Condutores da ECCB fazemprotesto relâmpago e param por uma hora
Condutores da ECCB fazem protesto relâmpago e param por uma hora
Texto: Luciano Augusto
Cobradores e motoristas da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) cruzaram os braços, ontem, por cerca de uma hora, pela manhã e à tarde, em protesto contra a decisão da empresa de não cumprir o acordo coletivo do ano passado e pelo não pagamento dos tíckets alimentação e outros benefícios, garantidos no acordo da categoria.
A paralisação relâmpago aconteceu em frente
à Câmara Municipal, na avenida Rodrigues Alves, com os ônibus parando em filas únicas em frente aos pontos tradicionais. A fila chegou até a Praça Machado de Mello, nas proximidades da Estação Ferroviária.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros Urbanos, Interurbanos, Cargas e Transporte em geral de Bauru e região, Elias Pinheiro da Silva, disse que diante do impasse na negociação do acordo coletivo para o ano 2000 com a empresa, a paralisação foi a saída para chamar a atenção para a situação da categoria.
"Nós admitimos até que se fechasse um acordo nas mesmas bases do acordo que vigorou até o dia 30 de abril", argumentou Silva. Somente com a retirada do ticket-alimentação, por exemplo, os trabalhadores deixam de receber cerca de R$ 100,00 mensais.
O presidente do sindicato afirmou ainda que deverão haver paradas periódicas em dias alternados ou, até mesmo, em dias consecutivos, não estando descartada a hipótese de uma greve.
"Do que a gente tinha no acordo que vigorou nós não abrimos mão de maneira nenhuma", completou.
Durante o protesto relâmpago, tanto o da parte da manhã quanto o da tarde, aproximadamente 100 carros, ou 100% da frota da ECCB, deixaram de circular pelos bairros. Foram liberados para circulação, somente os carros que cumpriam a linha Tibiriça e a linha do Instituto Lauro de Souza Lima, utilizada por usuários em tratamento médico naquele hospital.
ECCB faz BO para resguardar interesses
A ECCB disse que fechou ontem algumas medidas jurídicas que deverão ser formalizadas no dia de hoje. Em nível local, a empresa registrou Boletim de Ocorrência (BO), visando resguardar os bens e os interesses da ECCB.
O advogado da ECCB, Fábio José de Souza argumentou que, com a liminar obtida junto ao Tribunal Superior do Trabalho
(TST), na terça-feira, que reverteu a liminar conseguida pelo SindTran no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Campinas, que garantia o cumprimento do último acordo coletivo, a empresa "está apenas aguardando (a mesa-redonda), entregando cesta básica e os salários estão em dia".
O principal impasse, segundo ele, é mesmo em relação
à entrega do ticket-alimentação de R$ 100,00.
"Não tem condições e a empresa optou por manter o emprego". De acordo com Souza, o pagamento do ticket ficou inviável por dois motivos: primeiro, pela concordata em que a empresa se encontra; a outra situação
é que, "mesmo com tudo isso, a empresa continua negociando".
O advogado alega que a ECCB ofereceu um abono de 5,5% sobre os salários, igual às outras duas empresas que realizam o transporte de passageiros na cidade, e o pagamento de um ticket de R$ 20,00, que não foram aceitos pelo sindicato. Na opinião de Souza, "o sindicato está provocando uma situação de não negociar, criando dificuldades".
Conforme afirmou o advogado da ECCB, a posição da empresa é de manter as propostas nas mesas-redondas. A ECCB confirmou presença na mesa-redonda que deve-se realizar no dia 31 de agosto, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas.
Ação da Polícia Militar
Com a chegada da Polícia Militar (PM) os ânimos ficaram um pouco mais exaltados. Alguns motoristas começaram a dispersar e sair com os ônibus enquanto outros permaneciam estacionados, complicando por alguns momentos o trânsito no local.
O motorista da ECCB Benedito Gonçalo Romani, disse que a PM estava querendo multar os ônibus que estavam parados.
"Estamos defendendo nosso direito. A situação está complicada porque ninguém quer entrar num acordo. Cada um tem o seu direito: a empresa tem o dela e nós temos o nosso".
O capitão PM Reginaldo de Souza Braga, comandante da 4.ª Cia, que cuida do trânsito, disse que o objetivo da polícia no local era manter a ordem e fazer cumprir a lei, retirando os veículos estacionados. Afirmou ainda que desconhecia o motivo do protesto e garantiu que nenhum ônibus chegou a ser multado. "Na praça Machado de Melo, por exemplo, tinham dois veículos, parados um ao lado do outro, prejudicando o tráfego dos demais veículos", exemplificou o capitão.