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Compulsório

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Redução no compulsório não chega ao crédito

Redução no compulsório não chega ao crédito

Texto: Márcia Buzalaf

A redução do compulsório de 20% para 10% anunciada pela última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não deve ser motivo de aumento do volume de crédito disponível. De acordo com especialistas no setor, é muito mais provável que os 10% que não precisam mais ser recolhidos ao Banco Central (BC) sejam voltados para aplicações mais

"seguras".

A opinião é do economista e consultor financeiro, Fernando José Martha de Pinho, e do vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Garroux Sampaio. Ambos afirmam que o objetivo da redução do compulsório era mais política do que econômica.

Pinho explica que não há falta de recursos para o crédito nas instituições financeiras, por isso, o volume que vai ficar excendente da redução do compulsório não deve migrar para os empréstimos.

Na opinião de Pinho, as instituições bancárias devem aplicar os recursos em títulos públicos, que apresentam um risco baixo. Em sua interpretação, o consultor entende que este recurso excedente dos depósitos bancários deve ser voltado para aplicar em título público, em bolsas de valores ou em moedas fortes, como o dólar.

Já o vice-presidente da Federação do Comércio questiona o papel do Banco Central neste tipo de atitude. Para Sampaio, a fiscalização em cima dos bancos deveria ser mais rígida do que é atualmente para verificar o porquê das instituições estarem lucrando tanto no contexto recessivo que o País está.

O que se questiona no setor varejista e no setor atacadista é que as quedas nas taxas de juros não são repassadas pelo mercado financeiro como as elevações das mesmas taxas referenciais. "Todas as medidas de aumento de juros, como quando chegou a quase 40% no ano passado, fizeram com que os juros para quem fosse tomar empréstimo subisse da noite para o dia. No dia seguinte, os juros são elevados proporcionalmente. Na queda de juros, Isso não chega a ponta final", afirma.

Duas eram as justificativas do sistema bancário para a demora na queda das taxas para a concessão de crédito. A primeira era o compulsório, que tinha que ser recolhido ao BC. Pinho afirma que esta redução não garante que o excedente será voltado para o crédito.

Já a inadimplência como justificativa para as elevadas taxas de juros não convence Sampaio. "A inadimplência está caindo mês a mês este ano, em São Paulo e em Bauru, e esta queda não chega ao consumidor. Os últimos dados de Bauru mostram uma queda na inadimplência de 30%", afirma Sampaio.

Conseqüência

O gerente de negócios da Caixa Econômica Federal

(CEF), Paulo Lima, 38 anos, afirma que é a taxa de risco de cada instituição financeira é o que determina a complementação da taxa básica de juro.

"Tem também o histórico da instituição e do cliente, que são levados em conta", explica.

Lima explica que depende de cada banco a destinação dos 10% dos depósitos que não vai mais ter a necessidade de ser recolhido ao BC.

A conseqüência deste contexto é a impossibilidade de aquecimento na atividade econômica. Sampaio explica que isso está inviabilizando as compras de produtos a longo prazo. Ele dá o exemplo: "Em um anúncio de eletrodoméstico da linha branca, você pode ver que o componente de juros de uma venda sete meses chega a 30%, um terço do produto final".

De acordo com Lima, não há previsão de quando serão definidas as políticas de destinação destes recursos que não serão mais recolhidos. "Os bancos estão dizendo que vai demorar uns 15 dias para o reflexo disso e vai ser de pequena proporção", conta Sampaio. "Se não é nem o compulsório nem a taxa de referência do Banco Central, alguém vai ter explicar porque o juro para o tomador final é tão absurdamente elevado como no Brasil", completa. Na opinião de Sampaio, caberia ao BC investigar o porquê deste contexto.

"Deve ter um trabalho organizado das instituições financeiras para manter estas taxas de juros, já que são os bancos que estão tendo lucros absurdos", opina.

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