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Intervenção

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 3 min

PT em Bauru está sob intervenção

PT em Bauru está sob intervenção

Texto: Adriana Amorim

As rixas internas dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) de Bauru acabaram por permitir a intervenção da executiva estadual no diretório local. A decisão foi tomada ontem, por 11 votos a um, pela Comissão Executiva Estadual em São Paulo, que negou a deliberação da Comissão de Ética municipal, a qual apontava para a expulsão do vereador José Carlos Batata e da militante Estela Almagro do partido.

O secretário-geral da executiva estadual do PT, Paulo Frateschi, explicou que a intervenção tornou-se necessária porque os membros locais "perderam os critérios de relacionamento", o que poderia comprometer ainda mais o desempenho do partido na cidade e na região. Ele argumentou que o PT de Bauru exerce papel fundamental, na medida em que exerce influência em toda a região.

Devido à intervenção, o encontro municipal que seria realizado no próximo final de semana foi adiado; provisoriamente, cogita-se a convenção para o dia 26 deste mês, mas o encontro pode ficar para outubro. A medida tomada pela executiva estadual dissolve automaticamente a atual direção municipal, tanto que a organização e realização do processo de renovação do partido em Bauru estarão a cargo da comissão interventora nomeada.

Vale destacar que a intervenção "contempla" solicitação feita no início do ano pelos militantes ligados ao vereador Batata. O pedido foi encaminhado

à direção estadual logo após a renúncia de 20 dos 32 membros do diretório municipal. Na ocasião, o parlamentar e seu grupo de apoiadores, alegando falta de legitimidade política e jurídica de alguns membros da direção local, abandonaram seus cargos e requisitaram a intervenção. De lá para cá, o núcleo de Batata e o grupo de Roque Ferreira não deram trégua às contendas internas.

Batata e Estela ficam

O diretório estadual não aceitou o pedido de expulsão do vereador José Carlos Batata e da militante Estela Almagro.

"Houve vício de procedimento", argumentou Frateschi. Ele explica que Estela e Batata pertencem à executiva estadual, o que tornaria necessário que qualquer procedimento partisse de São Paulo, e não de Bauru. De acordo com o estatuto, eles não poderiam ser julgados no âmbito municipal. Além disso, Frateschi diz que os membros estaduais foram contrários à maneira em que foi feita a deliberação pela expulsão, às vésperas do encontro.

A executiva estadual não entrou no mérito dos argumentos apresentados pela Comissão de Ética do diretório de Bauru. Frateschi argumenta que não houve tempo para as análises necessárias. "Mesmo assim, como

é um direito partidário e esta questão é anti-estatutária, decidimos suspender a expulsão, mas essa questão do mérito vai ser analisada depois", explicou.

Com a intervenção, a executiva estadual pretende colocar um ponto final nas desavenças internas no diretório municipal. Frateschi não fala com todas as letras, mas acredita que a intenção pode não se concretizar, tamanho o racha dentro do diretório.

A reunião de ontem decidiu também que as rixas internas não devem ser tratadas na imprensa e que os problemas devem ser resolvidos dentro o próprio partido. Frateschi culpou as desavenças pelo afastamento da possível filiação do ex-deputado Tuga Angerami ao partido. "Toda a nossa bancada federal, o Lula, o Palocci, todo mundo achava ótimo. Ele não entrou foi por aí", responsabilizou. No entanto, ele acredita que o PT ainda pode correr atrás para tentar reverter a perda, mesmo depois de Tuga ter manifestado a vontade de deixar a vida pública.

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