Aumenta o número de reclamações contra bancos
Aumenta o número de reclamações contra bancos
Texto: Luciano Augusto
As reclamações registradas no Procon de Bauru, órgão de defesa do consumidor ligado à Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes), aumentaram mais que o dobro, se comparados os meses de março e agosto deste ano. No intervalo de cinco meses, o total de reclamações saltou de 308 em março
(do total de 2245 reclamações) para 710 em agosto
(de 3163 reclamações).
De acordo com o advogado do Procon, Luis Alan Barbosa Moreira, 45 anos, isso indica mais inadimplência e que o cidadão está encontrando dificuldades em fazer acerto com os bancos.
"Ele busca o acerto para tentar achar uma saída em que ele possa pagar a dívida em cima de valores próximos e não em cima dos valores que os bancos apresentam". Na opinião de Moreira, os refinanciamentos, muitas vezes, oneram em muito a dívida e "quando o cidadão chega no Procon, ele já está desesperado".
Os números do Procon dão conta que as reclamações só têm aumentado desde o início do ano. Em abril, foram 2245 reclamações. Destas, 504 estavam relacionadas aos bancos. Em maio, das 2572 reclamações, 565 diziam respeito à pendências bancárias. Já em junho, foram 2505 reclamações, sendo 544 de bancos. Em julho, foram formalizadas 2631 reclamações no total e 781 especificamente de bancos.
Para o Procon, a melhor saída para o consumidor é ficar atento ao movimento de queda dos juros, que vem sendo encampado pelo Governo Federal, para depois tomarem crédito junto aos bancos. "Mesmo assim, é preciso ter controle dos gastos" e evitar fazer do cheque especial um segundo salário.
Outro ponto destacado pelo advogado do Procon é evitar a venda casada (agregar outros produtos bancários na contratação de uma simples caderneta de poupança, por exemplo), uma prática comum entre as instituições financeiras. Essa prática, alerta Moreira, é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
A orientação que o Procon tem dado para o consumidor que se vê em demandas com instituições bancárias
é procurar os meios jurídicos.
Com a proximidade do recebimento do 13.º salário, Moreira aconselha os consumidores a quitarem suas dívidas, principalmente, as relacionadas com o cheque especial. Por outro lado, com as sobras, "se sobrar", procurar contrair dívidas, se inevitáveis, com mais consciência.
"Neste momento de crise, não é para se entusiasmar. O consumidor tem que fazer pesquisas de preços bem detalhadas, tanto em relação ao preço à vista quanto a prazo. Tem que haver um estudo criterioso em tudo o que for comprar", finaliza Moreira.