Parto sem dor ainda é restrito a poucas
Parto sem dor ainda é restrito a poucas
Texto: Sabrina Magalhães
Conhecer os sinais do trabalho de parto evita que a gestante tenha surpresas
Outra modalidade de parto natural que vem atraindo mais e mais mulheres é o chamado "parto sem dor", em que a gestante recebe uma anestesia nas horas finais do trabalho. Porém, esta opção é considerada um luxo, pois pode custar entre R$ 500,00 e R$ 700,00 e, portanto,
é privilégio das mulheres que têm melhor condição financeira e das que têm determinados convênios médicos. De acordo com a ginecologista Marli Faria, a anestesia não significa que o parto vai ser totalmente indolor. O medicamento
é aplicado somente depois que a dilatação do colo de útero atinge os seis ou oito centímetros, quando o médico tem plena certeza de que o parto vai ser normal e que não vai demorar muito.
"Você bloqueia a dor, mas não bloqueia a contração. Na verdade, até atingir dilatação de seis centímetros, a mulher vai sentir as dores, mas são perfeitamente suportáveis. Afinal, ela foi feita para isso. Depois, nós aplicamos a anestesia e ela não sente as últimas contrações, que são bem mais fortes, nem a dor final da expulsão do bebê."
O obstetra Célio Cabello explica que o trabalho de parto obedece a algumas fases que, na gravidez do primeiro filho, são muito bem definidas. Segundo ele, o trabalho de parto começa cerca de dez dias antes do nascimento, com pequenas e desreguladas contrações. "Porque o útero é como uma bexiga. O bebê está dentro e a boca desta bexiga (colo do útero) fica bem fechadinha para que ele não 'caia'. Essa bexiga vai ter que abrir uns dez centímetros para a passagem do bebê. Então, o músculo começa a trabalhar uns dias antes, vai ficando mais flácido, mais fino. Às vezes a gestante nem percebe essa preparação."
Então, a mulher entra na fase de dilatação lenta, que começa entre 18 e 12 horas antes do parto. Neste período, as contrações já são mais fortes e ela vai para a maternidade. "Ela sente algo mais agressivo que a cólica menstrual, mas tolera bem." Até que ela entra na fase de dilatação rápida, com contrações mais freqüentes e de maior duração.
"É a hora em que ela se desespera, morde a toalha e pede a cesariana. Aí a gente aplica a anestesia peridural, porque você já tem segurança de que o bebê vai nascer de parto normal e que vai ser rápido. A partir daí, são mais duas a cinco horas até o nascimento."
Sem anestesia
A mulher que não pode tomar a peridural vai ter um sofrimento maior nestas últimas horas, tanto pelas contrações, quanto pela dor final da expulsão. Mas os médicos lembram que a natureza é sábia e que existe um intervalo entre uma contração e outra, tempo indispensável para que a parturiente recupere sua energia e faça a força necessária para o nascimento.
Sinais do trabalho de parto
Durante toda a gestação a mulher sente contrações uterinas. São cólicas que duram alguns minutos, endurecem a barriga e aparecem sem uma freqüência regular. Mas as contrações do trabalho de parto são diferentes e podem ser identificadas por durarem entre 40 e 60 segundos e se manifestarem em intervalos regulares. Inicialmente, vêm a cada 20 ou 30 minutos e são quase imperceptíveis.
É a hora em que a gestante deve fazer um repouso, descansar e até dormir, armazenando a energia de que vai precisar em algumas horas.
Paralelamente às contrações, o corpo começa a mudar e "avisa" que está chegando a hora. Em algum momento, o muco que fica parado no canal uterino vai escorrer.
É um líquido branco, que pode ter estrias de sangue. Outro sinal é a ruptura da bolsa de água. A mulher começa a perder, de forma incontrolável, um líquido claro, parecido com água de coco. É normal ter raias de sangue. Quando isso acontece, ela deve telefonar para o médico e ir para a maternidade, porque faltam poucas horas. Mas se o líquido for escuro ou se houver um sangramento expressivo, o quadro indica uma complicação e ela deve ser atendida com urgência.
Por fim, se a bolsa não estourar, a gestante deve ir para a maternidade quando o intervalo entre uma contração e outra for de cinco minutos. Os especialistas destacam que chegar com muita antecedência na maternidade aumenta a ansiedade e a paciente pode ficar assustada com o trabalho de parto de outras mulheres. A partir de duas contrações a cada dez minutos, o nascimento do bebê é consideravelmente rápido.