Revendedoras devem investir no carro a álcool
Revendedoras devem investir no carro a álcool
Texto: Márcia Buzalaf
As revendedoras de Bauru estão apostando na venda de carros a álcool para o final deste ano e para o ano 2000. Com o incentivo fiscal autorizado pelo Governo do Estado na última sexta-feira - de isentar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos (IPVA) para os carros comprados até 31 de dezembro mais um vale de mil litros de álcool dado pelos usineiros
- o mercado deve ser estimulado.
A medida foi tomada como resposta à diferença de preço entre os combustíveis e a pressão dos usineiros - tanto que o acordo foi firmado só com o governo de São Paulo. Com o preço alto do litro da gasolina e o excedente de produção de álcool nas usinas, a diferença de preços entre os dois combustíveis ficou ainda mais acentuada nos últimos reajustes. Atualmente, a gasolina é 155% mais cara do que o litro de álcool, se considerado o preço médio de R$ 1,25 e R$ 0,49, respectivamente.
A Ford e a General Motors deixaram de produzir carros a álcool gradativamente, depois da retirada de incentivos do Governo Federal. As únicas montadoras que permaneceram produzindo e comercializando carros a álcool foram a Volkswagen - pronta entrega - e a Fiat - através de pedido. O primeiro carro a álcool no Brasil foi produzido pela Fiat, em 1979.
Em Bauru, todas as revendas consultadas confirmaram a procura pelo combustível e a possibilidade de crescimento das vendas com o incentivo dado pelo governo. O acordo de incentivo também prevê um desconto de 6% no preço dos automóveis a álcool se comparados com o veículo a gasolina. Atualmente, o preço dos dois motores é equiparado.
O gerente de veículos novos na Disbauto, Job Terrin Júnior, 34 anos, afirma que, apesar da fábrica não produzir mais veículos a álcool, a isenção do IPVA deve aumentar a procura por este tipo de carro, pela economia que ele proporciona. A montadora está estudando a volta do carro com este motor, que deve ser inicializada em outubro.
Terrin Júnior conta que vários consumidores estão comprando pick-ups a gasolina - em especial a F-250 e a Courier
- e transformando o motor para receber combustível a álcool. O custo da mudança gira em torno de R$ 1,3 mil e R$ 1,8 mil. Em Bauru, segundo o gerente da revenda, uma média de 20 consumidores compraram veículos para fazer a transformação nos últimos 40 dias.
O gerente regional da Volkswagen, Carlos Rocha, 51 anos, afirma que a montadora sempre teve disponibilidade imediata para a venda de carros a álcool. Em 98, foram vendidos 1,6 mil carros a álcool, sendo que este tipo de veículo já chegou a representar 95% da frota nacional durante o Pró-Álcool.
"Achamos que a demanda deve subir devido ao incentivo", explica.
Na opinião de Rocha, inúmeras vantagens podem ser atribuídas aos carros a álcool, como o fato de ser um combustível renovável, por ter baixo índice de poluição e uma maior potência de motor. A única desvantagem do motor a álcool, na opinião de Rocha, é o maior consumo do combustível, de aproximadamente 19% a mais do que o motor a gasolina.
A General Motors vai voltar a produzir carros a álcool em novembro deste ano. O primeiro modelo a ser feito com este motor é o Corsa 1.0. A montadora anunciou que vai lançar a linha Astra também a álcool no primeiro semestre do ano 2000.
O gerente regional de operações, vendas e serviços da GM, Paulo Ortiz, afirma que, em uma pesquisa realizada recentemente nas concessionárias da região, notou-se que há mercado para o carro a álcool, principalmente na região de Bauru, Ribeirão Preto, Araraquara e Rio Preto, pela concentração de usinas nestas localidades.
Litro do álcool deve chegar a R$ 0,70 logo
O litro do álcool deve saltar de R$ 0,49 para R$ 0,70 até o final de outubro, um aumento de 42%. De acordo com o diretor-presidente da Flag Distribuidora de Petróleo, Francisco Simões Barbosa, 53 anos, o incentivo dado pelo governo deve reduzir a oferta do combustível e, conseqüentemente, fazer com que o preço do álcool chegue próximo a R$ 0,70.
O preço do álcool está defasado em conseqüência de uma superprodução. Segundo Barbosa, há um ano e meio, o valor cobrado para o combustível na usina era de R$ 0,41 e o posto vendia a R$ 0,70. Recentemente, o litro do combustível foi vendido por R$ 0,18 pelas usinas. "A diferença entre a gasolina e o álcool era de centavos", conta Barbosa.
Outra medida tomada pelos usineiros para aumentar a valorização do produto foi a criação da Bolsa Brasileira de
Álcool (BBA), que compra o álcool das usinas e revende para as distribuidoras. "Eles fizeram um tipo de cooperativa para manter a estabilidade do álcool", explica.
O governo de São Paulo também está alterando a tributação da distribuição do álcool em 1.º de setembro. A tributação em relação ao combustível vai passar das distribuidoras - que concentram hoje em dia a carga tributária das usinas e dos postos
- para a usina, que vai arcar com sua parte dos impostos. As distribuidoras vão continuar a recolher o imposto pelos postos de combustíveis.
O Governo Federal também está discutindo a possibilidade de aumentar de 24% para 26% a porcentagem do álcool na gasolina.
Todos estes fatores, na opinião de Barbosa e de outras pessoas ligadas ao mercado de combustíveis, deve ser suficiente para fazer com que o preço do álcool chegue, rapidamente, próximo ao preço do litro da gasolina.
Na opinião do diretor-presidente da Flag, deve inclusive faltar álcool no final do ano 2000. Com a quebra da safra prevista para o próximo ano, pode faltar produto no mercado.
(MB)