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Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Juros brasileiros devem subir para segurar capital

Juros brasileiros devem subir para segurar capital

Texto: Luciano Augusto

Com a elevação das taxas de juros americanas em 0,25%, anunciada ontem pelo FED (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), o reflexo inicial para a economia brasileira deve ser o mesmo: aumento das taxas de juros brasileiras, que hoje estão entre 21% e 22%. A medida serve para coibir a fuga de capitais do Brasil para os Estados Unidos.

O FED americano elevou a taxa de empréstimos interbancários

(empréstimos entre duas instituições financeiras), o principal parâmetro dos preços da economia norte-americana, de 5% para 5,25%. Já a taxa de redesconto (empréstimos feito diretos pelo FED aos bancos privados) foi aumentada de 4,5% para 4,75%. A medida visou reduzir o risco de inflação nos EUA, que nos últimos 12 meses foi de 2,1%.

O economista e professor chefe do departamento de Economia da Instituição Toledo de Ensino, Wagner Ismanhoto, 36 anos, acredita que até a semana que vem, o Governo Brasileiro deve anunciar algum índice de reajuste para as taxas de juros.

De acordo com o professor, o Brasil se encontrava num momento de taxas de juros reclinante, mas ainda alta, numa tentativa de motivar a captação de investimentos. Com a alta de 0,25% nas taxas de juros americanas, que por se tratar de uma

"economia super estável" toma proporções gigantescas, "o volume de investimentos tende a cair para o lado de lá".

Com o retrocesso da tendência de queda das taxas de juros brasileiras, outro economista e professor, Mauro Fernando Gallo, 48 anos, alerta que a medida deve "desestimular a produção e acarretar mais custos para o pagamento da dívida do Governo, tanto interna quanto externa". São medidas que, segundo ele, irão reforçar o aspecto recessivo da economia.

Gallo afirma que dependendo do nível que o Governo tiver que aumentar as taxas de juros, poderá haver "acréscimos sensíveis" nos juros de crediário, cheque especial, além de outras operações bancárias.

"Às vezes, para combater o 0,25% de lá, você tem que aumentar 2,5% aqui, porque o risco lá é muito menor", complementa.

Contribuindo para agravar ainda mais o cenário político-econômico brasileiro, Gallo lista o atraso das reformas que vêm sendo encampadas pelo Governo, que até agora geraram mais incertezas do que resultados econômicos pouco práticos, a instabilidade política, com as disputas por poder interno, e a ebulição de movimentos de classes, contrários ao Governo.

Confirmando o cenário construído por seus colegas economistas e professores, Said Yusuf, 35 anos, também afirma que a tendência é de fuga de capitais, porque, mesmo que internamente a aparência é de estabilidade econômica, em nível internacional "esta estabilidade não existe".

Yusuf diz que a alta agrava ainda mais o balanço de pagamentos do Governo porque aumenta o déficit em conta corrente, coberto justamente com o dinheiro estrangeiro. Com isso, lembra o economista, "o Brasil, que estava dispensando a terceira parcela de empréstimo junto ao Fundo Monetário Internacional, vai ter que recorrer a ela por causa do endividamento externo".

Nos últimos 12 meses, o País acumulou um déficit de US$ 32 bilhões em transações correntes, ou seja, o País está gastando todo este capital por ano sem ter como pagar.

Caso o Banco Central brasileiro recorra à parcela do FMI, isso deve segurar, pelo menos em parte, a cotação da moeda americana no País (que estava no final da tarde de ontem em R$ 1,903 para compra e R$ 1,905 para venda, no câmbio livre). Entretanto, avalia Yusuf, " não acredito que isso seja suficiente para acalmar o mercado caso comece a sair capital".

A tendência, segundo ele, é de alta no dólar e, até mesmo, de desvalorização do real, por dois motivos: primeiro por causa de toda esta situação política e econômica do País; segundo, porque a balança comercial brasileira não está reagindo como deveria e vem acumulando déficits.

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