Relatório final não vai ao MP
Relatório final não vai para o MP
O relatório final da Comissão Especial de Inquérito
(CEI) que investigou a compra de carne feita pela administração municipal não será enviado no Ministério Público (MP), como vinha sendo cogitado. Pelo menos essa
é a orientação que está sendo adotada pela comissão que trabalhou na apuração dos fatos.
Ontem, o vereador Rubens Spíndola (PSDB), relator da CEI, disse que a comissão não vai enviar o processo ao MP porque pretende esperar para ver as atitudes que serão tomadas pela Prefeitura. Ele argumenta que até agora os cofres públicos são sofreram nenhum tipo de dano porque a carne comprada ainda não foi paga.
Caso a Prefeitura pague R$ 4,72 pelo produto comprado, valor considerado pela comissão como superfaturado, o vereador vai definir as providências que serão tomadas. Na verdade, o que a comissão quer é que se configure o dano ao patrimônio público. Com esse argumento, o processo não corre o risco de ser arquivado pelo MP. "A partir do momento em que houver danos através do pagamento da compra, outras medidas podem ser tomadas para resguardar o dinheiro público", disse Spíndola.
Para o vereador, o relatório só foi rejeitado devido a manobras políticas feitas pelo prefeito Nilson Costa e porque os vereadores acabaram se rendendo a interesses pessoais.
"Eles se voltaram a interesses individuais e não coletivos", ressaltou.
Spíndola diz que a votação da última segunda-feira, quando por 12 votos contra e oito a favor o relatório da CEI da Carne foi arquivado, é uma prova de que Bauru precisa de menos vereadores do que possui. "Se é para deixar de lado o coletivo e não desempenhar com coerência
à finalidade do Legislativo, que é a de fiscalizar o Executivo, melhor que existam menos vereadores", afirmou. Ele diz que vai tentar levar a idéia adiante para reduzir a quantidade de vereadores dos atuais 21 para, pelo menos, 17.
(AA)
Prefeito acredita agora em tranquilidade
Texto: Adriana Amorim
O prefeito Nilson Costa acredita que, a partir de agora, vai poder administrar a cidade com mais tranquilidade e deixar a época de turbulências políticas para trás. À sombra da primeira vitória política expressiva do Executivo sob o seu comando, conseguida através da rejeição do relatório final da Comissão Especial de Inquérito
(CEI) da Carne, ele diz que dará prosseguimento a uma administração pautada pela transparência.
A votação da última segunda-feira foi um teste no qual a administração municipal saiu ganhando no campo político. Além dos vereadores tradicionalmente favoráveis ao Executivo, o prefeito Nilson Costa recebeu o voto de confiança de outros que sempre fizeram questão de ir contra as iniciativas da administração.
Confiante diante desse quadro, ele acredita que a partir de agora vai poder conduzir a cidade com mais tranquilidade. "Chega do tempo em que Bauru enfrentou tanta atribulação. Politicamente esse fato demonstra que sempre estivemos e continuamos tranquilos", frisou. "Através dessa votação, os vereadores mostraram que agiram de acordo com o coletivo".
O prefeito conta com a vantagem de sete partidos políticos terem votado contra o relatório e diz que o documento não foi aprovado porque o relator (vereador Rubens Spíndola) evidenciou demasiadamente as acusações e desprezou as provas apresentadas pela Prefeitura. Segundo ele, o presidente da CEI, o vereador Rogério Medina, não agiu com isenção e desempenhou o papel de promotor durante todo o desenrolar dos estudos. "Graças a isso os vereadores decidiram impugnar o relatório que não refletiu os documentos e elementos de prova apresentados pela Prefeitura", acredita.
Nilson Costa diz que vê com naturalidade a possibilidade de que o processo seja encaminhado do Ministério Público e garante que sempre agiu com a finalidade de mostrar a transparência de sua gestão. Ele cita que não se mostrou contrário
à instalação da CEI, colocou à disposição todos os documentos necessários, pediu para que a Secretaria de Finanças não fizesse o pagamento da carne que já havia sido comprada.
Agora, ele diz que vai pagar o fornecedor pelo preço determinado pela licitação. A empresa Bom Bife ainda tem que entregar 9.300 quilos de Patinho.