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Poder do dinheiro

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

O dinheiro acima de tudo

O dinheiro acima de tudo

Texto: Gustavo Cândido

Bens materiais com certeza são importantes na nossa vida e o dinheiro é o caminho até eles. Precisamos comprar, adquirir coisas, produtos e também vender nosso trabalho. Mas e quando o dinheiro se torna uma obsessão, um desejo incontrolável de "ter" sempre mais e "possuir" para poder se sentir bem? Muitas pessoas perdem literalmente a "noção do valor" do dinheiro e passam a acreditar que poderão tudo se o possuírem, com isso acabam deixando de lado outros valores e sentimentos e enxergando a vida de uma maneira mais fria e calculista. Visão esta que pode trazer mais preocupação e problemas do que felicidade.

Mesmo sem perceber, muita gente se deixa levar pela ditadura do dinheiro no dia-a-dia. Isso acontece quando, quase que imperceptivelmente, você sempre acaba escolhendo suas paqueras pela aparência e pelo carro que elas dirigem, ou quando o desejo de ter aquela roupa da moda e mais forte do que qualquer coisa, por exemplo. Atitudes bem corriqueiras aliás. Embora geralmente não queiram admitir, muitas pessoas acabam vivendo exclusivamente para e pelo dinheiro.

Segundo a psicóloga Elaine Olmo, o excesso de valorização ao dinheiro faz com que valores como amizade e

confiança se percam. "Cria-se um jogo de interesses, onde quem vence é aquele que possui mais dinheiro. E as pessoas fazem questão de deixar bem claro e evidente essa diferença".

Mas ela salienta que o dinheiro também traz transtornos, como a perda da liberdade, necessidade de seguranças, esquemas de proteção que fazem das pessoas, prisioneiras de sua própria conquista. Será que vale a pena? Para qualquer pessoa que se perguntar, a resposta deve ser que

é preferível se preocupar na administração de muito dinheiro, do que não ter dinheiro para comer e por isso a questão acaba sendo esquecida.

Elaine Olmo diz que faz parte da evolução do homem, do crescimento, a necessidade de adquirir, de lutar para obter coisas, procurar um trabalho melhor, poder oferecer um conforto, uma escola melhor estruturada para os filhos, cursar uma faculdade, ou seja, melhorar a qualidade de vida, já que estamos sempre a procura de algo que venha a engrandecer. O problema acontece quando a procura incessante em acumular bens, riquezas, só acontece para preencher um vazio, um vazio existencial que nunca se preenche, por mais que se adquira, por mais que se obtenha, sempre haverá a sensação de que algo falta a se completar.

"Vivemos a procura de uma estabilidade financeira e essa procura sempre existirá, pois sempre existirá a necessidade em adquirir algo mais. Faz parte de nossa existência. Uns pensam em acumular riquezas para deixar aos filhos, outros para os próprios desejos, outros por necessidade".

Visão errada

No geral as pessoas acabam sendo apontadas pelas suas posses, pelo que possuem com relação ao dinheiro e não pela que são. Com suas qualidades e defeitos. Outras não deixam transparecer, mas estão envolvidas, escondidas através da aparência, o dinheiro pode permitir roupas boas, cirurgias plásticas, tratamentos, deixando a pessoa símbolo da beleza.

"Os escravos do dinheiro são pessoas que estão o tempo todo querendo mais, não se permitem usufruir esse dinheiro, deixam família, amigos, sua única preocupação está no acúmulo de riquezas, sacrifica momentos de felicidade por esse objetivo", diz a psicóloga. Outros escondem a real situação por medo de perder tudo, existe uma preocupação em não permitir que outras pessoas venham a saber.

Desde cedo

Da acordo com Elaine Olmo, quando os pais tem possibilidade de oferecer bons colégios, cursos, aulas, aos filhos, pensando no melhor para eles, devem também educá-los para serem pessoas antes de tudo, que devem respeitar os demais, que devem usar os conhecimentos também na ajuda ao próximo. Também devem passar para os filhos que o dinheiro não

é algo fácil de se conseguir, tem que ser trabalhado e conquistado e um bom meio de passar isso aos filhos é através da mesada, para que a criança desde cedo saiba lidar com o dinheiro e aprender a ter limites e responsabilidades.

Até que ponto o dinheiro tem mesmo o poder de controlar a sua vida?

Segundo a matéria de Cynthia Greiner para a revista Nova,

é possível destruir alguns mitos sobre essa reação com o dinheiro. O economista Marcos Silvestre, especializado em administração de finanças pessoais foi quem deu as informações.

* Você odeia seu trabalho mas acha que não pode deixá-lo

Não é preciso morrer por isso, é possível trocar de colocação sem maiores traumas, mas antes

é preciso deixar as contas em ordem. Ponha o orçamento em dia, abrindo espaço para uma economia mensal correspondente a um quarto de tudo o que você ganha e aplique mensalmente essa economia durante os próximos dois anos, até juntar o equivalente a oito vezes o seu gasto mensal. A busca de uma nova vaga, pode levar um pouco mais que seis meses. A preparação financeira para mudar de emprego requer paciência e perseverança, mas vale a pena. Se o seu emprego anterior não era mesmo a sua, uma mudança vai fazer bem.

* Você acha que é muito jovem para pensar em aposentadoria

Quem pensa assim está enganado, porque quanto antes começar a guardar dinheiro para sua aposentadoria, mais fácil e garantido será. Se quer deixar de trabalhar aos 65 anos e receber uma renda mensal de 2.000 reais, você deve economizar e poupar todo mês 350 reais, a partir dos 45 anos. Se quiser começar com 35 anos, vai precisar de 170 reais e se quiser começar mais cedo ainda, aos 25 anos, vai precisar poupar apenas 45 reais por mês. Ou seja, quanto antes melhor.

* Você acha que ter filhos é muito caro

Apesar de pesarem bastante no orçamento familiar, ter filhos não atrapalha muito. Profissionais com filhos costumam ser mais ativas e polivalentes e normalmente têm mais estímulo para batalhar a geração de uma boa renda. Também aprendem a dividir mais, tornando-se consumidoras menos egoístas. Em poucas palavras, aprendem a viver mais felizes com um pouco menos.

* Você precisa de mais dinheiro para ser feliz

Segundo pesquisas recentes, mais dinheiro trouxe mais felicidade para quem acabou de ganhá-lo e que, não, mais dinheiro não trouxe mais felicidade a longo prazo. Existem pessoas felizes e infelizes com dinheiro e sem dinheiro. Mais dinheiro certamente pode melhorar a sua vida se você usá-lo como uma ferramenta para obter e cuidar das coisas que realmente importam para você.

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