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Psicoterapia

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Alívio rápido

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Texto: Gustavo Cândido

Segundo a tese da professora de psicologia clínica da Unesp de Bauru, Carmen Maria Bueno Neme, cerca 30% a 40% das pessoas submetidas à psicoterapia abandonam o tratamento antes do tempo por considerar que seus objetivos já foram obtidos e, conseqüentemente não há mais necessidade de prolongar as sessões.

Isso nem sempre é a realidade e o paciente acaba ficando sem o seu tratamento completo. Uma solução para encurtar o tempo de tratamento e resolver o problema do paciente

é a psicoterapia breve.

Jornal da Cidade -O que é psicoterapia breve?

Carmen Maria Bueno Neme - A psicoterapia breve é uma técnica que consiste em trabalhar com os conflitos mais importantes do paciente no menor tempo possível. Para isso é necessário que o terapeuta defina o foco da problemática a ser resolvida e limite a duração do tratamento em função desses objetivos. Não

é uma técnica nova, mas que está sendo muito usada com pessoas que estão passando por momentos de crises e precisam fortalecer os recursos saudáveis para superar a fase sem geral patologias.

JC - O tratamento é menor do que as terapias tradicionais?

Carmen - Sim, porque é uma metodologia que abrevia o tempo de tratamento. Dependendo do caso e dos objetivos, o terapêuta pode fazer uma previsão de quantas sessões serão necessárias para que o objetivo seja alcançado.

JC - O custo é menor?

Carmen - A limitação do tempo e dos objetivos fazem com que o tratamento se torne mais barato.

JC - Quando nasceu a técnica?

Carmen - A partir da década de 50, percebeu-se a necessidade de formas de tratamento, menos longo e mais eficaz. Foi neste período que teve início estudos e pesquisas que culminaram com uma metodologia que abreviou o tempo das psicoterapias tradionais.

JC - Por que breve?

Carmen - A definição breve se dá em contraposição as psicoterapias tradicionais que são mais longas. Na breve, o tempo e o objetivo são limitados.

JC - Qual a importância do diagnóstico inicial?

Carmen - O diagnóstico inicial, na psicoterapia breve tem que ser muito apurado. É através dele, que o profissional limita os objetivos e o tempo do tratamento. Pesquisas mostram que quando o diagnóstico define o foco a ser trabalhado, os resultados são muito positivos. Se você trabalha a problemática principal, os outros conflitos e necessidades também serão reajustadas.

JC - Por ser breve, ela se tornou acessível as classes sociais menos favorecidas?

Carmen - A psicoterapia breve permitiu o acesso a essa forma de tratamento das camadas da população que tradicionalmente não tinha acesso as psicoterapias.

JC - Onde ela vem sendo aplicada?

Carmen - Em centros de saúde, hospitais gerais, hospitais psiquiátricos, ambulatórios, em instituições de atendimento à criança etc.

JC - Onde ela poderia ser aplicada?

Carmen - A psicoterapia breve pode ser aplicada em delegacias, no Instituto Médico Legal, no Fórum, Pronto Socorros e em todos os lugares onde as pessoas estejam vivenciando dificuldades emergenciais.

JC - Quais são as contra-indicações da psicoterapia breve?

Carmen - Existem patologias crônicas e psicoses crônicas que não dariam para serem trabalhadas, a contento, com a psicoterapia breve. Porém, imaginando que este paciente não aceite um tratamento mais longo, pode-se limitar como objetivo da breve, que ele se conscientize da necessidade do psicoterapia tradicional. Só num segundo momento é que ele iniciaria o tratamento mais longo.

JC - Em quais casos deve ser aplicada a psicoterapia breve?

Carmen - Em diversos casos, especialmente naqueles em que haja necessidade de intervenção breve. Em hospitais gerais, por exemplo, em pessoas que vão ser submetidas a uma cirurgia oncológica, amputações, cirurgias com perda de órgãos etc. Essas pessoas precisam ser preparadas para a cirurgia. Os conflitos básicos mais atuais, que estão relacionados com aquele momento precisam ser resolvidos. Uma pessoa que vai deprimida para uma cirurgia pode comprometer o resultado da intervenção cirúrgica, necessitando ficar mais tempo internado.

JC - Em Pronto-Socorros, a psicoterapia poderia ser aplicada a quem?

Carmen - Em casos de tentativas de suicídio. Com familiares de acidentados, com os próprios acidentados etc

JC - Em delegacias também?

Carmen - Com as pessoas que se envolveram em crimes, com seus familiares.

JC - Quais os benefícios da psicoterapia breve?

Carmen - Ela representa uma grande economia de recursos na área da saúde. No caso de hospitalização, por exemplo, ela pode abreviar o tempo de internação, uma vez que ajuda aquela paciente a resolver aquele conflito.

JC - Em quais cidades a psicoterapia breve já vem sendo aplicada?

Carmen - Em Brasília, Campinas, Bauru, Ribeirão Preto e em Jaú. Nessas cidades existem programas de saúde que incluem a psicoterapia breve. Esses programas representam economia para o Estado, porque possibilitam que o paciente resolva aquela crise.

JC - Como você chegou na psicoterapia breve na sua tese de mestrado?

Carmen - Fui pesquisar porque os pacientes abandonam a psicoterapia tradicional. O número de abandono nos ambulatórios públicos é muito grande, tanto dos tratamentos médicos como da psicoterapia.

JC - A que conclusão chegou?

Carmen - O resultado foi bastante surpreendente. Cerca de 50% dos pacientes considerados como abandonadores da psicoterapia relataram que deixaram de comparecer as sessões porque os objetivos que eles pretendiam já tinham sido obtidos, alcançados. Isso comprova que para a população com mais dificuldades econômicas, é necessário a limitação de objetivos que vai de encontro com a psicoterapia breve. Comprova, também que há uma diferença entre a expectativa do profissional e a necessidade do paciente.

JC - A psicoterapia breve exige mais do terapêuta do que em um tratamento normal?

Carmen - Como o tempo é limitado e o foco da intervenção tem que ser bem definido e o objetivo delineado, a breve exige do profissional um nível de competência e especialização muito maior. É preciso que os profissionais se preocupem em se especializar para poder ocupar esses espaços existentes no serviço público.

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