BNDES apoia logística para impulsionar infra-estrutura
BNDES apoia logística para impulsionar infra-estrutura
Texto: Márcia Buzalaf
O diretor da área de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fernando Perrone, de passagem por Bauru, afirmou que a área que mais cresce hoje em dia é aquela voltada para o desenvolvimento da infra-estrutura e da logística. "A logística está para a infra-estrutura assim como o software está para o hardware", explica Perrone.
De cinco anos para cá, a logística foi a área que mais cresceu e recebeu investimentos, resultado, principalmente, do capital do setor privado que foi destinado para as áreas de infra-estrutura do País.
Perrone afirma que a melhoria da logística nos transportes só pôde ser feita efetivamente com os recursos privados.
"A fisionomia do Brasil, a competitividade que está tendo hoje, é completamente diferente do que tinha antes principalmente pela logística, que está mudando as áreas de desenvolvimento do Brasil", explica.
Atualmente, 42% dos recursos do BNDES são voltados para viabilizar projetos de infra-estrutura no País.
O processo de privatização foi fundamental para a mudar o perfil de destinação de recursos do BNDES. Perrone conta que, se analisado o volume de investimentos na infra-estrutura do início dos anos 80 até meados desta década, nota-se uma queda quase vertical. "Há cinco anos atrás, por exemplo, nós tínhamos as rodovias e as ferrovias em estado de petição de miséria", opina.
O uso quase que exclusivo das rodovias, na opinião de Perrone, tem seus dias contados. Ele afirma que os investimentos na ferrovia e na hidrovia são caminhos irreversíveis e que vão desenvolver o crescimento de outras formas de transporte no Brasil.
Em Bauru, a Estação Aduaneira Interior (EADI) de Bauru e o porto Intermodal de Pederneiras são exemplos que Perrone destaca como conseqüências do investimento privado. "Pela posição, Bauru é uma cidade que está condenada ao desenvolvimento", explica.
A conseqüência mais imediata desta mudança, para Perrone, é a diminuição do chamado "custo Brasil". Se outras formas de transportes, apoiadas pelo desenvolvimento da logística, ganharem espaço no País, a tendência é que o preço dos produtos na ponta final - tanto para o mercado interno quanto para a exportação.
A destinação prioritária dos recursos para as empresas privadas - não mais para o Estado - parece ter sido positiva para o banco. Segundo Perrone, surpreendentemente, 98 foi o melhor ano da história do BNDES. "Nestes 47 anos, 98 foi o ano que o banco emprestou mais, o banco ampliou mais sua área de atuação e arrumou mais dinheiro", afirma Perrone.
O diretor do BNDES ministrou uma conferência nas Faculdades Integradas de Ourinhos, visando esclarecer as mudanças recentes motivadas pelas privatizações.