda não chegou a hora da pescaria. Mas está próxima.

Ele conta que a família já pescou muitos lambaris, bagres, piavas, tabaranas, piauçus e até piranhas nas águas do Batalha e que previa a dificuldade no final de semana. Mesmo assim, eles arriscaram. "Para nós, não há a necessidade de pescarmos, o importante

é ficar aqui, acampados na beira do rio, caminhar. Fugir um pouco da cidade", diz Leonor. As crianças aproveitam para brincar o tempo todo. Sem a pescaria, eles improvisaram um balanço que fez o tempo passar mais rápido. Mesmo sem o conforto do lar e da televisão, ninguém queria voltar para a cidade. É claro que eles lamentaram a ausência do peixe no anzol e prometem um novo encontro com os pescados no Batalha, em breve.

Tadeu conta que no dia anterior um outro pescador conseguiu fisgar uma bela tabarana, mas foi apenas um exemplar. "Realmente a água fria não agrada os peixes." Ele lembra que a noite de sábado para domingo foi muito fria na beira do rio. "Acredito que chegou perto dos 4 graus."

A turma acampada levanta cedo, arma as varas na beira do rio, faz um bom café da manhã e sai para caminhar. Depois de algumas horas pela mata, chega o momento de preparar o churrasquinho caprichado acompanhado de uma cerveja gelada. Não antes de conferir as varas. Nada. Apenas o samburá vazio. "Quando há peixes, são eles que vão para a churrasqueira", explicam. Mas é sempre bom prevenir e levar uma carne preparada para o espeto. Nunca se sabe quando o dia será do pescador.

Ao freqüentar o mesmo lugar por muito tempo, os fatos vão ficando mais comuns e as pessoas mais amigas. A família diz que a convivência com outros pescadores em Clavinote

é muito pacífica e solidária. "Sempre há aqueles momentos em que alguém fica sem um anzol ou esquece algo importante. Um colabora com o outro", lembram. Mas um aspecto foi apontado por eles como preocupante. O lixo deixado nas margens e no próprio rio.

"A gente procura levar tudo o que encontra, sacos, latas, garrafas. Não é difícil a gente achar pilhas de sujeira por aqui. O duro é que polui o rio e toda a região", reclama Bete ao pegar mais um saco plástico abandonado à margem. Infelizmente, a preocupação com a preservação do meio ambiente ainda não

é uma rotina na vida do brasileiro. Muitas vezes, recolher o próprio lixo em um saco para depois jogá-lo em um lugar apropriado, na cidade, torna-se um atitude quase impossível. Mas felizmente, em muitos rios e praias brasileiros, há pessoas preocupadas em manter o local limpo e carregam tudo o que encontram. Acredita-se que, um dia, todos terão essa consciência, do contrário não haverá mais rios, matas e mares para o homem se divertir.

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