SP terá agência de agronegócios
SP terá agência de agronegócios
Texto: Paulo Toledo
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado vai formalizar, nos próximos 30 dias, a criação da Agência de Comércio Exterior do Agronegócio (Agribussines) Paulista, que terá o objetivo de comercializar os produtos provenientes do setor, abrindo mercado em todo o mundo. A revelação foi feita, em Bauru, pelo titular da pasta, João Carlos de Souza Meirelles, dizendo que serão adotadas várias ações, entre as quais a criação de marcas próprias do Estado.
Meirelles disse que o governador Mário Covas (PSDB) elegeu o agribussines como prioridade no Estado, com o objetivo retomar o vigor rural de São Paulo, não só produzindo, mas industrializando e comercializando. Ele destacou que os institutos de pesquisas da Secretaria passaram por uma reformulação e, agora, vão trabalhar sobre as cadeias produtivas do Estado, buscando as soluções para os problemas.
O secretário destacou que, em 98, o Brasil exportou US$ 51 bilhões, dos quais US$ 20,2 bilhões vieram dos agronegócios, ou seja, quase 40%. Meirelles lembrou que o agribussines foi o único setor brasileiro que teve saldo positivo de US$ 10,4 bilhões. De acordo com ele, a balança comercial teve um déficit de US$ 6,4 bilhões. Para ele, o estourou só não foi maior em razão do saldo positivo dos agronegócios.
Para o secretário da Agricultura, o saldo da ordem de US$ 1 bilhão positivo que o Brasil quer alcançar só será conseguido porque o setor de agribussines na colaborar com US$ 13 bilhões, porque neste ano o País não está importando milho, arroz e reduziu a compra de trigo no exterior. "Temos que discutir como vamos nos inserir nessa oportunidade histórica que volta para nós", afirmou.
Meirelles esteve em Bauru, sexta-feira, para uma reunião no Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) que reuniu lideranças do setor agrícola, como Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e do Conselho de Desenvolvimento Rural; representantes do Banco do Brasil e da Nossa Caixa-Nosso Banco; além dos prefeitos de Agudos, Afonso Condi; Arealva, Elson Banuth; Avaí, Sérgio Moreira Andrade; Cabrália Paulista, Wilson Vicentini; Duartina, Jorge Maranho; Iacanga, Durvalino Ribeiro; Lucianópolis, Luiz Carlos Sabadin; e o secretário municipal de Agricultura de Bauru, Cynise Pereira Leite.
Meirelles destacou que o setor de agronegócios é o que mais gera empregos por cada real aplicado. Citou como exemplo a fábrica da GM, no Rio Grande do Sul, na qual serão investidos US$ 384 milhões, mas vai criar 4 mil empregos.
"Isso qualquer unidade nossa, de esmagamento de soja, do que quer que seja, no seu conjunto, gera várias vezes mais do que isso", afirmou.
Para o secretário, neste momento em que a palavra de ordem
é gerar emprego e trabalho, pois o desemprego afeta principalmente os pequenos municípios, o investimento em agronegócios
é o melhor caminho para São Paulo.
Meirelles disse que a intenção é multiplicar o que está se fazendo em termos de pecuária, agricultura e extrativismo em cada região do Estado. Para ele, o desafio do Governo e dos produtores é aumentar a produção e a produtividade, além de industrializar esse material no Estado ou no País. "Não é para produzir soja e embarcar no porto de Santos para uma firma européia ou americana esmagar essa soja e agregar valor e vantagens para seus trabalhadores. É para fazer aqui dentro. Precisamos, ao invés de vender soja, transformar em farelo, em frango, em porco", afirmou.
Meirelles destaca que, nos últimos anos, muitas cidades foram perdendo população em razão da falta de oportunidades de empregos. Para ele, erradamente, só se pensa nas indústrias enquanto que as oportunidades são poucas. O secretário destaca que a indústria do meio rural, a de transformação é o caminho para geração de empregos. "É uma coisa tão antiga e, ao mesmo tempo, uma tremenda novidade", destacou.
Meirelles destacou que dos 645 municípios que o Estado de São Paulo tem, 500 tem sua atividade econômica baseada, essencialmente, no setor agrícola. Por outro lado, nessas 500 cidade, nenhuma tem em seu orçamento um percentual maior do que 1% de seu orçamento voltado para o meio rural. Ele diz que a cultura do rural foi perdida, pois os prefeitos são pressionados em iluminar as cidades, colocar, asfalto, hospital, água e esgoto. Porém, a população não se preocupa em ajudar os prefeitos a resolver os problemas dos 220 mil quilômetros de estrada rurais que o Estado tem.
"Estamos em uma nova engenharia de desenvolvimento do Estado de São Paulo", afirmou.
Aftosa
O secretário de Agricultura disse que, até novembro, o Estado de São Paulo deverá ser declarado pelo Governo Federal como zona livre de aftosa com vacinação. Ele lembrou que isso é um fato extraordinário, uma vez que São Paulo tem 13 milhões de cabeças de gado. Esse número é superior ao do Uruguai, famoso por sua pecuária, que tem 10 milhões de cabeças, enquanto o Paraguai tem 10,5 milhões. "Isso significa a possibilidade de, em um ano ou dois, estarmos exportando carne para lugares que nunca poderíamos pensar, como Estados Unidos, Japão, Coréia e Canadá, que não admitem entrada de carne de países ou regiões de países onde tenha a febre aftosa.
O secretário revelou, ainda, que a Secretaria da Agricultura está negociando com o Banco do Brasil para buscar o financiamento da produção, em novas modalidades, saindo da "velha camisa-de-força" do crédito rural tradicional.
"Isso porque o atual modelo de crédito rural está ultrapassado e não atende mais à agricultura paulista", destacou.