Geral

Desmatamento

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Vidágua lavra B.O. contra a Prefeitura

Vidágua lavra B.O. contra a Prefeitura

Texto: Adriana Rota

Parte da mata ciliar da margem do Córrego da Grama, localizado próximo à avenida Pinheiro Machado, foi cortada e queimada por funcionários a serviço da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), o que resultou num boletim de ocorrência feito pelo Instituto Ambiental Vidágua. O Código Florestal proíbe essa atividade, porque a área é sujeita a inundações e erosões.

O secretário Celso Donizeti afirmou que está com oito equipes espalhadas pela cidade com o intuito de aparar a vegetação da beirada de rios e córregos, num trabalho conjunto com a Secretaria da Saúde que visa diminuir a reprodução dos pernilongos através da aplicação de um inseticida biodegradável. A "limpeza" aumenta a eficácia do produto.

Ele garantiu que os funcionários recebem toda a orientação necessária antes de irem a campo para que não causem danos ao meio ambiente. "Seis ajudantes gerais andaram arrancando umas árvores, mas foram afastados do serviço de imediato. Eles vão responder processo interno porque fizeram algo que não deveriam ter feito", disse.

O secretário afirmou, ainda, que existe um diretor técnico responsável pela orientação do serviço, mas que ele não permanece no local, passando a orientação para os diretores regionais, que desenvolvem a atividade. Ele não classifica o problema como sendo de grande proporção e disse que vai desenvolver um trabalho de recuperação da área, além de intensificar a orientação.

A "ação isolada" do grupo teria desconsiderado a orientação de deixar a mata numa altura a cerca de 80 centímetros do chão. A secretaria teria chegado aos seis responsáveis através do coordenador (chefe de serviço) do local. Questionado se esse profissional não poderia ter orientado de imediato, só então Donizeti disse que este também responderá pela infração ambiental. "Os ajudantes gerais continuarão prestando serviços, mas em outro local, voltando para a limpeza de guias, bueiros. A missão deles é esse tipo de atividade.

É um pessoal que não tem um grau de cultura elevado e às vezes age dessa forma", classificou.

Diferentemente do que pensa o secretário, de acordo com o diretor executivo do Vidágua, Rodrigo Agostinho, o desmatamento da beirada do córrego cria um problema sério, porque a área é sujeita a inundações e erosões, barradas quando a mata ciliar permanece intacta. "A mata dessa área tem entre 5 e 10 anos e deve levar esse mesmo tempo para se recuperar. O detalhe é que já é uma vegetação em processo de regeneração, porque já foi destruída em outras ocasiões", alertou.

Agostinho, que recebeu diversas denúncias e foi até o córrego para verificar o que de fato ocorria acionando a Polícia Florestal em seguida, disse que mesmo que a vegetação mantivesse a altura de 80 centímetros, como mencionou Donizeti, estaria em desacordo com a lei 4.771/65 do Código Florestal, que determina um espaço de 30 metros ao redor do córrego como área de preservação permanente. "O que nos deixa a gente chateado, também, é que fazemos um trabalho de recuperação todos os anos", lamentou.

Comentários

Comentários