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Reajuste salarial da PM

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 3 min

Policiais são contra proposta do governo Covas

Policiais são contra proposta do Governo Covas

Texto: Luciano Augusto

Soldados, cabos, sargentos e subtenentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo são contrários às propostas do Governo Mário Covas no tocante ao reajuste salarial e mudanças no sistema de previdência. Mesmo assim, é inexistente a possibilidade de um movimento grevista como o realizado pelos policiais militares da Paraíba.

"Não existe nenhum movimento neste sentido", garantiu o presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos de Bauru e região, Adauto dos Santos Guedes, 46 anos.

O PM afirmou que o que está havendo é uma negociação com o Governo do Estado no sentido de concessão de aumentos

(inicialmente de 18%) e também a revisão do projeto estadual que aumenta a aliquota de contribuição do policiais de 6% para quase 24%, tanto para servidores civis quanto militares.

Essa proposta de Covas é recusada pelos servidores, porque, como disse Guedes, "ela mexe com o todo da Polícia Militar". Segundo o presidente da associação dos subtenentes e sargentos, o projeto do Governo visa a criação de uma previdência única com todos os servidores do Estado, aproveitando o Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp). Os policiais militares alegam que se opõem à mudança porque ela significa um retrocesso em relação a alguns direitos adquiridos, como a previdência especial por exemplo.

A atuação dos policiais militares do Estado está sendo feita por meio de pressão na Assembléia Legislativa, através de cartas enviadas aos deputados estaduais que atuam nas comissões especiais daquela Casa de Leis.

O projeto passa pela apreciação da primeira comissão, a Comissão de Constituição e Justiça, formada por 18 parlamentares, entre eles o deputado bauruense Carlos Braga (PPB). Somente da região, já foram enviadas perto de 150 mil cartas.

O parecer desta primeira comissão deverá ficar pronto no próximo dia 17 de setembro. Esse "trabalho" dos policiais militares deverá continuar até a segunda quinzena de outubro, quando está prevista a votação em plenário da proposta do Governo paulista. A idéia, segundo Guedes, é juntar mais de 50 mil policiais no dia da votação na Assembléia.

"A nossa preocupação maior é com a questão da previdência", destacou o policial. O próprio aumento foi, segundo ele, deixado em segundo plano. Entretanto, ressalta o representante da categoria, os sargentos e subtenentes não têm reajustes salariais há quatro anos e que o aumento foi uma das promessas de campanha do Governador Mário Covas. O piso salarial de um subtenente, hoje, é de R$ 579,97, para 44 horas semanais.

Todos estes reveses, alega Guedes, fazem com que o policial militar tenha a necessidade de partir para uma segunda ocupação, o chamado bico. "O bico, infelizmente, é um mau necessário", aponta o policial.

De acordo ele, 50% da corporação possuem uma segunda ocupação. Trabalhando nestes empregos sem a retaguarda da PM, estudos apontam que cerca de 70% dos óbitos policiais ocorrem no exercício desta segunda ocupação. No Estado de São Paulo, somente este ano, 250 policiais já perderam suas vidas.

Na Associação dos Cabos e Soldados de Bauru e região, segundo o diretor-secretário Donizete Vieira, 44 anos, a situação é bastante semelhante. "Hoje, quase que a totalidade dos policiais militares fazem bico", garantiu Vieira.

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