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Exposições

Por Fabiano Alcantara | Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 5 min

As várias facetas da arte contemporânea

As várias facetas da arte contemporânea

Texto: Fabiano Alcantara/ Ricardo Polettini

Do primitivismo ao futurismo, uma série de exposições de artes plásticas, que inauguram esta semana, em Bauru, mostram algumas das diversas facetas da contemporaneidade.

A mais significativa delas, no Centro Cultural, traz os trabalhos de Cris Jardim, Elisete Alvarenga, Rosa Saglietti, Luciana Betti e Monica Stein Aguiar. Apenas Cris é de Bauru, as outras quatro são de Botucatu.

"Estou impressionado com a qualidade dos artistas de Botucatu. Este ano já tivemos trabalhos fantásticos dessa cidade expostos na galeria, como os da Rosa Barreiros e da Cristina Maüch", afirma o coordenador da Galeria Angelina Messenberg, Ronaldo Gifalli.

Entre os trabalhos selecionados para a mostra que inaugura hoje, destacam-se as telas de Elisete Alvarenga, que utiliza pigmentos de terra sobre lona ou papel para produzir desenhos e suas pinturas. O resultado do seu trabalho lembra trabalhos rupestres.

Elisete estudou Engenharia Agronômica pela Faculdade de Agronomia de Botucatu e em 1989 iniciou seus estudos de Artes Plásticas com artistas da cidade. Ela já participou de diversas exposições, sendo selecionada na fase municipal do Mapa Cultural Paulista de 1998.

"Meu trabalho procura refletir as relações e dependências existentes entre os diversos elementos da natureza e, através da linha, da forma e da textura, fixar momentos de transformação e integração", afirma.

Monica Stein Aguiar, nascida em Piracicaba, é pintora e faz uso de aquarela, pastel e acrílica em conjunto. Seu trabalho já foi exposto em Botucatu em sua cidade natal, em universidades, escolas e estação experimental. Zootecnista formada pela Unesp de Botucatu, onde reside atualmente, Monica fez cursos com outros artistas como Cristina Mösch, Maria Amélia Blasi, Kim Marques, Maria Estela Gurgel e Luciana Betti.

Luciana Betti, professora, pintora e ceramista de São Paulo, expõe novamente em Bauru trabalhos em cerâmicas. A artista, que já teve suas obras exibidas em São Paulo, Joinville, Botucatu, Curitiba e na cidade, é formada em artes plásticas pela USP. Além disso, estudou com os ceramistas Célia Cymbalista, Lucia Maggi, Mestre Lelé e Denis Hoping e esteve no Emerson College, Inglaterra, participando de cursos na área.

Cris Jardim estará expondo objetos feitos com elementos orgânicos e inorgânicos. Em seu trabalho, ela questiona o comportamento social do homem contemporâneo, influenciada principalmente pela arte indígena e práticas ritualisticas de culturas distintas. Instrutora de Artes Plásticas do Centro Cultural desde 1993, Cris Jardim já participou de várias exposições, coletivas e individuais.

Rosa Maria Brighenti Saglietti, desenhista audodidata, desenvolve trabalhos em técnica de retratos em preto e branco, usando lápis "contè" sobre papel "canson". Em 1988, participou da primeira coletiva em São Manuel e, em 92, na cidade de Botucatu.

Desde então, trabalha para seu próprio deleite, atendendo encomendas que recebe. Os desenhos têm grande apelo visual, ressaltando sempre o contraste entre o preto e o branco, e todos os seus subtons, principalmente quando trata do ser humano como tema.

Futurismo

Futurismo. Esta palavra resume a tendência no trabalho do artista plástico Jaílson Dávila, que está em exposição até dia 7 de outubro, no Fran's Café da avenida Getúlio Vargas.

A mostra "Fugindo do Convencional" traz 23 telas criadas pelo artista nos últimos seis meses. Há dois anos Jaílson não realizava uma exposição importante na cidade. "Fiquei um tempo parado, reciclando meu trabalho", afirma.

E pode-se dizer que "reciclar" é uma palavra-chave para compreender a intenção do artista. Alguns de seus trabalhos são feitos utilizando-se material reciclado, como estopa e madeira. Outros, são feitos a partir de elementos da natureza, como conchas do mar.

O resultado é uma extensa gama de texturas que não só produzem efeitos de relevo, mas passa para a tela a relação mais íntima do Homem com o mundo contemporâneo.

"Estamos no final do século e o homem está destruindo o planeta. Eu utilizei as conchas no meu trabalho justamente para mostrar que o ser humano, embora pareça ter se esquecido disso, ainda é parte da natureza".

Da preocupação ecológica, herdada de seu mestre nas artes, José Bacan, Jaílson parte para a exploração das colagens cores e formas abstratas, sejam elas geométricas ou sinuosas.

As formas saltam aos olhos pelo forte contraste e padrões irregulares. Nas séries geométricas, a moldura toma forma de seu conteúdo." "Quando vou pintar um quadro abstrato, as formas já estão todas na minha cabeça. A moldura para mim não passa de um limite". Todos os trabalhos estão à venda.

Decorativa

Com diversos quadros no circuito de decoração em Campinas, São Paulo e em países como Holanda, Bélgica e Espanha, a artista plástica Claret, de Bauru, mantém em seu ateliê uma mostra permanente com seus trabalhos, que estão à venda.

Com uma produção bastante diversificada, as obras vão do abstrato impressionista aos florais, com destaque para as cores fortes, que dão aos trabalhos um "sabor" tropical. De acordo com seu marchand, João Francisco Godoy, dentro da produção da artista também podem ser encontrados trabalhos expressionistas e surrealistas.

De volta ao figurativo

No Templo Bar, a artista plástica Marly Hessel mostra uma série de trabalhos, que marca sua volta ao figurativismo, depois de uma incursão ao universo do abstrato.

"Priorizei mais os desenhos e as cores primárias, retratando os diferentes cotidianos de forma bem simples e otimista", afirma.

A série de telas, todas arredondadas, foi batizada de "Da Cor, o Contorno". A mostra fica no bar por tempo indeterminado.

Serviço

Cris Jardim, Rosa Saglietti, Monica Aguiar, Luciana Betti e Elisete Alvarenga. De hoje a 30 de setembro, na Galeria Angelina Messenberg, Centro Cultural. Visitas monitoradas, com Gifalli ou Cássia. Informações: 235-1072.

Jaílson Dávila realiza a mostra "Fora do Convencional", até 7 de outubro, no Fran's Café, avenida Getúlio Vargas, 6-15. Informações: 223-1862.

Claret fica em exposição permanente em seu ateliê, rua Dr. José Ranieri, 12-61, Jardim Marambá. Informações: 9111-5382.

Marly Hessel faz exposição no Templo Bar, rua Benjamin Contant, 1-34. A mostra fica por tempo indeterminado. Informações:

(014) 223-3493.

César Pedroso lança livro no Centro Cultural

O poeta bauruense radicado em Belo Horizonte, César Pedroso, lança hoje, às 20 horas, no Centro Cultural, o livro independente Káktos Urbanos, segundo trabalho do escritor.

De estilo direto e minimalista, Pedroso trafega entre as diversas técnicas do que se convencionou chamar de poesia moderna. No livro, o poeta explora a aliteração, as rimas internas e outros artifícios, para construir uma obra inteligente e concisa. Vale a pena conhecer o trabalho de Pedroso. (FA)

Néon 2

Káctos-urbanus

de coloridas formas

nas ruas noturnas

enfeitam vazios

olhares mesclados

de cinzas amorfos

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