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Intervenção no PT

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

PT proíbe Roque e Batata de falar

Roque e Batata não falam sobre intervenção

Texto: Josefa Cunha

Os dois principais personagens da disputa travada no PT de Bauru, Roque Ferreira e José Carlos Batata, estão proibidos de comentar a intervenção decretada anteontem pela executiva estadual do partido. A instância estadual baixou resolução impedindo que qualquer militante petista local fale sobre as recentes deliberações.

De concreto, sabe-se que a convenção que elegerá o novo comando do partido em Bauru foi marcada para o dia 26 deste mês. Inicialmente, a eleição estava agendada para agosto, mas a data já foi adiada por três vezes. A comissão interventora nomeada deverá estar na cidade na próxima segunda-feira para acertar os detalhes da convenção, como o registro das chapas que concorrerão aos votos da militância. Cogita-se também a possibilidade de uma refiliação geral no partido. Se isso for confirmado, os 1.328 petistas hoje cadastrados terão que registrar novamente suas fichas para legitimarem os votos.

Enquanto as pendências não forem resolvidas - a expectativa

é que os problemas se amenizem após a eleição do diretório -, Roque e Batata deverão conceder-se uma trégua. Procurado ontem, o vereador preferiu nada comentar. Roque também confessou impedimento de manifestação, mas liberou-se a fazer algumas colocações na condição de membro do diretório estadual.

Roque Ferreira, que em Bauru lidera a ala do "Trabalho"

- vertente minoritária interna tida como a mais radical do partido -, disse que acata a intervenção e concorda com a suspensão da pena de expulsão infligida a Batata e à militante Estela Almagro pela Comissão de Ética do PT de Bauru. A decisão de não puni-los foi deliberada por 11 votos a um na mesma ocasião em que a intervenção foi determinada. "Concordo com a suspensão da expulsão por duas razões: primeiro, por uma questão de coerência, já que votei contra a sanção enquanto membro da executiva municipal; segundo, porque acho que é importante se preservar aquilo que o PT tem de melhor em sua origem: a democracia interna. De fato, a deliberação da Comissão de Ética a dois dias da convenção municipal criou dificuldades para o pleno exercício do direito de defesa. Já a intervenção, sem entrar no seu mérito, foi decidida a partir de razões julgadas pela estadual e adotada por seis votos a cinco. Aprendi, enquanto membro do Partido dos Trabalhadores, a acatar a decisão da maioria", comentou.

Recoloca o debate interno sobre a importância de se criar condições, realização da convenção. Como membro do diretório estadual, posso divergir das idéias.

Roque disse ainda que tem expectativas de o PT de Bauru retome o debate político após o processo de sucessão do diretório. Em sua opinião, o caminho para isso depende de uma direção capaz de exercitar democraticamente o debate político e comprometida com os princípios do partido.

A manifestação do sindicalista não foi mais além, mas já se sabe que alguns setores trabalham com a possibilidade de recorrer da decisão estadual. No caso, caberiam contestações tanto ao diretório regional quanto ao nacional.

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