Prefeito vai mudar secretariado
Prefeito vai mudar o secretariado
Texto: Josefa Cunha
O prefeito Nilson Costa (PPS) confirmou ontem à noite que pretende fazer mudanças em seu secretariado e outros cargos do primeiro escalão. Segundo informações extra-oficiais, a equipe de confiança seria convidada a colocar os cargos à disposição a partir de hoje, mas o chefe do Executivo garantiu que ainda não há data para a reestruturação.
As pretendidas mudanças, segundo ele, se efetivarão tão logo seja concluído um trabalho de análise sobre o desempenho das pastas. A "avaliação", que se acredita estar muito mais vinculada a fatores políticos do que administrativos, está sendo realizada pessoalmente por Nilson Costa. O prefeito, no entanto, esconde os "critérios" dessa análise e faz segredo total quando questionado sobre
"quem sai e quem entra". "Tenho intenção e vou promover alterações no secretariado, mas, por enquanto, não posso adiantar nada. A política
é muito dinâmica e, em função do processo político, será preciso mexer em algumas coisas", declarou, lacônico.
Na verdade, a possibilidade de uma reestruturação política vinha sendo cogitada desde que Nilson filiou-se ao PPS e deixou como certa a intenção de disputar a Prefeitura em 2000. Desde aquela ocasião, os analistas de plantão já especulavam sobre a necessidade de o prefeito recompor politicamente seus aliados. Nem o próprio Nilson nega que as futuras mudanças terão o sentido de "afinar" a administração, certamente agregando grupos fiéis que possam alavancar sua campanha
à reeleição.
Embora o prefeito esconda nomes e desautorize membros de confiança a comentar o assunto, as circunstâncias convergem para pelo menos três alterações. A mais certa recai sobre a Secretaria de Obras, onde o titular, Leandro Joaquim, há muito tempo parece não estar falando a mesma língua política, além de divergências
(negadas, é claro) com outros secretários.
Outro provável corte atingiria o presidente da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Joaquim Madureira. O titular vem protagonizando uma briga com o vereador João Parreira de Miranda (PMDB) e causando desgastes dispensáveis
à administração. Cogita-se também a queda de Daltayr Vallim, presidente da Cohab e bastante íntimo do grupo político ligado ao ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) e ao empresário Moussa Tobias. Vallim, inclusive, é um dos entusiastas da candidatura de Moussa Tobias à Prefeitura, através da formação de uma ampla frente de apoio. Uma quarta mudança envolveria o atual chefe de Gabinete, Darci da Luz. Este, porém, não cairia como os demais, mas seria remanejado para outro cargo, deixando a função hoje exercida nas mãos de alguém com mais habilidade política para tratar com os vereadores e outras lideranças de expressão.
Ao mesmo tempo que se especula sobre as substituições mais prováveis, pode-se garantir, desde já, a manutenção de pelo menos três nomes. Raul Gomes Duarte Neto, secretário das Finanças, Flávio Uchoa, presidente do DAE, e Celso Donizeti, titular da Sear, devem ter seus postos garantidos. A vantagem de Celso Donizete é que acaba de integrar o grupo político do prefeito. Entretanto, pesa contra ele críticas dentro do próprio governo. O trio, inclusive, já demonstrou fidelidade aos projetos políticos de Nilson Costa quando se filiaram ao PPS.
O anúncio das mudanças no primeiro escalão, ainda que sem data para acontecer, poderá vir no mês de outubro, tão logo estejam definidas as filiações dos que têm pretensões políticas para 2000. O prefeito já escolheu o período para começar a trabalhar a composição de uma bancada de apoio na Câmara e pode aproveitá-lo também para comunicar as substituições.
Do resultado final fica a indicação de que Nilson Costa optou por um secretariado formado por técnicos, amigos e colaboradores, num primeiro momento. Agora, sem o tom da coalizão que lhe foi oferecida logo após a cassação de seu ex-parceiro político, Izzo Filho, Nilson Costa parte para acomodações partidárias. O resultado da composição poderá ser medido em função das eleições do próximo ano e do grupo que pretende formar em relação ao Legislativo. Dessa soma também resulta a distribuição de cargos no segundo escalão.